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Correio Braziliense

Dívida pública cresce apesar de os resgates superarem as emissões em junho

Estoque total de títulos do Tesouro registrou aumento de 1,01% em junho, para R$ 3,574 trilhões, devido às correções de juros, câmbio e inflação


postado em 25/07/2018 12:08 / atualizado em 25/07/2018 18:22

O estoque da dívida pública federal, incluindo a interna e a externa, cresceu 1,01% em junho sobre maio totalizando R$ 3,754 trilhões, apesar de o governo ter registrado mais resgates do que emissões dos títulos soberanos. A emissão líquida no mês passado foi negativa de R$ 405 bilhões, conforme dados do Tesouro Nacional divulgados nesta quarta-feira (25/7). O órgão explicou que, graças ao câmbio, à inflação e aos juros, o aumento da dívida externa foi de 2,67% em relação ao mês anterior, para R$ 146,7 bilhões, e o da interna foi de 0,94%, para R$ 3,573 trilhões, na mesma base de comparação.

“O estoque cresceu. Teve um incremento líquido de R$ 37 bilhões em junho, em função principalmente dos juros apropriados, ou seja, a correção dos estoques. E essa apropriação foi bastante impactada pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) mais elevado e pela valorização do câmbio, de 3,18% em junho”, explicou Márcia Tapajós, coordenadora de operações da dívida do Tesouro. Ela negou qualquer dificuldade de o Tesouro em emitir novos títulos, mesmo com a dívida pública bruta explodindo, encostando em 80% do Produto Interno Bruto (PIB), perto do dobro da média dos países emergentes, de 49% do PIB.

“O Tesouro não está em um cenário de dificuldade para emitir títulos”, garantiu ela, justificando os leilões extraordinários de recompra realizado desde o fim de maio para tentar reduzir a volatilidade do mercado. Nesse período, de acordo com Márcia, o órgão recomprou R$ 20,6 bilhões de papeis e emitiu R$ 1,5 bilhão, entre os dias 28 de maio e 29 de junho. “Por conta disso, evitamos colocar papeis prefixados mais longos”, explicou ela, acrescentando que mesmo com essas atuações, o colchão de liquidez do Tesouro, de R$ 575 bilhões, ficou “praticamente estável”. “O mercado externo vem apresentando maior volatilidade e não posso menosprezar os efeitos de um ano eleitoral. Essa indefinição ainda de quais serão os reais candidatos trás muita incerteza e volatilidade e, em algum momento, esse repique nos juros. Nós auxiliamos um processo não de fixação de taxa, mas de auxiliar o mercado em precificação”, justificou Márcia.

A técnica informou que a partir de julho foi encerrado o período dos leilões extraordinários e ela anunciou a continuidade do calendário dos leilões programados, de forma gradual. “O mercado já alcançou um novo equilíbrio e não achamos que seja o caso de o Tesouro atuar”, disse ela. “Não existe previsão de novas atuações. Se houver necessidade, vamos atuar. Isso é um fato. Reduzimos o risco do mercado com as recompras e vamos retornar ao mercado de forma gradual”, acrescentou.

Menos estrangeiros e mais juros


Os fundos de investimento continuaram como os maiores detentores da dívida pública, com 26,53% do bolo em junho, percentual levemente abaixo de 26,93% de maio. Já os investidores estrangeiros continuam reduzindo levemente a participação, passando de 11,96% para 11,93%, entre maio e junho. Em dezembro de 2017, esse percentual era de 12,12%. Márcia tentou minimizar a queda no percentual de não residentes, acrescentando que os valores da dívida nas mãos desses investidores aumentaram, passando de R$ 427,3 bilhões para R$ 430,5 bilhões entre maio e junho.

O custo médio da dívida pública federal continua subindo e acima de dois dígitos. No acumulado em 12 meses, passou de 10,04% ao ano, em maio, para 10,3%, em junho.  A técnica reconheceu que as taxas estão elevadas e acima da Selic (taxa básica da economia), atualmente de 6,5% ao ano, devido às exigências dos investidores por prêmios maiores nos papeis mais longos, principalmente, devido à piora no cenário externo e interno.

Metas


O perfil de vencimento da dívida em 12 meses continua em 20% do total. Essa taxa está acima do teto de 18% previsto no Plano Anual de Financiamento (PAF). Márcia, entretanto, disse que a expectativa do órgão é trazer esse percentual para a meta do PAF até dezembro.

O prazo médio dos títulos voltou a cair, passando de 4,21 anos, em maio, para 4,14 anos, em junho, dentro do limite de 4,2 anos estipulado pelo PAF.

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