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Correio Braziliense

Rota 2030 é anunciado e deve acelerar mercado de carros elétricos

Novo regime automotivo, além de prever incentivos fiscais em troca de investimentos em eficiência energética e em pesquisa, vai reduzir o IPI para modelos híbridos


postado em 06/07/2018 06:00 / atualizado em 06/07/2018 08:37

Carros elétricos, serão beneficiados pelo novo programa do governo(foto: Wang Zhao/AFP)
Carros elétricos, serão beneficiados pelo novo programa do governo (foto: Wang Zhao/AFP)


São Paulo — Depois de um ano de discussões e de vários adiamentos, o novo regime automotivo Rota 2030, foi anunciado ontem pelo Palácio do Planalto. O objetivo principal do pacote governamental é melhorar a situação do mercado nacional de motores a diesel, gasolina e álcool, abatido pela baixa atividade econômica dos últimos anos.

Voltado aos fabricantes que alcançarem metas de eficiência energética e investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento, o programa de incentivos fiscais também deverá trazer benefícios para um segmento que ainda tem dificuldades para avançar no país, o dos carros híbridos e os elétricos.

Por enquanto, a produção de elétricos no Brasil ainda é restrita a veículos de transporte e de carga de baixa velocidade e a projetos particulares de empresas. A grande maioria dos automóveis que trafegam nas cidades é de modelos híbridos, importados pelas montadoras com sede no país. Mas com o Rota 2030, passam a ser oferecidos incentivos específicos para a produção de veículos elétricos e híbridos, como a redução do IPI de 25% para 7%, mesma alíquota aplicada aos carros de mil cilindradas.

Para o presidente da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), Ricardo Guggisberg, a produção continuada e em escala maior de veículos da Tesla é um bom exemplo para os fabricantes brasileiros. “Isso (a produção em escala) mostra que é possível fabricar carros movidos à energia limpa, ter ganhos financeiros e ajudar o meio ambiente. Nossas montadoras podem fazer o mesmo”, diz o executivo da ABVE.

Mais modelos

Segundo Guggisberg, com o anúncio do Rota 2030, que reduz os impostos para os modelos elétricos e híbridos, entre outros benefícios, as fabricantes brasileiras poderão dar continuidade a seus planos de trazer para o país modelos que utilizam combustíveis limpos e, com o tempo, produzir localmente.

O presidente da ABVE lembra ainda que a chegada do Rota 2030 é emblemática para o setor, porque trará o primeiro modelo de regulação do mercado de veículos elétricos do Brasil. Apesar do incentivo com a redução dos impostos, o executivo ainda tem dúvidas quanto à resposta que será dada pela indústria automobilística brasileira para atender esse mercado de elétricos que está nascendo. “A partir dessa liberação e dos incentivos que constam do novo programa é possível que as empresas venham a montar linhas de produção de alta escala no Brasil”, acredita.

Na mesma semana em que o Brasil ensaia entrar no jogo dos carros híbridos, o ícone dessa indústria, o empresário Elon Musk conseguiu transformar a Tesla Motors, fabricante de automóveis elétricos, em uma “montadora de verdade”.

Tesla avança

No domingopassado, no fechamento da última semana de junho e do segundo trimestre, a produção atingiu 5.031 carros elétricos Modelo 3, superando uma meta que ele dizia ser crucial para a companhia americana gerar caixa e obter lucro. Fundador e diretor executivo da Tesla, Musk chegou a se mudar no último mês para um escritório dentro da fábrica, localizada na Califórnia, a fim de acompanhar de perto todo o esforço para atingir a meta e colocar a empresa em um novo patamar de produção. A marca também mostrou aos céticos que os carros elétricos podem chegar aos principais mercados consumidores do mundo.

Cerca de 20% da produção do Modelo 3 saíram de uma linha improvisada construída pela Tesla, no mês passado, debaixo de uma tenda gigante na fábrica da Califórnia.

Cumprida a primeira etapa, a meta agora é ainda mais ambiciosa, de 6 mil carros por semana até o final de agosto. Na noite do último domingo, o empresário fez questão de enviar uma mensagem por e-mail comemorando o feito e agradecendo aos funcionários e colaboradores que “mostraram ser possível atingir os objetivos firmados pela gerência, mesmo que sejam trabalhosos”.

Com o recorde, a produção total do segundo trimestre do ano totalizou 53.339 veículos, um aumento de 55% em relação aos três meses anteriores. Somente o Modelo 3, carro mais simples e mais barato, superou pela primeira vez a produção combinada dos outros modelos S e X, mais sofisticados, com 24.761 unidades.

Com lucro

“Nossa taxa de produção semanal do Modelo 3 mais do que dobrou durante o último trimestre, e fizemos isso sem comprometer a qualidade”, informa a montadora por meio denota. A Tesla diz ainda que os resultados reafirmam a orientação para um lucro líquido e fluxo de caixa positivos para os terceiro e quarto trimestres, apesar do dólar mais fraco e das tarifas possivelmente mais altas para os veículos exportados para a China, e componentes mais caros comprados no mercado chinês.

No cronograma da Tesla, as entregas internacionais de veículos com volante à esquerda começam ainda este ano, o que abre a possibilidade para os compradores brasileiros. O Modelo 3, com mais de 400 mil pedidos em espera, possui autonomia para pouco mais de 600 quilômetros, e custa a partir de US$ 35 mil no mercado americano. Questionada sobre os planos para o mercado brasileiro, a assessoria da fabricante americana informa que “não há nada a ser compartilhado sobre a presença da Tesla no Brasil”.

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