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Correio Braziliense

Peso do lucro dos bancos no spread bancário é de 14,04%

Mudança na metodologia do cálculo dos custos do crédito indica que inadimplência é o que mais pesa no spread


postado em 12/06/2018 15:10 / atualizado em 12/06/2018 15:18

Com nova metodologia de cálculo, Banco Central reduziu o peso do lucro dos bancos na formação do spread bancário(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
Com nova metodologia de cálculo, Banco Central reduziu o peso do lucro dos bancos na formação do spread bancário (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
 
Ao mudar a metodologia de cálculo do spread bancário (diferença ente o custo de captação e a taxa cobrada para o tomador de crédito), o Banco Central reduziu o peso do lucro dos bancos na conta dessa margem, que ficou em  14,04% em 2017. Esse dado faz parte do  Relatório de Economia Bancária (REB), divulgado hoje pela instituição. No último relatório, de 2015, o peso do lucro dos bancos era de 37,7%, tendo como base o ano de 2014. Esse no índice para o spread bancário do BC, o Indicador de Custo do Crédito (ICC), em 2016, que foi de 23%. 

Essa mudança gerou distorções na análise do spread, que é uma diferença exorbitante tanto em relação à taxa básica da economia (Selic) quanto em relação ao resto do mundo e que é considerada uma caixa preta para o consumidor comum. Essa redução do peso do lucro chega a ser contraditória, pois o lucro dos maiores bancos subiu quase 15% no ano passado em relação ao ano anterior, somando R$ 57,6 bilhões. 

Mas isso para a autoridade monetária não é relevante. Para o BC, a inadimplência é o componente que tem mais peso na definição do custo do crédito, respondendo por 38,3% do total do ICC no ano passado. Na sequência, as despesas administrativas, com 25,5% e os tributos e Fundo Garantidor de Crédito (FGC), com 22,1%. Ao apresentar esses dados, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Viana de Carvalho, minimizou a falta de dados comparativos em relação ao peso do lucro dos bancos e evitou criticar as diferenças astronômicas com os juros praticados no Brasil com o resto do mundo. Ele também evitou críticas ao mercado, que tem concentração elevada, em torno de 80%, e ainda afirmou que ela não é responsável pelo fato de os juros ainda serem muito elevados. Destacou que o BC vem se esforçando para reduzir o custo do crédito “de forma sustentável”.

“A mensagem aqui é que a inadimplência é o componente com maior peso no ICC e no custo do crédito”, resumiu o diretor do BC. Segundo ele, quanto maior for essa taxa, maior serão os juros necessários para cobrirem a perda com os calotes. Ao mesmo tempo, quanto maior o prazo das operações de crédito, menor a taxa de juros necessária para cobrir essa mesma perda.  "Mesmo a queda da Selic tem impacto pequeno na composição do spread bancário", justificou.  "O peso da inadimplência é elevado. Precisamos melhorar ambiente de recuperação de garantias, e a educação financeira cumpre o papel também. A agenda BC+ abrange várias delas", disse Viana.

O diretor ainda destacou que os custos administrativos são “relativamente altos”, apesar de todo o processo de informatização existente no setor e que, teoricamente, teria contribuído nos últimos anos para uma redução dessas despesas, uma vez que cada vez mais o cliente evita ir a uma agência bancária e resolve sua vida bancária digitalmente, pela internet. “Tem a ver com questões trabalhistas, de segurança e com uma série de questões, algumas delas, que não afetam apenas o setor financeiro", disse.  “Se a tecnologia está aí, a tendência é de uma tentativa de redução de custos ao longo do tempo”, acrescentou.
 

Inadimplência e endividamento caem 

De acordo com o estudo do BC, tanto a inadimplência quanto o endividamento das famílias diminuíram entre 2016 e 2017. “A trajetória da inadimplência do segmento de pessoas físicas, que atingiu 3,5% em dezembro de 2017, a menor taxa desde o início da série histórica”, informou o relatório. O diretor evitou comentar sobre a demora para que essa queda seja refletida na taxa de juros. O levantamento da instituição apontou ainda que entre as pessoas que possuem o cadastro único, quem recebe o Bolsa Família tem um índice de inadimplência superior aos demais que não recebem o benefício, praticamente o dobro.

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