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Correio Braziliense

Violência no DF provoca aumentos de até 40% nos seguros de carro

O valor da proteção pode variar em até nove preços diferentes, com base na residência do condutor


postado em 04/02/2018 08:00

Os seguros de carros devem pesar mais no bolso do consumidor brasiliense em 2018. Por conta da violência no Distrito Federal, os preços das apólices subiram, em média, 20% em comparação com o ano passado. Nas regiões com maiores índices de furtos de veículos, o reajuste pode chegar a 40%, segundo dados do Sindicato dos Corretores de Seguro do Distrito Federal (Sincor-DF). O valor da proteção pode variar em até nove preços diferentes, com base na residência do condutor. Por isso, especialistas dão dicas de como escolher a melhor opção. Isso não vale apenas para automóveis, mas também para todo o mercado de seguros.

 

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O presidente do Sincor-DF, Dorival Alves de Sousa, afirma que o aumento da criminalidade teve papel fundamental na elevação dos preços das apólices de automóveis neste ano. “Os índices de furtos e arrombamentos são levados em conta pela seguradora, por isso, o valor aumenta. Por exemplo, um seguro, em Samambaia ou Taguatinga, provavelmente, terá um preço bem mais alto do que se o carro fosse do Cruzeiro”, declara. “Os indicadores de criminalidade fazem com que as seguradoras calculem os preços de acordo com o CEP de pernoite do veículo”, completa.

A agenciadora de seguros Sandra Lucia Marques explica que é uma questão de estatística. A grande variação de preços ocorre de acordo com as peculiaridades de cada região, principalmente em casos de furto. “No Rio de Janeiro, por exemplo, as seguradoras de veículo não querem renovar os contratos com os beneficiários do serviço. Muitas empresas já fecharam suas carteiras e não aceitam novos clientes. Isso está longe de acontecer em Brasília, mas não podemos ignorar os números da criminalidade”, compara.

 

(foto: Thiago Fagundes/CB/D.A Press)
(foto: Thiago Fagundes/CB/D.A Press)


Os especialistas contam que, normalmente, as pessoas acham o seguro de veículo desnecessário até ocorrer uma batida com danos, principalmente quando o carro de outra pessoa é afetado, multiplicando significativamente a conta a ser paga pelo motorista. A costureira Sueg Braga de Oliveira, 44 anos, evitou as dores de cabeça. Ela já sofreu dois acidentes graves de capotamento. “Tive uma sorte tremenda em contratar a proteção”, avalia.

Além disso, ela afirma que a sensação de criminalidade está bastante elevada, o que aumenta a necessidade de proteção na cidade. “Um carro não pode ficar sem seguro, porque, hoje em dia, o roubo está muito intenso. Estão pegando chave do veículo da nossa mão, sem nenhum pudor. Esse é o meu maior medo”, desabafa Sued.

Os corretores de seguro explicam que o carro é um bem extremamente caro para ser perdido. No Brasil, há muitas compras de veículos efetuadas à prestação e, em vários casos, o consumidor parcela por mais de dois anos. Se antes desse período ele for furtado, a pessoa não só ficará sem o automóvel, como também terá que pagá-lo até o fim do contrato. Além disso, a seguradora presta serviços de problemas do dia a dia com o veículo, como pneus furados e problemas mecânicos.

Apesar das vantagens, Dorival Alves de Sousa explica que é preciso ter cuidado ao contratar o seguro. Segundo ele, há várias empresas que oferecem um serviço pirata por um preço bem mais barato, o que acaba atraindo o consumidor. “Enquanto a seguradora oferece apólice de R$ 3 mil ao consumidor, as irregulares oferecem pela metade do preço”, conta. “Lamentavelmente, isso ocorre no mercado. Há muitas associações de proteção automotiva que não são confiáveis. É preciso que a instituição tenha registro e permissão do Ministério da Fazenda. Existe um mercado que é regulado”, completa.

Na prática, as empresas irregulares oferecem um valor simbólico a ser pago pelo beneficiário. Caso haja algum sinistro, a associação vai ratear entre todos os associados o valor necessário para cobrir o dano. “Isso não é legal, do ponto de vista empresarial. A operadora de seguro precisa ter reservas financeiras e um preço préestabelecido para cada beneficiário que dê conta de pagar os serviços necessários”, alega o presidente da Sincor-DF.

 

Proteção

Na opinião de especialistas, o consumidor em geral ainda não entendeu a necessidade de um seguro. O automotivo, que é o mais conhecido e difundido , está presente em apenas 30% dos veículos que circulam no país, segundo estimativas da gerente executiva de seguro automotivo da Mapfre Nise Carmo. “Isso torna evidente o descaso do brasileiro com a proteção de seus bens e vida”, afirma.

Em outros ramos de mercado, o serviço é ainda menos presente. De acordo com especialistas, o seguro de vida e o de saúde não devem ser deixados de lado pelos brasileiros. Eles destacam que esses produtos deveriam ser prioridade no orçamento das famílias, porque tratam de preparação em casos de imprevistos sérios, não só de bens materiais.

Apesar disso, o Brasil não é conhecido por ter uma cultura de proteção por meio de seguros, seja por conta dos preços, seja pela falta de conhecimento. Estimativas do Banco do Brasil indicam que apenas 18% da população são amparadas com os serviços de apólices. De acordo com especialistas, essa “tradição” tem se alterado aos poucos, mostrando que o brasileiro está mais empenhado em priorizar a segurança no orçamento mensal, mas ainda está longe do preparo ideal.

Para atrair consumidores, o próprio o mercado de seguros aposta em várias linhas: incêndio, roubo de imóveis, quebra de smartphones e notebooks, saúde, acidentes pessoais, funerários, financeiros, viagens, materiais de trabalho e outros. A tendência é que as operadoras façam um produto cada vez mais personalizado e que se adeque à necessidade do cliente.

Conscientização

Para isso, entretanto, é preciso convencer as pessoas da eficácia do serviço. O movimento ainda é pequeno, mas os corretores percebem uma leve mudança de percepção. “A população de modo geral já está ficando consciente da necessidade. Eu creio que seja, principalmente, por conta da informação mais difundida”, analisa o especialista Marcos Melo.

O diretor-geral de Seguros Vida do Banco do Brasil, Enrique De La Torre, também percebe o movimento. “Mesmo com a resistente falta de preocupação em se preparar para imprevistos futuros, dá para constatar um aumento na conscientização das pessoas e criação de novas coberturas pelas empresas”, aponta.

O setor também vem desenvolvendo medidas para alertar os consumidores sobre a importância dos contratos. Nise Carmo, da Mapfre, diz que uma das ações é facilitar o acesso aos produtos por meio de plataformas digitais, principalmente smartphones, que são mais acessíveis. “Nós trazemos um pacote completo de serviços em que o segurado pode acessar os detalhes do contrato e solicitar serviços por meio de um aplicativo em seu celular”, exemplifica.

Apesar das iniciativas, Eduardo Coutinho, professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), explica que, normalmente, são os consumidores de renda mais alta que têm mais preocupação em fazer seguro. Ele destaca que, se a pessoa não pode abrir mão de outros itens de consumo, ela não vai contratar o produto. “É uma questão financeira. O consumidor de renda mais baixa, normalmente, não opta pelos seguros, já que, ao contratá-lo, se abre mão da renda em caráter permanente”, diz o professor, destacando que é necessário ter disciplina financeira para conseguir manter os pagamentos mensais.

"Um carro não pode ficar sem seguro, porque, hoje em dia, o roubo está muito intenso. Estão pegando chave do veículo da nossa mão, sem nenhum pudor. Esse é o meu maior medo”
Sueg Braga de Oliveira, costureira

 

 

* Estagiária sob supervisão de Rozane Oliveira 

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