Economia

Plataforma reúne relatórios independentes de valores imobiliários

Veterano do Banco Garantia cria a primeira plataforma de pesquisa de valores mobiliários da América Latina, que reúne os relatórios produzidos por profissionais independentes

Natalia Viri
postado em 30/07/2018 06:06
Roberto Attuch, criador da InvestMind: São Paulo ; Roberto Attuch, um veterano do antigo Banco Garantia, com mais de 20 anos na área de pesquisa de ações em bancos estrangeiros, vai lançar a InvestMind, primeira plataforma de pesquisa de valores mobiliários da América Latina, espécie de Uber do mercado financeiro. Analistas de bancos e corretoras poderão se cadastrar na plataforma para oferecer relatórios e serviços de forma independente ; e ser remunerados pela qualidade do trabalho.

O analista escolhe o que vai cobrir e o cliente decide o que quer comprar por meio de planos personalizados e uma assinatura mensal. A InvestMind faz a curadoria, aprovando ou rejeitando os analistas interessados e monitorando a qualidade do conteúdo. Com mão de obra abundante ; os profissionais que deixaram os grandes bancos com o encolhimento das áreas de research (pesquisa) ;, a plataforma será lançada nas próximas semanas com cerca de 35 analistas na base, alguns deles com décadas de experiência e já ranqueados na Institutional Investor, uma espécie de Oscar voltado para esses profissionais.

Os planos são ambiciosos: a InvestMind quer chegar a toda América Latina até o fim de 2018 e à Europa e aos Estados Unidos já no próximo ano. ;Do ponto de vista do colaborador, queremos monetizar todo tipo de conteúdo que faça sentido para o mercado financeiro,; diz Attuch. ;Do ponto de vista do cliente, é a garantia de um conteúdo de qualidade e sem conflitos de interesse.;

Attuch começou a carreira no Garantia no começo dos anos 90 e assumiu a chefia da área de research depois que o banco foi incorporado pelo Credit Suisse (CS). Foi eleito, por sete anos, primeiro ou segundo melhor analista de bancos pela Institutional Investor. Ele deixou o CS em 2009 para estruturar a área de equity research do Barclays, onde ficou até 2014, pouco antes de a equipe ser desmontada no Brasil.

Diferentemente de casas de análise independentes, como Empiricus, Eleven, Suno e Levante, o foco inicial da InvestMind não são as pessoas físicas que estão começando a investir em bolsa, mas sim o exército de pequenas e médias gestoras de investimentos, que são negligenciadas pelos grandes bancos ; e que estão à míngua de informação desde que casas como Votorantim, BES e Fator fecharam suas áreas de análise. A InvestMind já está em negociação com cinco corretoras para oferecer seu conteúdo.

Produção de conteúdo

A remuneração dos analistas é definida por um algoritmo que pondera critérios como frequência de produção, audiência de cada relatório e notas de qualidade dadas pelos assinantes. Cerca de 50% da receita das assinaturas vão para os analistas, e o restante fica para a empresa.

Além de distribuir os relatórios, a InvestMind vai oferecer aos analistas toda a estrutura para a produção de conteúdo, incluindo séries históricas de dados (por meio de uma parceria com a Quantum), chat para que os analistas se comuniquem e um agregador de notícias para cada área de cobertura.

Attuch contratou o escritório Pinheiro Neto como assessor legal do projeto, e os analistas terão que declarar seus conflitos de interesse. Além do seu produto ;de prateleira;, no qual os analistas fazem recomendações de compra e venda de ações, renda fixa, fundos imobiliários ou outros ativos, a InvestMind também oferecerá um produto ainda raro no Brasil: a pesquisa feita sob medida.

Nessa modalidade, os analistas não precisam ter CNPI, o certificado que permite recomendar valores mobiliários. Poderão ser experts em qualquer área que agregue valor ao processo de decisão de investimento. ;Hoje, 80% do conhecimento que é gerado no mercado financeiro no Brasil provavelmente está num raio de 500 metros da Faria Lima, em São Paulo;, diz Attuch. ;É gente que estudou em lugares parecidos, almoça nos mesmos lugares, vai na mesma praia no fim de semana;, diz Attuch.

O mercado de research customizado está nadando de braçada na Europa desde que começaram a valer as regras do MiFid II, que determinam que as corretoras cobrem separadamente pela execução das ordens e pelo research, rompendo assim com o modelo histórico em que a corretagem financiava indiretamente os departamentos de pesquisa.

Na esteira da regra, mais de uma dúzia de empresas surgiram nos últimos anos, oferecendo curadoria à la Netflix dos melhores relatórios disponíveis. A RSRCH Exchange, que foi fundada por uma ex-broker de commodities da Goldman e da Merrill, já atende a mais de 1.000 gestoras e foi considerada uma das fintechs (startups da área financeira) mais promissoras da Europa pelo jornal britânico. Financial Times. ;O MiFid ainda não chegou aqui, mas é questão de tempo;, diz Attuch. ;E as mudanças de regras lá fora já estão fazendo todo mundo perceber o valor da diferenciação.;



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