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Correio Braziliense

Bancos cortam taxas de financiamento de imóveis para conquistar mercado

Movimento deve acelerar ritmo da construção civil e investir em imóveis volta a ser bom negócio


postado em 22/05/2018 06:00 / atualizado em 22/05/2018 11:02

Momento é favorável para quem constroi e para quem quer comprar ou vender casas e apartamentos(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 1/3/18 )
Momento é favorável para quem constroi e para quem quer comprar ou vender casas e apartamentos (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 1/3/18 )


Os investidores do setor imobiliário devem ficar atentos às oportunidades que surgem com as reduções de juros promovidas por vários bancos como estratégia para expansão no mercado. Ontem, o Itaú Unibanco anunciou um novo corte nas taxas de financiamento da casa própria. Para imóveis que se enquadram no Sistema de Financiamento de Habitação (SFH), os juros passaram para 8,8% ao ano mais a Taxa Referencial (TR). No Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), recuaram para 9,3%.

O Itaú é mais um dos bancos que divulgaram a diminuição da taxa de juros imobiliários no primeiro semestre de 2018. Na Caixa, o primeiro recuo ocorreu em 16 de abril, após mais de ano sem alterações. A instituição diminuiu a taxa mínima do SFH, de 10,25% para 9% ao ano. Já no Banco do Brasil (BB), os juros do SFH foram reduzidos, de 9,24% para 8,99%, em 24 de abril. No Bradesco, a taxa para SFH sofreu alteração, de 9,3% para 8,85% ao ano, enquanto para SFI foi de 9,7% para 9,3%.

De acordo com a diretora do Itaú Unibanco, Cristiane Magalhães, a redução serve como estratégia para a retomada do mercado imobiliário. “Com o aumento da confiança dos consumidores, estamos percebendo uma retomada, o que é uma ótima notícia para o setor e para o país. Essa nova redução de taxas certamente contribuirá para acelerar esse movimento”, afirmou. “Viabilizar a aquisição da casa própria é uma forma excelente de estabelecer relacionamentos de longo prazo com os correntistas e com quem deseja se tornar cliente”, completou.

No Santander, o corte de taxas também faz parte da estratégia da instituição para ampliar a participação no segmento de crédito imobiliário. “Cabe ao banco ter um papel fomentador, com o estímulo à competição no mercado financeiro”, afirmou Sérgio Rial, presidente do Santander Brasil.

Cristóvão Pinto de Azeredo, gerente executivo da diretoria de empréstimos, financiamentos e crédito imobiliário do BB, explicou que a instituição acompanha o movimento do mercado. “De forma geral, tem a redução da Selic pelo Banco Central, mas observamos o movimento da concorrência. Como as taxas estão bastante competitivas, reduzimos a nossa”, argumentou.

Na visão de Azeredo, neste momento, o movimento dos bancos sugere uma oportunidade para quem quer investir em imóveis. “Eu diria que, pelo ajuste das condições, é natural que isso incentive o setor, além da própria conjuntura econômica, como a questão da renda do brasileiro. Os bancos estão alinhados”, afirmou.

Segundo o presidente da Câmara Brasileira de Indústria da Construção, José Carlos Martins, a diminuição das taxas de juros imobiliários é um movimento saudável e positivo. “Estava na hora de acontecer essa redução, já que a taxa básica de juros (Selic) diminuiu”, afirmou. “Isso é muito bom para quem está pensando em comprar a casa própria. Em vez de comprar um imóvel com o preço de R$ 100 mil, com os juros mais baixos, é possível investir numa residência de maior valor, por exemplo”, explicou.

Lançamentos


Thiago Nigro, educador financeiro, destacou que, com a redução de juros, as construtoras também aceleram o ritmo de produção e lançamentos. “É uma resposta natural: taxa mais baixa, mais barato para o cliente, mais gente comprando e mais gente vendendo”, argumentou. Segundo ele, a onda de redução vem, principalmente, devido à queda na taxa básica de juros, que ocorre há algum tempo.

“A taxa de financiamento envolve outros fatores e, por isso, demora um pouco mais a responder. Mas os bancos já sabiam que a queda ocorreria. Foi só uma questão de o primeiro deles dar a partida — no caso foi o Santander — e, em seguida, os outros responderam”, observou.

Para Nigro, o mercado tenderia a baixar ainda mais a taxa de financiamento, no entanto, com a alta do dólar, a continuidade do movimento pode ser interrompida. “Isso pressiona a inflação e poderíamos ter as taxas subindo novamente. É um momento favorável para todos: para quem constrói, que vai vender fácil, para o consumidor, que vai comprar barato, e para quem tem imóvel, que vai passar a um preço bom”, enumerou.

*Estagiárias sob supervisão de Simone Kafruni.

 

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