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Correio Braziliense

Lançamento de imóveis de alto valor sobe 69,6% no DF

Empresas dizem que greve dos caminhoneiros e expectativa de eleições deram uma parada nos negócios, mas não faltam interessados nos empreendimentos


postado em 06/08/2018 06:00

Emplavi aposta emempreendimentos no Setor Noroeste(foto: Divulgação/Emplavi)
Emplavi aposta emempreendimentos no Setor Noroeste (foto: Divulgação/Emplavi)

São Paulo — Segurança, famílias menores e a procura por alternativas aos investimentos tradicionais são alguns dos estímulos para o crescimento do mercado imobiliário de alto padrão. Em algumas cidades, esse segmento conseguiu ser preservado dos efeitos do baixo crescimento do país. É o caso de Brasília, que tem a maior renda familiar média per capita do país — segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, de 2017 — de R$ 2.548, o dobro da média nacional, de R$ 1.268.

Segundo dados da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), os lançamentos de imóveis para o público de alta renda cresceram mais do que o dobro da média do mercado. No acumulado em 12 meses (junho de 2017 a maio de 2018), enquanto o alto padrão teve uma alta de 69,6%, o mercado geral registrou um aumento de 27,1%.

Para as construtoras, um dos atrativos para quem quer investir nos imóveis de alto padrão é o potencial de agregação de valor ao empreendimento. Cada vez mais há adicionais, não só na parte de construção civil, mas também em aspectos de segurança, conforto e praticidade para os moradores. Também são valorizados pelos compradores informações como a autoria do projeto e do design de interiores. Quanto mais os nomes são conhecidos, mais o imóvel é valorizado.

Essa sofisticação não se limita apenas aos projetos. Os corretores também têm de se preparar para clientes mais exigentes, identificando preferências e a forma mais adequada de atender o comprador de alta renda.

Diretora da Construtora Villela e Carvalho, Nathalia Serroni se mostra otimista com o mercado de alto padrão do Distrito Federal. Atualmente, a empresa tem dois empreendimentos no setor Noroeste, um dos endereços mais recentes em Brasília para quem tem poder aquisitivo mais alto. O Mondo, de quatro dormitórios, tem área entre 200 e 414 metros quadrados. Já o Allure é maior, vai de 246 a 600 metros quadrados. O preço do metro quadrado é de cerca de R$ 11,5 mil, e o imóvel mais caro no Allure custa por volta de R$ 6,5 milhões.

“Esse empreendimento foi lançado no ano passado e já tem 80% vendido. O desempenho, até agora, foi um pouco acima do que esperávamos, cerca de 10%. Mas isso acontece porque são poucas as opções para quem procura esse tipo de imóvel”, explica Nathalia. Em junho, diz a executiva, houve uma pequena queda na procura por conta da greve dos caminhoneiros, organizada em maio, que deixou muita incerteza no ar em relação à economia. Mas, em julho, o interesse por fechar negócio aumentou novamente.

 

A construtora PaulOOctavio acredita que as vendas ganharão impulso depois das eleições(foto: Divulgação/PauloOctavio)
A construtora PaulOOctavio acredita que as vendas ganharão impulso depois das eleições (foto: Divulgação/PauloOctavio)
 

Novo bairro

A executiva da Construtora Villela e Carvalho acredita que, ainda neste ano, deverá lançar mais um empreendimento de alto padrão no Noroeste. O calendário vai depender de aprovações legais. “O Plano Piloto praticamente não tem mais oferta de terrenos para construção. Em compensação, o Noroeste surgiu como um novo bairro, uma alternativa interessante para esse público.”

Pelo que escuta dos compradores e interessados em imóveis de alto padrão, muitos moram em casas e estão assustados com a violência crescente. Além disso, buscam um estilo de vida mais prático. No caso da Construtora Villela e Carvalho, afirma Nathalia, são poucos os negócios fechados por quem busca um investimento. A maioria quer mesmo é um apartamento para morar que garanta segurança. Por isso, empreendimentos para esse nicho costumam oferecer uma série de opções, como vaga de estacionamento antissequestro, guaritas blindadas e monitoramento por câmeras.

