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Correio Braziliense

Marfrig Global Foods anuncia aquisição de 51% da National Beef

O negócio foi fechado por US$ 969 milhões


postado em 10/04/2018 06:00 / atualizado em 10/04/2018 07:27

(foto: Paulo Whitaker/Reuters - 13/10/11)
(foto: Paulo Whitaker/Reuters - 13/10/11)
 


São Paulo — A Marfrig Global Foods deu um passo importante para se consolidar no mercado internacional. A empresa brasileira anunciou ontem a aquisição de 51% de participação na National Beef, a quarta maior empresa de carne bovina dos Estados Unidos e dona de 10% de participação nas vendas naquele mercado. O negócio foi fechado por US$ 969 milhões.

“Com a compra, a companhia deve assumir o posto de segunda maior processadora de carne bovina do mundo, com uma plataforma global de produção e um faturamento consolidado de  R$ 43 bilhões”, informou a Marfrig em comunicado. Na bolsa de valores paulista, a notícia foi bem recebida. Tanto que as ações dispararam e chegaram a uma valorização de 17% durante o dia.

A Marfrig Global Foods divide-se em duas operações. A Beef concentra as operações do Brasil e América do Sul (e gerou, em 2017, 52% da receita), enquanto a Keystone, comprada em 2010, tem sede nos Estados Unidos e responde por 48% das vendas.

A MMS Participações (de Marcos Molina, presidente do conselho de administração, e Márcia Pascoal Marçal dos Santos) detém 35% das ações da Marfrig Global Foods. O BNDESPar é dono de 33,74%, enquanto que a Brandes Invest Partners tem 10,01% dos papéis. Os outros 21,24% estão pulverizados no mercado.

A aquisição não estava no radar de analistas das instituições financeiras, já que se imaginava que a Marfrig estivesse focada apenas na venda da Keystone, que tem contado com a ajuda do JP Morgan.

Segundo relatório do BTG Pactual, o negócio entre a Marfrig e a National Beef surpreendeu o mercado e agora o plano para vender a Keystone passa a ser oficial. À primeira vista, segundo a instituição financeira, o acordo é uma surpresa, especialmente considerando o fato de a Marfrig estar em um momento de redução de dívidas.

Para o BTG Pactual, a compra da National Beef, que faturou no ano passado US$ 7,3 bilhões, “faz parte do seu plano estratégico, que também inclui a decisão de vender a Keystone Alimentos”. A novidade, diz o banco, “é que a Marfrig está falando abertamente sobre a venda integral da Keystone”, o que teria um efeito importante na relação dívida líquida/Ebitda.

De acordo com a direção da Marfrig, com a aquisição da National Beef e a planejada venda da Keystone Food, a previsão é de que a alavancagem caia para 2,5 vezes até o fim de 2018. Os resultados da companhia americana serão consolidados pela Marfrig, reduzindo o nível de endividamento do grupo brasileiro para 3,35 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (o chamado Ebitda), ante 4,55 vezes no fim do ano passado. A transação será 100% financiada por um empréstimo do banco Rabobank.

O comunicado divulgado pelo grupo brasileiro reforçou a preocupação com a preservação financeira da companhia. “Com a transação, teremos operações nos dois maiores mercados de carne bovina do mundo, chegaremos a países consumidores extremamente sofisticados e conseguimos crescer mantendo uma rigorosa disciplina financeira”, informou o presidente executivo da Marfrig, Martín Secco.

Expansão 

Em 2017, a Marfrig apresentou um Ebitda ajustado de R$ 1,7 bilhão. Com a National Beef, o Ebitda passa a ser de R$ 3,4 bilhões. “A compra da National Beef reflete nossa estratégia de crescimento sustentável”, disse Marcos Molina, presidente do conselho de administração da Marfrig Global Foods, por meio de nota. “A partir de agora, nos transformamos na empresa brasileira do setor com a melhor saúde financeira, traduzida nos menores índices de alavancagem.”

A National Beef é controlada desde 2011 pela holding de investimento americana Leucadia National Corportation, dona de 79% do capital. Ela vai transferir o controle acionário para a Marfrig e permanecerá como acionista minoritária da empresa, com 31% do capital total. Já a US Premium Beef, associação de produtores norte-americanos, ficará com 15% e outros acionistas com os 3% restantes. A expectativa é concluir a aquisição até o fim do primeiro semestre deste ano.

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