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Correio Braziliense

Cartões de lojas resistem à crise econômica no Brasil

Com o ingresso de novas empresas e o avanço das fintechs, mercado supera queda do consumo e deve crescer 30% em 2018. Até 2022, movimentação chegará a R$ 300 bilhões


postado em 27/06/2018 06:00 / atualizado em 27/06/2018 07:17

(foto: Marcos Santos/USP Imagens)
(foto: Marcos Santos/USP Imagens)

São Paulo — O velho e bom cartão de loja, também chamado de private label, está passando por uma repaginada com a chegada das startups financeiras, conhecidas como fintechs. Apesar dos percalços na economia, a expectativa é fechar 2018 com crescimento de 30%. Segundo estimativas da Abecs, associação que reúne as empresas de cartões de crédito e serviços no país, a movimentação anual dos cartões de loja e de co-branded (de marcas) chegará perto de R$ 300 bilhões em 2022, ou mais do que o triplo de hoje em dia.

Para este ano, o setor conta também com a ajuda do Banco Central (BC), que deve aprovar o fim do parcelamento sem juros dos cartões com bandeira, medida defendida pelo mercado financeiro. Desde o início da crise, e com as restrições do crédito bancário, as empresas de private label aproveitaram para expandir suas operações com os cartões de lojas para as classes C e D, que deixaram de ser atendidas pelos bancos. No ano passado, por conta desse movimento, boa parte das empresas mais atuantes tiveram alta média de 26% em suas receitas nesse negócio, como é o caso da Sorocred, Tricard e DMCard.

Outras, como a Uze e a Bizz, que também atuavam nesse segmento há mais de 20 anos, aproveitaram o bom momento para vender parte de seus negócios. No início do mês, as duas comercializaram 65% de suas operações para a Trigg, que se tornou a primeira fintech a se aventurar no mercado de cartões de loja. “Queremos proporcionar ao varejo o acesso a novas tecnologias e tendências”, diz Marcela Miranda, fundadora da Trigg. “Há uma grande oportunidade de levar novos conceitos e nossa melhor experiência ao cliente.”

Segundo a executiva, a nova operação será a ponte para que varejistas (na sua maioria, comerciantes com histórias de empreendedorismo) possam melhorar os negócios. A ideia, diz Marcela, é atuar com o modelo de plataforma, combinando tecnologia e inteligência em finanças e marketing, aproveitando as informações dos clientes que estão armazenadas nos bancos de dados dos varejistas. “Vamos olhar para esses dados e melhorar os serviços prestados”, diz ela, lembrando que o maior trabalho será digitalizar e modernizar um modelo que tem mais de 20 anos.

As duas aquisições da Trigg representam a chegada de mais de 300 redes de supermercados, lojas de vestuário e postos de gasolina espalhados pelo país. A Uze tem forte atuação no Norte e Nordeste, enquanto a Biz foca no Sul e Sudeste. “Nosso desafio é fazer a diferença para esses clientes, utilizando as informações que eles têm e não usam, além de digitalizar os sistemas de pedido de cartões”, afirma a executiva. Com a incorporação das duas empresas, a Trigg ultrapassa a marca de 1 milhão de cartões emitidos e, até o final deste ano, a meta é alcançar vendas da ordem de R$ 1 bilhão.

Para Marcos Etchegoyen, CEO da Sorocred, uma das pioneiras no mercado de private label no Brasil, o desafio é focar nas plataformas digitais e criar algo útil e de fácil entendimento para o público. Para isso, a empresa, que tem sede em São José dos Campos, no interior de São Paulo, investiu em uma nova plataforma tecnológica que será lançada em breve. Atualmente, a empresa tem 5 milhões de cartões emitidos e dois milhões de estabelecimentos como clientes em todo o país.

O executivo da Sorocred considera positiva a entrada das fintechs no mercado de cartões de loja porque, segundo ele, as startups estão introduzindo modelos inovadores que vão impulsionar todo o setor. “Temos 30 anos de história e cabe a nós trazer para a companhia essas novas formas de negociar”, diz ele.


  • O mercado de private label no Brasil

    » R$ 293 bilhões é a previsão de faturamento em 2022, mais do que o triplo de hoje 

    » 3 bilhões de transações a partir de 2002

    » 30% de crescimento em 2018

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