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Correio Braziliense

Após fechamento de 300 empresas, setor químico defende mudanças

Indústria reúne frente parlamentar para aprimorar propostas que serão apresentadas aos presidenciáveis. Investimento em inovação e resolução de problemas com matéria-prima e energia estão entre as prioridades


postado em 13/06/2018 19:49

Marcos de Marchi, presidente do conselho diretor da Abiquim
Marcos de Marchi, presidente do conselho diretor da Abiquim

 

Uma crise de oferta de matéria-prima, aumento no custo de insumos como a energia e um marco regulatório defasado tiraram competitividade da indústria química nacional. Para debater os problemas setoriais e aprimorar propostas que serão apresentadas aos presidenciáveis em 27 de agosto, a Frente Parlamentar Química (FPQuímica) se reuniu nesta quarta-feira (13/06) com representantes da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) em Brasília. O objetivo, segundo o presidente da FPQuímica, deputado João Paulo Papa (PSDB/SP), é destacar os entraves do setor e apresentar soluções para estimular investimentos que permitam à indústria química voltar a crescer.

O presidente do conselho diretor da Abiquim, Marcos de Marchi, explicou que o setor é responsável por 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e, atualmente, é o oitavo maior do mundo, sendo que perdeu duas posições nos últimos 10 anos. “Nossa indústria opera com 25% a 30% de ociosidade. Precisamos de contratos de matéria-prima de longo prazo. No mundo, são de 15 a 20 anos, enquanto, no Brasil, são, em média, de três anos”, disse.

Segundo de Marchi, o faturamento do setor estacionou em US$ 120 bilhões anuais, sendo que, em 2011, chegou a US$ 150 bilhões. “Por isso perdemos posições. Antes, a média de investimentos era de US$ 4 bilhões anuais. Hoje está parada em US$ 1 bilhão. Além disso, mais de 300 empresas do setor fecharam suas portas”, disse. De tudo que o país consome em química, US$ 40 bilhões são importados. “Muita coisa fabricávamos aqui, mas as empresas fecharam”, lamentou.

Para evitar o desmonte setorial, representantes da indústria química desenvolveram um trabalho que vai contemplar 90 propostas para reduzir custos, melhorar os aspectos regulatórios e ampliar os investimentos. O documento aponta os desafios para a competitividade do setor químico no Brasil e as propostas para superá-los foram divididas em seis blocos: matéria-prima; energia; logística; inovação, comércio exterior e regulação.

O diretor da Braskem, Hardi Schuck, falou sobre o problema da matéria-prima. Segundo ele, o Brasil já produziu 70% da nafta utilizada, hoje produz apenas 20% e, em cinco anos, essa produção poderá ser zerada. “O país pode ficar 100% dependente de importação”, afirmou. O presidente executivo da Abiquim, Fernando Figueiredo, explicou que a oferta foi reduzida por uma decisão política da Petrobras, que reduziu o refino de nafta, e também porque o produto é cada vez mais usado na mistura de gasolina e álcool combustível.

Além de nafta, que é um tipo de derivado do petróleo, o setor usa etano e metano do gás natural. A quantidade mínima de metano é de 85% por metro cúbico de gás e, de etano, 12% é a quantidade máxima. Essas duas matérias-primas também estão ameaçadas, explicou Schuck, porque a Petrobras pretende mudar os parâmetros. Atualmente, a estatal vende gás com teores de etano abaixo de 6%. “A Petrobras quer tornar o gás mais diluído e vamos pagar mais caro por isso”, disse.

O custo de energia é outro desafio do setor. Conforme Frederico Marchiori, da Oxiteno, 46% do custo operacional do setor é com energia. E desse total, apenas 60% é de fato com a compra de energia, sendo 40% de encargos e tributos embutidos. “Isso é muito acima da média mundial”, alertou. Em estudo com 70 países, o Brasil, que já foi o primeiro colocado de forma positiva, ficou na segunda pior posição de efeito negativo de energia em relação a custos. “Houve aumento de 130% de 2003 a 2013”, justificou.

Para explicar os gargalos logísticos, Alexandre Castanho, da Ingevity, destacou a conhecida dependência rodoviária do Brasil. “Precisamos ampliar os modais ferroviário e hidroviário para que os custos de transporte não inviabilizem a nossa competitividade”, disse. Diretores das empresas do setor ainda abordaram questões com protecionismo no comércio exterior, investimento em inovação e mudanças regulatórias para que a indústria química volte a crescer.

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