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Correio Braziliense

PIB Agrícola vai ter queda de 1% em 2018, aponta estudo do Ipea

Instituto revisou a projeção anterior, que previa queda de 1,3% neste ano, devido a projeções um pouco melhores da safra feitas pelo IBGE


postado em 07/08/2018 15:30 / atualizado em 07/08/2018 15:33

O levantamento do Ipea levou em consideração queda de 0,6% na lavoura(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
O levantamento do Ipea levou em consideração queda de 0,6% na lavoura (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
 
A produção agrícola deve recuar 1% em 2018, conforme estudo divulgado nesta terça-feira (7/8) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) na Carta de Conjuntura do 3º trimestre. O levantamento levou em consideração quedas de 0,6% na lavoura e de 2,5% na pecuária, enquanto os demais segmentos devem registrar um aumento de 0,7%. Esses dados contam com a revisão da projeção feita pelo Ipea com base nas estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do setor e sofreram uma leve redução em relação à previsão anterior do Ipea, de queda de 1,3% no Produto Interno Bruto (PIB) agrícola.

"Foi uma mudança de projeção de safra do IBGE, que apresentou uma leve melhora nas estimativas. Por conta dessa revisão, a queda foi menor em relação ao projetado anteriormente. Trigo, milho, algodão puxam para cima, mas outras culturas puxam para baixo, como soja, e a pecuária também", destacou José Ronaldo de Castro Souza Junior, diretor da divisão de estudos e políticas macroeconômicas do Ipea. Ele lembrou que apenas a lavoura cresceu 17,2% no ano passado e, portanto, o setor não deve contribuir da mesma forma no PIB deste ano.
 

Greve dos caminhoneiros 


De acordo com o especialista, o impacto da greve dos caminhoneiros no mês de maio nos preços dos produtos agrícolas foi “temporário”, mas o da nova tabela de fretes, ainda indefinida, deverá ser maior e mais duradouro. "O frete de produtos que percorrem longas distâncias para o escoamento da produção será mais impactado de forma mais intensa do que o efeito da greve", disse. Ele demonstrou preocupação, principalmente, com a sinalização de empresas e de produtores buscarem adquirir frota própria. "Há dúvidas se isso poderá ou não reduzir os custos, porque há outros que não estão sendo contabilizados, como a gestão dessa frota", explicou. "Impacto é maior para culturas que precisam viajar longas distancias e isso vai afetar as exportações", destacou.

No segundo trimestre, apesar de a produção agrícola registrar um crescimento de 2,6%, entre maio e junho, a produção agrícola encolheu 1,9% na comparação com o mesmo período de 2017. De acordo com o estudo, a tendência dos preços dos produtos agrícolas foi de alta devido ao aumento das demandas interna e externa. A greve dos caminhoneiros impactou no abastecimento do setor, represando a demanda. "O setor ainda está passando por um processo de estabilização em relação à mudança nos fretes. Essas alterações têm impacto diferente em relação ao porte do produtor e da distância da produção para os centros de distribuição", informou Ana Cecilia Kreter, uma das autoras do estudo.

O coordenador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), Geraldo Sant’Ana  Barros, reforçou que alguns setores registraram forte elevação nos preços no segundo trimestre, como a soja, que subiu 13,24% na comparação do primeiro trimestre. O preço do milho teve alta de 13,17% na mesma base de comparação. O trigo teve alta maior ainda, de 36,2%, "devido à oferta mais restrita" não apenas pela paralisação dos caminhões. Barros lembrou que, no caso do arroz, "o preço subiu, mas ainda está abaixo do patamar do ano passado".

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