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Correio Braziliense

Número de pessoas que utilizam ônibus no Brasil cai 9,5% em um ano

Dados são de pesquisa da Associação Nacional de Empresas de Transportes Urbanos


postado em 01/08/2018 17:14 / atualizado em 01/08/2018 19:05

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
 
O número de pessoas que utilizam o ônibus como meio de transporte caiu 9,5% em 2017 quando comparado a 2016, aponta levantamento anual feito pela Associação Nacional de Empresas de Transportes Urbanos (NTU). Segundo a pesquisa, apresentada na Feira Latino-americana do Transporte (Lat.Bus), o número diário de passageiros foi 3,6 milhões menor de um ano para o outro. É o quarto ano seguido de queda.
 
Ao mesmo tempo em que perde passageiros, o setor vê o número de pessoas que têm direito de usar os ônibus gratuitamente aumentar. Nos últimos 20 anos, aponta o mesmo estudo, houve um declínio de 35,6% de passageiros que pagam por tarifas. Praticamente um em cada cinco passageiros beneficia-se pela isenção de pagamento de tarifas.
 
O setor se diz preocupado com direitos concedidos, especialmente a idosos e estudantes. Como consequência, o passageiro comum, que não tem direito ao benefício, é quem arca com o custo, resultando em um encarecimento do valor das tarifas. O levantamento foi feito em nove capitais brasileiras que são integrantes da análise histórica. Para o estudo, leva-se em consideração os meses de abril e outubro.

Na visão de Otávio Cunha, presidente executivo da NTU, o ônibus, como meio de transporte, deixou de ser interessante para o usuário. “A produtividade do setor caiu 39% nos últimos 24 anos e continua em queda. Percebe-se que o serviço de ônibus deixou de ser atrativo para o passageiro e perdeu para moto, carro, aplicativos sob demanda e até para o deslocamento à pé”, observa. Cunha também aponta as perdas visualizadas pelo estudo com o difícil cenário econômico do país, que culmina no alto número de brasileiros desempregados.

Entre os principais itens que impactam no custo do sistema, está o óleo diesel, representando 22% do custo total do sistema. De acordo com monitoramento da NTU, nos últimos 19 anos, o combustível aumentou 254,1% em comparação ao Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) e 171,5% em relação ao preço da gasolina no período analisado. Somando-se à isso, houve a redução de 6,7% da frota de ônibus em comparação a 2016. O modelo de custeio do sistema público de transporte não é viável, já que depende, inteiramente, do usuário. “A forma de financiamento, que une só a tarifa paga pelo passageiro, está ultrapassada, não acompanha outros países”, destaca Cunha. 
 
* Estagiário sob supervisão de Humberto Rezende. O repórter viajou à convite da NTU (Associação Nacional de Empresas de Transportes Urbanos) 

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