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Correio Braziliense

Hackers dão prejuízo de US$ 600 bilhões à economia global

Dano à economia global em 2017 é divulgado em encontro sobre cibersegurança. Nesse jogo, invasores conseguem ficar até 99 dias infiltrados nos sistemas


postado em 08/04/2018 07:14

O Mind The Sec Summit 2018 reuniu especialistas e gestores de riscos em Brasília(foto: Facebook/Reprodução)
O Mind The Sec Summit 2018 reuniu especialistas e gestores de riscos em Brasília (foto: Facebook/Reprodução)


Os ataques cibernéticos aos governos e à sociedade ocorridos nas duas últimas semanas, que afetaram pelo menos quatro gasodutos e órgãos de serviços públicos nos Estados Unidos, causam preocupação. Dados de diversas empresas de segurança cibernética, apresentados pelo engenheiro de soluções tecnológicas da Lanlink, Paulo Meireles, no evento Mind The Sec Summit 2018, edição Brasília, mostram que, em 2017, os prejuízos causados pelos hackers somaram US$ 600 bilhões para a economia global.

Quando se trata do Brasil, o clima e a sensação de falta de segurança são piores, quando colocados no atual cenário de proximidade das eleições. Segundo o diretor Nacional de Tecnologia da Microsoft, Ronan Damasco, o risco é de conhecimento das empresas e dos governos. Ele afirma que os ataques não devem diminuir ou aumentar, e lembra que eles ocorrem constantemente. “Agora, o assunto da vez não é político. Mas, quando as eleições chegarem, ele será”, avisa.

Para o analista do Banco Central do Brasil Rafael Sarres, que trabalha na área de tecnologia da informação, o Brasil contém excelentes hackers que trabalham nesses sistemas de defesa. “A defesa cibernética do Brasil é bem robusta, o que não exclui a possibilidade de ataques. Se fizer o trabalho certo, a proteção é maior”, afirma.

Sarres lembra que ocorreram no Brasil ataques de cunho político a bancos brasileiros. Porém, ele informa que, geralmente, o objetivo não é roubar dinheiro, mas prejudicar a imagem das instituições ou causar incômodo aos clientes. “No Banco Central, estamos trabalhando para ampliar nossa tecnologia nesse sentido”, diz.

Alvo preferido
O engenheiro de soluções tecnológicas da Lanlink, Paulo Meireles, explicou que o Brasil é um dos alvos preferidos para os ataques pears phishing, por meio de “e-mails fajutos” e mensagens de SMS devido à facilidade. “Somos alvos fortes. Os ataques cibernéticos visam dinheiro e é muito fácil para as pessoas caírem nesses específicos”, afirma. Segundo ele, o risco de realizar um ataque desses é baixo, uma vez que o hacker normalmente está em outro país e não tem conexão direta com a vítima.

Outro ponto destacado por Meireles é o baixo custo de um ataque. “Em uma leva de 100 mil mensagens de SMS, um grupo de 10 mensagens deve custar menos de um centavo”, estimou. Ele esclareceu que os hackers costumam conseguir se manter um passo à frente porque a tecnologia que eles usam para atacar é a mesma para defender ou recuperar o servidor. “É um jogo de gato e rato e, por isso, é importante ter uma análise de comportamento”, completa.

O preço médio de uma violação virtual para uma empresa é de US$ 5 milhões. Segundo os dados da Microsoft, a partir do momento em que um hacker invade um sistema, em 48 horas ele  consegue se tornar administrador do servidor e tem 97 dias para colher tudo o que quer e sair sem deixar vestígios, ou seja, ele consegue passar 99 dias infiltrado no servidor sem ser detectado.

O estudo By the Numbers: Global Cyber Risk Perception Survey” (Pelos números: Pesquisa da Percepção de Riscos Cibernéticos Globais), elaborado pela Marsh e pela Microsoft Corp. concluiu que dois terços dos entrevistados — mais de 1.300 executivos de todo o mundo — apontaram a cibersegurança como uma das cinco prioridades de gestão de riscos das suas organizações, o dobro em comparação ao resultado de 2016.

* Estagiários sob supervisão de Paulo Silva Pinto

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