Jornal Correio Braziliense

Economia

Após críticas de caminhoneiros, Eunício volta a Brasília e convoca líderes

No encontro, deve ser discutido projeto sobre a desoneração da folha de pagamento, medida que pode pôr fim à greve do caminhoneiros

Pressionado pelo movimento dos caminhoneiros, o presidente do Senado Federal, Eunício Oliveira (MDB-CE), voltou a Brasília e convocou uma reunião de líderes para às 19h, na qual deve ser discutido o projeto de desoneração da folha de pagamento, medida que pode pôr fim aos bloqueios nas estradas. O emedebista havia causado perplexidade ao manter na agenda a viagem, para participar de uma homenagem à Polícia Militar de seu estado.

A ideia de Eunício era permanecer no Ceará durante todo o dia, o que provocou a revolta do presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, líder da greve. "Se o presidente do Senado tiver ido para o Ceará, é porque ele quer ver o circo pegar fogo", afirmou Lopes. "O meu sentimento é de revolta", acrescentou, dizendo que, se os poderes Executivo e Legislativo não dessem uma resposta satisfatória ainda na quinta-feira, "seria o caos no país".

[SAIBAMAIS]Na quarta-feira à noite, a Câmara dos Deputados aprovou projeto que reduz neste ano a desoneração da folha de pagamento para 28 setores da economia. Outros 28 grupos continuam com o benefício até o fim de 2020, quando a política se encerra. A proposta ; aprovada em votação simbólica, após acordo costurado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com partidos da base aliada e da oposição ; também prevê zerar, até o fim deste ano, o PIS-Cofins que incide sobre o óleo diesel.

Após a aprovação na Câmara, a expectativa dos caminhoneiros era que o Senado aprovasse o texto nesta quinta-feira. Lopes, da Abcam, foi categórico ao dizer que a manifestação só seria interrompida após o governo zerar o PIS/Cofins sobre o valor do combustível e publicar a decisão no Diário Oficial da União (DOU), mas a viagem de Eunício atrasou o procedimento.

Defesa

O emedebista procurou se defender das críticas dos caminhoneiros. Declarou que suspendeu uma agenda com o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), onde anunciariam investimentos para combater a seca no estado.

As respostas ao comando de Eunício ainda são tímidas. O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), foi um dos poucos a se manifestar. "Não podemos nos omitir neste momento. Temos que votar projetos que diminuam impostos dos combustíveis e ajudar a resolver essa crise. Porque a incompetência deste governo virou ingovernabilidade", declarou, em rede social.