Publicidade

Correio Braziliense

Com sobretaxa dos EUA, Meirelles defende comercialização do aço com UE

O ministro destacou, porém, que o governo brasileiro vai estudar e negociar com os americanos


postado em 08/03/2018 21:40

(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
 
Após sobretaxa do aço anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, defendeu, em Nova York, nos Estados Unidos, que o Brasil procure outros parceiros comerciais, como a União Europeia.  
 
“Agora, isso é, de qualquer maneira, mais um incentivo importante para o avanço das nossas negociações com a União Europeia”, alegou. “Isso mostra cada mais o brasil desenvolver cada vez mais parceiros comerciais. Não ficar dependente… apesar de que o Brasil não é dependente como o México e o Canadá do comércio americano. Mas, no caso do aço, tem uma certa importância. Então, a ideia é desenvolver cada vez mais reforçar o comércio com outras regiões do mundo”, completou.
 
O ministro destacou, porém, que o governo brasileiro vai estudar e negociar com os americanos. “O governo americano assinou isso para valer daqui a 15 dias, mas eles estão dizendo que estão abertos às negociações. É preciso saber que negociação é essa. O que eles estão querendo… Querem negociar o que? Isso daí será analisado do ponto de vista do que o Brasil tem a ganhar ou tem a perder”, avaliou. 
 
Apesar de ter defendido outras parcerias internacionais, Meirelles afirma que o governo estudará o que vai fazer e alegou que não há um prazo para tomada de decisão. “O anúncio acabou de ser feito”, declarou. 

México e Canadá

O ministro disse que o anúncio da sobretaxa não foi um anunciada especificamente para o Brasil, apesar de ele ser um dos mais prejudicados. Ele comentou a exclusão do aumento de tributação do Canadá e México. “(...) É óbvio, porque parece uma compensação pela questão do NAFTA, porque o presidente Trump quer renegociar o NAFTA, então está usando isso aí como uma barganha com o México e o Canadá”, afirmou. “Não acredito que tenha sido resultado de trabalho prévio, e etc, mas é mais uma questão mesmo de abertura de negociações do Nafta.
 
Meirelles enfatizou que a medida anunciada por Trump é protecionista. “Medida protecionista, em geral, diminui a produtividade global”, alegou, ressaltando, porém, que foi uma ação isolada dos EUA, o que não configura uma guerra comercial. 
“(O anúncio é) Bastante negativo, por exemplo, para a indústria americana, porque aumenta o custo. Beneficia a produção de aço, as empresas que produzem aço, e preserva os empregos, aparentemente, o grupo de trabalhadores das empresas que produzem aço”, disse. “Mas prejudica e custa emprego para empresas industriais que usam aço ou alumínio, e que diminuem sua competitividade internacional por ter um insumo mais caro”, acrescentou. 
 
O presidente norte-americano, Donald Trump, se reuniu, nesta quinta-feira (8/3), com representantes americanos das indústrias de aço e alumínio. Trump optou por sobretaxar as importações de aço, 25%, e alumínio, 10%. As únicas isenções foram Canadá e México, condicionados à revisão do acordo do NAFTA, bloco econômico que envolve os três países. Trump alegou que a medida protegerá as indústrias americanas e serve como segurança nacional para a economia. "Queremos ser justos e que nossos trabalhadores sejam protegidos. Caso vocês queiram fugir das tarifas tragam suas empresas para cá, nenhum produto americano será sobretaxado", afirmou Trump.  

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade