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Correio Braziliense

"Mexer na taxa de juros nesse momento é suicídio", afirma especialista

Questionado se o Banco Central teria capacidade de proteger as empresas, o especialista do departamento de Economia da UnB afirma que sim


postado em 12/06/2018 18:03 / atualizado em 12/06/2018 19:31

(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)

 
Diante de uma projeção econômica instável, seria suicídio o Banco Central elevar a taxa de juros, segundo com o professor José Luis Oreiro, do departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB). "Você tem um arsenal enorme de instrumentos para reduzir a pressão especulativa sem mexer na taxa de juros. Mexer na taxa de juros nesse momento é suicídio", disse, em entrevista ao CB.Poder, parceria entre TV Brasília e Correio.

A afirmativa do especialista decorre da movimentação das empresas privadas, que pressionam o câmbio através da proteção contra a subida do dólar. "O que acontece hoje no mercado de câmbio, daí a pressão no câmbio, são empresas demandando red (proteção contra a subida do dólar)", explica.

Questionado se o Banco Central teria capacidade de proteger as empresas, o professor afirma que sim, é possível. "Pode. O swap é um contrato em que o BC troca a desvalorização do câmbio pelo pagamento de juros, então quando o câmbio se desvaloriza além do juros doméstico, o BC paga para o possuidor do contrato essa diferença", analisa.

Além disso, grande parte da instabilidade provém da relação política-econômica da corrida presidencial. "Acho que uma parte do mercado financeiro que, inicialmente de maneira desavergonhada e agora mais explícita, está adorando a ideia do Jair Bolsonaro ser presidente da república", reconhece.

Isso acontece, principalmente, por conta da especulação em torno nome que seria indicado ao Ministério da Fazenda, caso Bolsonaro vença o pleito, o ex-banqueiro Paulo Guedes. "Eles acham que Guedes poderá implementar uma agenda liberal e adotará aquilo que o mercado quer", ressalta.

Todavia, o próximo governo tem necessidade de pôr as contas públicas em dia, independente da direção política. "É fundamental, na campanha eleitoral, os candidatos falarem a verdade para a população. Inclusive, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Churchill, discursa no filme Darkest Hour o seguinte: 'Eu nada tenho a temer, senão ao meu trabalho, sangue, suor e lágrimas'", explica. "Os brasileiros têm que estar preparados para ouvir isso, o que nos espera é difícil", completa.

* Estagiária supervisionada por Anderson Costolli

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