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Correio Braziliense

"Questão fiscal é o grande desafio do país", alertam especialistas

Projeções foram apresentadas no evento Correio Debate: Desafios para 2019, na sede do Correio Braziliense


postado em 19/12/2017 14:37 / atualizado em 19/12/2017 15:35

Tony Volpon, economista-chefe do banco suíço UBS no Brasil(foto: Luís Nova/Esp. CB/D.A Press)
Tony Volpon, economista-chefe do banco suíço UBS no Brasil (foto: Luís Nova/Esp. CB/D.A Press)

 
O bom cenário econômico internacional, que tem sido um dos fatores determinantes no processo de retomada da economia brasileira, deve ser aproveitado para fazer o ajuste fiscal necessário e equilibrar as contas públicas, alertam especialistas. De acordo com projeções - apresentadas no evento Correio Debate: Desafios para 2018, realizado na sede do jornal, em Brasília - 2018 é o ano de colher o crescimento alcançado em 2017, mas é 2019 o ano decisivo para a economia brasileira.


No primeiro painel do dia Brasil: Desafios e Tendências, Tony Volpon, economista-chefe do banco suíço UBS no Brasil, disse que o país vive seu melhor momento desde 2010. "A recuperação que ocorreu em função da qualidade da política monetária e a preocupação com a fragilidade fiscal levou à melhora das condições financeiras”, explicou.

Uma das preocupações de Volpon é em relação à dificuldade em aprovar a reforma da Previdência, tida como um fator imprescindível para o equilíbrio fiscal. "Em 2018, temos uma janela para fazer o ajuste. Não acreditamos que será um ano complicado para a encomia global, mas temo não sermos capazes de aproveitar e resolver a grande fragilidade da economia brasileira que é a questão fiscal."

Para ele, o ajuste fiscal proposto é extremamente gradual, e isso representa uma demora maior para estabelecer um equilíbrio nas contas. "A vantagem é o custo social menor e a desvantagem é que parece que não existe emergência na sociedade e nos mercados financeiros sobre a fragilidade que enfrentamos”.

Seguindo a mesma linha, a economista Zeina Latif, da XP Investimentos, alertou que a não aprovação da reforma pode complicar a situação do país. "O custo-benefício de não fazer a reforma é muito alto, não combina com nossa classe política não fazê-la." Mas, garantiu que não acredita nesse cenário. "A pergunta é quem vai ter mais condições de estabilizar o ambiente de forma consistente e tocar essa agenda."

Sobre a corrida eleitoral, Zeina afirmou que o "Brasil não pode se dar ao luxo de ter um presidente medíocre" e que quem for eleito precisará mostrar serviço rápido. "O Brasil tem a mania de achar que é diferente do mundo, inventa políticas econômicas criativas que dão errado. Se seguir o manual, a capacidade da economia é muito forte. O ano da verdade é 2019. A questão fiscal é o grande desafio do país, não tem como brincar com isso", avaliou.
 
Thais Zara, economista-chefe da Rosenberg Associados(foto: Luís Nova/Esp. CB/D.A Press)
Thais Zara, economista-chefe da Rosenberg Associados (foto: Luís Nova/Esp. CB/D.A Press)
 
 
A outra participante do painel, Thais Zara, da Rosenberg Associados, disse que 2018 está "mais ou menos encaminhado" e a dúvida é se o país vai entrar em um novo círculo virtuoso. "A gente olha muito para a previdência, mas uma parte da modernização da economia já está em curso. Ainda temos muito o que fazer. A reforma da previdência é imprescindível, mas deve ter outras medidas para conseguir ficar dentro do teto de gasto. É preciso pensar no fiscal como primeiro passo para a eficiência da economia como um todo. Discutir a redução da carga tributária e abertura comercial também. Isso vai reforçar a inflação mais baixa, país com abertura consegue exportar e importar mais facilmente”.

Segundo Zara, no ano que vem, a tendência é de queda também da taxa de desemprego, depois de uma alta no primeiro trimestre por uma questão sazonal. Este ano, deve terminar em 12% e cair para 11%, sendo que a taxa de equilíbrio estaria em 9%.  

*Estagiária sob supervisão de Ana Letícia Leão.

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