Publicidade

Correio Braziliense

Dólar dispara e assusta turistas que têm viagem marcada para o exterior

Receio de alta de juros nos EUA e incertezas políticas e econômicas no Brasil elevam cotação da moeda frente ao real. Em Brasília, divisa não é encontrada por menos de R$ 3,72 nas casas de câmbio


postado em 26/04/2018 06:00

Com viagem para o Caribe marcada para novembro, o auditor Andrew Melo espera que, até lá, a cotação recue (foto: Hamilton Ferrari/CB/D.A Press )
Com viagem para o Caribe marcada para novembro, o auditor Andrew Melo espera que, até lá, a cotação recue (foto: Hamilton Ferrari/CB/D.A Press )


Nos últimos dias, casas de câmbio de Brasília chegaram a vender o dólar a R$ 3,77 e o euro a R$ 4,60 a turistas. Ontem, o Correio foi a três estabelecimentos na região central do Plano Piloto e os menores valores encontrados foram de R$ 3,72 e R$ 4,54, respectivamente. Em algumas regiões do país, só foi possível encontrar a moeda americana por R$ 3,91 e o euro por R$ 4,78. Pessoas com viagem marcada para o exterior afirmam que vão aguardar as próximas cotações para comprar divisas.

A alta do dólar, que acabou puxando também o euro, ocorreu por conta do receio de que a inflação suba nos Estados Unidos em função da recuperação da economia e da alta dos preços de commodities, como o petróleo. Com inflação maior, o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos EUA, deve intensificar o ritmo de alta dos juros, o que atrairia investidores para o mercado norte-americano. Nesse processo, a procura por dólar se intensifica.

Além disso, a desvalorização do real diante dessas moedas também é influenciada pelas incertezas econômicas e políticas no Brasil. O governo não conseguiu aprovar reformas como a da Previdência, prejudicando investimentos no país. E a incerteza sobre as próximas eleições também provocam oscilações nos mercados.

Ontem, o dólar comercial ultrapassou R$ 3,50 durante o dia, mas fechou em R$ 3,486, com valorização de 0,49%. Foi a quinta alta consecutiva, levando a moeda norte-americana para o maior nível desde junho de 2016. Para os turistas, a divisa subiu 0,28%, chegando a R$ 3,62, em média.

A secretária Marina Lúcia, 29 anos, vai à Argentina em setembro. “Eu pensei que, com a prisão do (ex-presidente Luiz Inácio) Lula, a tendência era de que o dólar baixasse, mas isso não está ocorrendo”, afirmou. O mercado ainda acompanha o desenrolar dos processos que estão na alçada do juiz federal Sérgio Moro. Com a possibilidade de revogação da prisão, investidores receiam uma possível candidatura do petista. (confira matéria na página 2). “Devo esperar o desenrolar disso e, em junho ou julho, farei as compras (da moeda)”, completou Marina Lúcia.

Guilherme Macedo, professor de economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, explicou que, para quem vai viajar, o ideal é comprar a moeda aos poucos. “Assim, a pessoa não paga nem um valor muito alto nem muito baixo. Faz uma média desses pagamentos. O dólar é uma das variáveis que mais se movimenta. Qualquer novidade negativa ou positiva no cenário doméstico ou internacional tem impacto no preço”, destacou.

“Tenho uma viagem em novembro para o Caribe e vou comprar dólar só quando estiver mais perto da partida”, disse o auditor Andrew Melo, 22 anos. “Espero que esteja mais barato, embora se diga que pode haver aumento por conta da inflação dos Estados Unidos.”

Sidnei Nehme, da NGO Corretora, afirmou que a cotação do dólar estava muito deprimida. “Sempre enfatizamos a magnitude do risco político , seja pelo baixo apoio do Congresso as propostas de governo, seja pelo acirramento da sucessão presidencial”, disse. De acordo com o Boletim Focus, do Banco Central, o mercado espera que a moeda americana fique em R$ 3,33 no fim de 2018.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade