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Correio Braziliense

Tesouro recomprou R$ 20,6 bi de títulos com leilões entre maio e junho

Balanço foi divulgado, nesta sexta-feira, 29/6, e esse valor, segundo o órgão, reduz o colchão de liquidez


postado em 29/06/2018 17:06 / atualizado em 29/06/2018 17:11

Em meio à forte volatilidade no mercado que afetou os papeis da dívida pública, o Tesouro Nacional suspendeu os leilões tradicionais e passou a realizar operações extraordinárias desde 28 de maio. Com isso, recomprou R$ 20,6 bilhões de títulos entre maio e junho, conforme relatório divulgado nesta sexta-feira (29/06). No mesmo período, a venda de títulos somou R$ 1,5 bilhão, totalizando um saldo negativo de R$ 19,1 bilhões que impactaram na redução do colchão de liquidez do governo – o volume de recursos no caixa da União para o pagamento de títulos a vencer – que foram sacados. De acordo com o coordenador-geral de operações da dívida pública, Luis Felipe Vital, o colchão de liquidez da União gira em torno de R$ 575 bilhões.

Na próxima semana, o Tesouro continuará realizando leilões extraordinários e suspendendo alguns dos leilões tradicionais, principalmente, dos títulos de longo prazo devido ao aumento do prêmio de risco exigido pelos investidores. Com isso, entre os dias 2 e 6 de julho, o órgão anunciou o cancelamento dos títulos pré-fixados NTN-F, que são os mais voláteis porque são de prazos mais longos e pagam juros semestralmente, e agendou leilões extraordinários de compra e venda de NTN-B (indexado à inflação) e NTN-F de prazos mais curtos. O leilão tradicional de LFT, indexado à taxa básica de juros (Selic), de quinta-feira (5/06) está mantido, mas o de LTN, pré-fixados, marcado para o mesmo dia, não está definido ainda.

O técnico explicou que a preferência para recompra dos títulos pelo Tesouro permanecerá por aqueles papeis de prazos mais curtos.  “Os nossos três objetivos com essas operações são: reduzir a volatilidade, dar referência de preço e retirar o risco do mercado”, disse Vital. Segundo ele, a continuidade desses leilões extraordinários nas semanas seguintes “dependerá da leitura que o Tesouro faz nas condições de mercado”. Ele contou que “a atuação do Tesouro vai depender das condições do mercado e pode aumentar ou diminuir a intensidade das atuações, mas não é possível fazer uma previsão mais longa”. “A gente consegue traçar uma estratégia para a próxima semana, mas é difícil ter uma estratégia para o mês inteiro. Portanto, a avaliação será feita a cada semana”, avisou.

O especialista ainda minimizou o risco de aumento de volatilidade nos próximos dias uma vez que há um volume grande de títulos que vencem em agosto: R$ 78 bilhões, a maior parte de NTN-B.  “A volatilidade do mercado está mais observada com o cenário externo do que com a maturação dos papeis”, disse.
 

Dívida maior


As informações de Vital foram dadas nesta sexta-feira durante a entrevista coletiva do relatório mensal da dívida pública. O estoque total cresceu 1,59%, para R$ 3,716 trilhões no mês passado, ou seja, um aumento de R$ 58,2 bilhões. O custo médio desse estoque que inclui a dívida interna e a externa cresceu entre abril e maio, passando de 9,9% para 10% ao ano. “Essa alta se deve exclusivamente à variação na dívida externa, que é reflexo do câmbio. Na dívida interna, registramos queda do custo médio do estoque e ele está em 9,6%, que é o menor valor desde o início da série histórica, de 2005”, afirmou Vital, acrescentando que foi a 20ª queda consecutiva dessa taxa.

O estoque da dívida externa avançou 6,62% entre abril e maio, para R$ 142,9 bilhões. Já a dívida interna cresceu 1,4%, para R$ 3,354 trilhões. O prazo médio do estoque total caiu de 4,28 anos para 4,21 anos.  

Um dado preocupante é o aumento expressivo da fatia de títulos de curto prazo, com vencimento em 12 meses no volume total, que passou de 18,3%, em abril, para 20,3%, em maio, ultrapassando o teto de 18% previsto no Plano Anual de Financiamento (PAF), que contém as metas de gestão da dívida pública para o ano. De acordo com o técnico, esse aumento é decorrente da entrada de um volume expressivo, de R$ 80 bilhões, de papeis com vencimento em maio de 2019. Ele, inclusive, descartou alteração no PAF no momento devido a esse salto do volume de papeis com vencimento daqui a 12 meses, porque a meta é para o ano e a tendência é de que esse percentual recue nos próximos meses. No entanto, ele disse que, “caso seja necessário, o órgão fará uma revisão formal”.

Tesouro Direto


O programa Tesouro Direto (TD), destinado ao pequeno investidor de títulos públicos, registrou o 10º resgate líquido consecutivo em maio uma vez que os resgates superaram as emissões em R$ 107,4 milhões. Esse movimento de saída é reflexo da volatilidade dos títulos públicos em meio às incertezas no mercado interno e externo.

O estoque de títulos do Tesouro Direto somou R$ 48,1 bilhões em maio, registrando aumento de 5,5% em relação ao mês anterior. Os títulos indexados à inflação representaram 61% do total desse estoque. Foram registrados 82 mil novos participantes em maio e o total de cadastrados somou 2,209 milhões, dos quais menos da metade (609 mil) são ativos.

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