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Correio Braziliense

Quatro maiores bancos detêm 78,5% do mercado de crédito brasileiro

Essas quatro instituições concentram 72,69% dos ativos e 76,35% dos depósitos


postado em 17/04/2018 11:41 / atualizado em 17/04/2018 12:05

A série histórica informada pelo Banco Central, iniciada em dezembro de 2007, mostra que desde a crise financeira global, que estourou em 2008, os níveis de concentração nos quatro maiores bancos vêm aumentando(foto: Antônio Cunha/Esp. CB/D.A Press)
A série histórica informada pelo Banco Central, iniciada em dezembro de 2007, mostra que desde a crise financeira global, que estourou em 2008, os níveis de concentração nos quatro maiores bancos vêm aumentando (foto: Antônio Cunha/Esp. CB/D.A Press)


Os quatro maiores bancos (Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú) detinham, ao término de 2017, 78,5% do mercado de crédito brasileiro. As instituições também foram beneficiadas com 76,3% dos depósitos bancários. Os percentuais demonstraram uma estabilidade em relação ao primeiro semestre do ano passado. 
 
Os dados fazem parte do Relatório de Estabilidade Financeira (REF), que foi divulgado na manhã desta terça-feira (17/4) pelo Banco Central. Em 2007, as quatro empresas citadas possuíam 54,6% das operações de crédito e 59,34% do depósitos. 
 
De acordo com o relatório, o lucro dos maiores bancos voltaram a crescer em 2017, após ter recuado quase 20% no ano anterior. A quatro maiores instituições apresentaram ganhos de R$ 57,63 bilhões, frente os R$ 50,29 bilhões em 2016, o que representa uma alta de 14%. 
A atual gestão do Banco Central defende que é preciso fomentar a competitividade entre as instituições do mercado financeiro. A diretoria da autoridade monetária defende que, com a maior oferta de crédito, os juros tendem a cair. 
 
Mesmo diminuindo a Selic para 6,25% ao ano, o BC não vê uma queda como o esperado das taxas, o que pode ser resultado da concentração de mercado. Durante divulgação do Relatório Trimestral de Inflação, o presidente da autarquia, Ilan Goldfajn, disse que o ritmo de queda dos juros não está adequado. “Queremos que a redução seja mais rápida”, apontou. Ele defendeu que o Banco Central está empenhado para a redução do custo. 
 
O diretor de Fiscalização do BC, Paulo Souza, afirmou, durante coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira (17/4), que a autoridade monetária vai voltar a divulgar o Relatório de Economia Bancária em maio deste ano. Segundo ele, ele vai tornar mais “clara” a discussão sobre concorrência e concentração do setor financeiro. “É um tema que, em maio, haverá um maior detalhamento para maior discussão e debate”, afirmou. 

Melhora econômica

O relatório mostrou também que, em 2017, houve a retomada do crescimento econômico, redução da taxa básica de juros (Selic) e da inflação. Além disso, houve melhora no nível de emprego. “Esses fatores colaboraram, por um lado, para melhora dos indicadores de crédito e aumento da rentabilidade, e, por outro, para maior apetite ao risco por parte das instituições financeiras”, destacou o texto.
 
De acordo com o relatório, o ambiente econômico “propiciou” avanço no crédito bancário às famílias por conta da redução do risco e recuperação nas concessões de financiamentos novos. A taxa média de juros cobrada nas operações para pessoas físicas caiu 10,1 pontos percentuais, possibilitando o maior acesso às famílias.
 
Isso possibilitou crescimento do financiamento de veículos, após quatro anos de declínio. “O refinanciamento de carteiras favoreceu o aumento do empréstimo consignado, e a retomada do consumo deu impulso às vendas no cartão de crédito na modalidade compras à vistas”, reforçou o relatório. 
 
O Banco Central destacou, porém, que o houve recuo no volume de crédito imobiliário, principalmente, “aos efeitos da política de concessão mais conservadora adotada a partir de 2015, quando os bancos passaram a praticar loan-to-value (LTVs) significativamente abaixo do limite máximo permitido pela regulação. O efeito disso passou a ser percebido no segundo semestre de 2017. 
 
O Banco Central também afirmou que, em 2018, o mercado mantém a confiança na capacidade de o sistema financeiro absorver choques, “mesmo diante das incertezas no cenário político, na agenda de reformas fiscais e no cenário internacional”. 

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