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Correio Braziliense

Startups ajudam inquilinos e proprietários na hora de alugar um imóvel

Aplicativos e serviços on-line voltados ao mercado imobiliário ampliam informações fornecidas a clientes e reduzem custos no processo de procura, compra e locação de imóveis


postado em 08/07/2018 08:00 / atualizado em 09/07/2018 21:31

Para Giallanza, o modelo das startups batem de frente com imobiliárias tradicionais:
Para Giallanza, o modelo das startups batem de frente com imobiliárias tradicionais: "É preciso se reinventa" (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Fugindo do modelo tradicional de negócios, startups têm ganhado espaço no mercado de locação e venda de imóveis. Usando a tecnologia, elas conseguem aumentar a quantidade e a qualidade das informações oferecidas aos clientes, simplificar o processo e reduzir burocracia e custos para quem procura alugar, comprar ou vender uma casa ou apartamento.

Para Hugo Giallanza, presidente da Associação das StartUps e Empreendedores Digitais do Brasil (Asteps), essas empresas são ferramentas eficientes para ajudar as pessoas a transpor dificuldades no processo de locação. Brasília oferece um cenário propício para o desenvolvimento das startups do ramo imobiliário. Cerca de 38 milhões de brasileiros moram de aluguel. E a capital é a cidade que tem o maior número de inquilinos no país: 23% das pessoas vivem em imoveis alugados, contra 18% da média nacional.

Desenvolvido por André Penha e Gabriel Braga em 2012, o site e aplicativo QuintoAndar promete facilitar a intermediação entre inquilinos e proprietários. Segundo João Gonçalves, diretor de Marketing e Expansão da empresa, um dos diferenciais fica por conta de um modelo que, mediante uma análise de crédito que avalia a capacidade de pagamento do candidato a inquilino, elimina a necessidade de apresentação de fiador, seguro fiança ou depósito caução. O contrato é de até 30 meses e pode ser rescindido sem pagamento de multa após o 12° mês.

Há vantagens também para o proprietário: mesmo que o inquilino caia em inadimplência, o dono do imóvel recebe o valor mensal do aluguel até o fim da ação de despejo — e a startup também cuida desse processo. Além disso, o dono recebe uma proteção contra possíveis danos ao imóvel. Há ainda uma vistoria no final do contrato para reparo de paredes e cobertura contra danos. “O QuintoAndar cresceu cinco vezes nos últimos cinco anos e cerca de 60 mil imóveis já passaram pela plataforma”, explica Gonçalves. Além do Distrito Federal, a empresa opera em São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia e Belo Horizonte.

O modelo de negócio também proporciona economia de tempo. Pelo site ou pelo aplicativo, o cliente consegue agendar o melhor horário para visitar o imóvel, por exemplo, e pode assinar o contrato por meio eletrônico, onde estiver. Para facilitar a decisão do cliente, o site  traz fotos detalhadas do imóvel, em 360º. “Dessa maneira, o cliente consegue ver o imóvel como ele realmente é, evitando visitas improdutivas”, explica Gonçalves.

Renda extra

Pessoas que vão viajar por um longo período também podem usar a plataforma para deixar o apartamento alugado, obtendo, assim, uma fonte de renda extra. Foi o que fez o executivo Paschoal Lourenço Paione, 74 anos, de São Paulo. “Soube da empresa há um ano e a contratei. É uma maneira moderna de trabalhar. Mesmo se o inquilino não pagar o aluguel, eles cobrem. Mandaram um fotógrafo profissional, com fotos realistas e colocaram no site deles. Todo mês o dinheiro cai na minha conta. Não tive problema algum”, diz.

Moradora do bairro do Recreio, no Rio de Janeiro, a executiva comercial Juliana Faria, 31 anos, gastava quatro horas todo dia para ir e voltar do trabalho. Por meio do aplicativo, ela conseguiu alugar, sem fiador, uma casa mais próxima do emprego. “Tinha dificuldade, porque minha família é de Minas e não tenho parentes na cidade. Hoje moro em Botafogo, na Zona Sul, e o processo de documentação foi ágil, em torno de 10 dias da análise do crédito até pegar a chave”, conta.

 

(foto: CB/D.A Press)
(foto: CB/D.A Press)
 

Precauções

O economista da Universidade de Brasília (UnB) Roberto Piscitelli afirma que as startups podem facilitar o processo de aluguel. No entanto, observa que nada é isento de riscos. “É preciso tomar precauções em relação à empresa que vai contratar, procurar antecedentes”, alerta.

Imobiliárias e instituições financeiras também se beneficiam dos aplicativos. Em São Paulo, a plataforma Infoprop, lançada em janeiro, oferece gratuitamente informações como data e preço transacionado de imóveis na cidade.

“É uma plataforma de preços transacionais, tanto para aluguel quanto para venda de apartamentos. Coletamos não o preço pedido, mas o valor fechado dos imóveis e repassamos os dados para clientes que precisam da informação final. Isso também ajuda os consumidores, pois a falta de informação torna o processo mais lento. As pessoas se sentem mais confortáveis para tomar decisões”, diz o presidente da empresa, Júlio Viana.

Em Brasília, outra plataforma gratuita, a UbiPlaces, que trabalha com a análise de dados e big data, também lançada em janeiro, auxilia quem procura por um imóvel com dados sobre preço médio dos apartamentos. O diferencial fica por conta das informações completas, com fotos e indicadores de ofertas de serviços no bairro, como custo de vida, tempo de deslocamento até o centro, linhas de ônibus, metrô, segurança, educação e até mesmo estado civil dos moradores da região. A atualização é diária e são 35 mil imóveis cadastrados.

Cofundador da UbiPlaces, Fábio Buiati conta que a startup nasceu de um projeto na UnB. “Oferecemos informações sobre a vizinhança para ajudar o cliente a decidir. Tudo vai depender do que ele procura. As pessoas alugam não apenas o imóvel, mas também o local em que ele está situado”, diz Fábio. “Se o cliente gosta de uma vida mais agitada, locais como Park Way e Lago Norte não são os mais indicados, pois não oferecem muitas opções de diversão. No site, ele consegue identificar opções na Asa Sul, Asa Norte ou Águas Claras, por exemplo.”

Para Hugo Giallanza, da Asteps, as startups chegaram para revolucionar o mercado. “Como a tecnologia chega a vários lugares, a barreira geográfica não existe. Com os celulares, os aplicativos permitem que as pessoas acessem as informações sem se deslocar pela cidade, no conforto de casa. Além disso, o cliente tem maior argumento na hora de negociar. Esse modelo bate de frente com as imobiliárias tradicionais. É um momento em que tudo o que é tradicional está morrendo ou tendo que se reinventar para não ficar para trás”, afirma.

 

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