Publicidade

Correio Braziliense

Clubes de Assinatura movimentam 1 bilhão por ano no Brasil

Número de empresas quase triplica em 4 anos. Livros dominam as vendas, mas há artigos para todos os gostos e idades


postado em 09/04/2018 06:00

Segundo Rodolfo Reis, número alto de assinantes permite que o Clube Leiturinha entregue livros exclusivos(foto: Divulgação)
Segundo Rodolfo Reis, número alto de assinantes permite que o Clube Leiturinha entregue livros exclusivos (foto: Divulgação)

São Paulo — Receber uma caixa cheia de produtos selecionados mensalmente em casa não parece má ideia. É com esse apelo que os chamados Clubes de Assinatura estão se multiplicando, ganhando mercado e movimentando R$ 1 bilhão por ano no Brasil. O modelo de negócio não é novo, sendo similar ao tradicional sistema de venda de assinaturas de jornais e revistas. A diferença é a gama de produtos oferecida.

As ofertas vão de livros a itens de higiene e beleza, de produtos para animais de estimação a cervejas especiais e vinhos. Dados da Abcom, associação que reúne as empresas de comércio eletrônico, mostram que mais de 800 empresas estão ativas nesse mercado. Em 2014, eram 300 empresas. O crescimento comprova que o negócio é promissor. Nos Estados Unidos, os clubes já faturam US$ 10 bilhões por ano.

O Tag Livros é um dos exemplos brasileiros de sucesso. Criado em julho de 2014, o clube já reuniu 24 mil clientes. Pagando mensalidade de R$ 60, o usuário recebe um livro por mês em sua casa. A curadoria das obras é feita por autor de renome. No mês passado, por exemplo, a escolha do livro foi feita pelo escritor gaúcho Luis Fernando Veríssimo. Vargas Llosa, Drauzio Varella e vários outros nomes da literatura brasileira e internacional já participaram da seleção de títulos para o clube.

“A gente surpreende o assinante levando até a casa dele um título ou um autor que talvez ele nunca tenha pensado em ler. Nós, por exemplo, vamos no caminho oposto da leitura de dados da Amazon (que sugere títulos de acordo com as compras já feitas pelo consumidor)”, diz Arthur Dambros, jovem de 26 anos que, ao lado de dois colegas de faculdade, Gustavo Lembert e Tomás Susin, montou a Tag Livros.

Dambros é apaixonado por leitura desde criança. O hábito foi intensificado com a abertura da empresa e ele chega a ler 25 livros por ano. Os curadores dos títulos não são remunerados, mas convidados a indicar seus livros preferidos. “Indicar um livro é algo que quem gosta de ler adora fazer. É pelo amor à literatura”, diz Dambros.

O crescimento da Tag Livros foi tão surpreendente que o trio de amigos lançou em fevereiro um perfil de assinatura, chamado Tag Inéditos, e no qual a proposta é levar aos leitores best-sellers que ainda não chegaram ao mercado nacional. Nesste caso, os títulos são de leitura mais fácil do que o modelo da Tag Livros.

Há também o Clube Leiturinha, versão do Tag Livro para crianças. Por cerca de R$ 60 ao mês, dependendo do tipo de assinatura, as crianças recebem em casa livros de acordo com a faixa etária. Pioneiro no atendimento a crianças, o Leiturinha, fundado em 2014, tem hoje cerca de 100 mil assinaturas. “Como nosso número de assinantes é muito alto, conseguimos comprar uma edição inteira, o que nos possibilita entregar livros exclusivos aos assinantes do Clube Leiturinha”, diz Rodolfo Reis, um dos fundadores e diretor da empresa.


Cards mágicos 

Clubes de Assinatura estão se tornando uma febre para crianças. A Play Kids oferece, também por R$ 60 mensais, a remessa de kits de atividades educacionais. “O cliente recebe um livro personalizado com o avatar e o nome da criança, que propõem atividades tanto para serem feitas no livro quanto no aplicativo on-line que temos”, afirma Breno Masi, diretor da Play Kids, que contabiliza 20 mil assinaturas. Neste caso, o uso da tecnologia é uma forma de conquistar as crianças. O kit leva também cards mágicos que, com o uso do celular, proporcionam uma experiência de realidade aumentada aos assinantes.

O mercado não é formado apenas por livros. A Horganópolis entrega em casa cestas de produtos orgânicos certificados, mas o serviço está restrito ao Rio de Janeiro e a São Paulo. “Este é um projeto sustentável com objetivo de melhorar a vida das pessoas. Além disso, resgatamos o prazer de cozinhar”, afirma Roberta Salvador, nutricionista e social-fundadora da Horganópolis.

Curadoria é o segredo

Os Clubes de Assinatura existem há muito tempo, desde que os vendedores de revistinhas passavam de casa em casa oferecendo o produto. Com a popularização da internet, eles viralizaram como um produto dos sites de comércio eletrônico. A facilidade para escolher e programar a compra on-line e receber o produto em casa — e uma espécie de curadoria oferecida pelas empresas — é o principal atrativo desse serviço.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade