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Correio Braziliense

Indústria consolida recuperação econômica

Levantamento mostra que setor ensaia retomada, apesar dos inúmeros gargalos que persistem no país. Oito dos 14 locais pesquisados apresentaram avanço em novembro do ano passado


postado em 12/01/2018 06:00 / atualizado em 12/01/2018 00:21

Quase todos os setores mostram sinais favoráveis, entre eles a indústria automobilística, que influenciou positivamente nos dados de novembro(foto: Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press)
Quase todos os setores mostram sinais favoráveis, entre eles a indústria automobilística, que influenciou positivamente nos dados de novembro (foto: Marlos Ney Vidal/EM/D.A Press)


São Paulo — Poucos indicadores são tão eficientes para retratar a retomada da economia quanto a produção industrial. É verdade que o setor enfrenta uma série de obstáculos que emperram o desenvolvimento e que o caminho até a plena recuperação será tortuoso. A boa notícia, porém, é que os primeiros passos já foram dados. Segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a indústria brasileira começa a respirar — pelo menos boa parte dela.

 

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De acordo com o levantamento, em novembro, a produção industrial nacional cresceu 0,2% e oito das 14 localidades pesquisadas mostraram taxas positivas. O Espírito Santo liderou com folga o ranking brasileiro, com expansão de 5,8%. Em dois meses consecutivos, a alta da indústria no estado foi de 7%, o que espanta definitivamente, pelo menos na região, qualquer sintoma de crise.

Na sequência aparecem Bahia (crescimento de 3,5% em novembro), Pernambuco (2,6%) e Minas Gerais (2,4%). Rio Grande do Sul (1,4%), Pará (1,1%) e Região Nordeste (0,2%) também apresentaram resultados positivos. Detentor do maior parque industrial brasileiro e responsável por 33,5% do Valor da Transformação Industrial (VTI) do país, São Paulo avançou 0,7% em novembro, o que confirma que os ventos favoráveis sopraram em quase todas as regiões do país.

A pesquisa do IBGE mostra que os resultados não são reflexo de uma recuperação momentânea. No acumulado de janeiro a novembro de 2017, a performance da indústria brasileira foi ainda melhor, com altas em 12 dos 15 locais pesquisados e crescimento médio de 2,3%. Nesse período, o Pará aparece com destaque, registrando avanço acima de dois dígitos (10,5%), à frente de Paraná (4,8%), Goiás (4,6%), Mato Grosso (4,5%), Santa Catarina (4,5%) e Rio de Janeiro (3,9%), os primeiros colocados no ranking nacional.

 

(foto: D.A Press)
(foto: D.A Press)
 


O desempenho expressivo do Pará se deve à expansão da extração de minério de ferro, que chegou a 10,7% entre janeiro e novembro do ano passado ante o mesmo período do ano anterior. Detalhe: a atividade responde por quase 80% da indústria local e vem sendo impulsionada pelo aumento das exportações.

No Brasil, os indicadores positivos foram influenciados pelo forte desempenho da indústria de bens de capital (especialmente no setor de transportes, construção e agrícola), bens intermediários (minério de ferro, petróleo e celulose), bens duráveis (carros e eletrodomésticos da linha marrom) e bens não duráveis (calçados, produtos têxteis e vestuário). A conclusão é óbvia: há sinais favoráveis em quase todos os setores industriais, o que demonstra que a recuperação se deve ao conjunto da economia e não a atividades específicas.

Recuos

Apesar dos avanços expressivos, algumas regiões apresentaram desempenho decepcionante. No Amazonas (estado que, vale lembrar, abriga a Zona Franca de Manaus), a produção industrial recuou 3,7% em novembro, enquanto no Rio a queda foi de 2,9% (o que eliminou parte da expansão de 13,3% acumulada entre agosto e outubro). O Ceará fechou o mês com redução de 2,3% na produção industrial, seguido por Paraná (queda de 0,9%), Goiás (0,6%) e Santa Catarina (0,1%).

Se algumas regiões apresentaram avanço, é inegável que a indústria tem motivos para preocupação. A elevada carga tributária brasileira, uma das mais altas do mundo, aniquila a competitividade das empresas. Pior ainda: parece haver no Congresso pouca disposição para mudanças, apesar de os debates de uma eventual reforma estarem na pauta de 2018. Outra questão que impõe obstáculos é a falta de estímulos à inovação. Falta um plano nacional que abranja vários atores capazes de trabalhar em conjunto, incluindo governo, iniciativa privada, sociedade e terceiro setor. Enquanto isso não for feito, o Brasil continuará atrasado na corrida em direção ao futuro.

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