Outra grande empresa do setor imobiliário de alto padrão em Brasília, a PauloOctavio conta com um empreendimento para a alta renda, o Residencial Francisco Brennand, na Asa Norte. Assim como Nathalia, Pedro Ávila, diretor comercial da construtora, acredita que a busca por endereços mais seguros tem levado muitos donos de casa no Lago Norte e no Lago Sul a trocarem seus imóveis por apartamentos.

Há ainda aqueles que passam pela ‘síndrome do ninho vazio’. Com os filhos crescidos e morando em outro endereço, acabam achando desnecessário viver em mansões de 700 a 2.000 metros quadrados. Além disso, lembra o executivo, muitos buscam diminuir a quantidade de funcionários. Essas casas precisam de cuidados com jardim, piscina, segurança, entre outros. “Nem é por falta de dinheiro, mas já ouvi história de amigos que chegam a ter oito funcionários em casa e isso acaba sendo um problema com o tempo”, conta Ávila.

Dinheiro sobrando

O diretor da PauloOctavio acredita que o ritmo de vendas deve ser retomado depois das eleições presidenciais. Hoje, segundo ele, muitos estão protelando a assinatura do contrato com medo do que possa acontecer na economia com a escolha do novo presidente. Para Ávila, o problema não é a falta de dinheiro, mas, sim, o clima de incerteza. Recurso, por sinal, está até sobrando.

“O dinheiro está coçando na mão dos investidores que estão descontentes com o rendimento que têm conseguido com as aplicações tradicionais. Qualquer aluguel tem uma rentabilidade melhor do que a que é paga hoje pelo mercado financeiro. Falta mesmo é termos a definição sobre o que vai acontecer com a economia depois das eleições”, avalia.

Villela e Carvalho tem duas plantas sendo negociadas no Setor Noroeste(foto: Divulgação/Villela e Carvalho)
Villela e Carvalho tem duas plantas sendo negociadas no Setor Noroeste (foto: Divulgação/Villela e Carvalho)

Efeito da greve

Diretor da Emplavi, também do DF, Gil Henrique Pereira acredita que haverá uma recuperação do mercado de alto padrão tão logo a eleição aconteça. A construtora lançou dois empreendimentos de alto padrão neste ano, o Jardim dos Lírios e o parque das Tulipas, ambos no Noroeste de Brasília. As vendas vinham em um bom ritmo até maio, mas, com a paralisação dos caminhoneiros, muitos compradores sentiram receio de fechar negócio.

“Tem gente que já escolheu até o número do apartamento, mas não quer assinar o contrato até que as eleições cheguem. O normal é que, independentemente de quem vença, as pessoas acabem se adaptando à nova realidade. Mas, até lá, temos visto mesmo é muita procura e uma queda nos negócios fechados”, afirma Pereira.

Hoje a Emplavi tem três projetos de alto padrão que foram para a gaveta por conta do clima de incerteza entre os potenciais compradores. Mas Pereira diz que, assim que as eleições presidenciais passarem, vai lançar um ou até dois deles. “Podemos fazer até os três lançamentos, vai depender de quem vencer. Ser for um candidato pró-mercado, certamente lançaremos os três projetos”, avisa.

Perfil

Apesar do alto poder aquisitivo de quem busca um imóvel de alto padrão, o ritmo de venda nessa categoria segue outra velocidade, explica Paulo Muniz, presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal, a Ademi/DF. São compradores que já contam com um imóvel e que, por isso, não têm a mesma pressa de mudar de endereço. Além disso, buscam cada vez mais novas tecnologias, além de questões cosméticas, como acabamentos de primeira linha. Querem que os prédios tenham equipamentos de segurança, identificação digital, sistema central de ar condicionado e de aspiração de pó.

Muniz também acredita que, assim que for definido quem vai ocupar o Palácio do Planalto pelos próximos quatro anos, não só o nicho do alto padrão, mas o mercado imobiliário como um todo, sentirão uma reação. “A expectativa é de que os lançamentos voltem em um ritmo bem maior do que estamos vendo hoje em Brasília. Todos estão esperando uma sinalização do que deve acontecer com a economia tanto para fazer os lançamentos quanto para fechar negócio”, afirma.

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