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Correio Braziliense

Mais de 66 mil pessoas abandonaram planos de saúde em 12 meses

Desemprego elevado e fortes aumentos no valor das mensalidades tornam convênios médicos inacessíveis para um número cada vez maior de brasileiros, de acordo com dados do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS)


postado em 10/08/2018 06:00

Souza reclama dos custos, mas diz que não pode ficar sem plano:
Souza reclama dos custos, mas diz que não pode ficar sem plano: "Em uma certa idade, é preciso ter cuidado" (foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
O número de beneficiários de planos de saúde continua caindo em razão da crise econômica, da diminuição da renda e do encarecimento das mensalidades dos convênios. De acordo com o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), em um período de 12 meses, de junho de 2017 a junho de 2018, 66.502 mil contratos de assistência médica foram cancelados no país. Atualmente, o número de beneficiários desses planos, no Brasil, é de 47,2 milhões.

Segundo dados da Nota de Acompanhamento de Beneficiários (NAB), do IESS, o número de beneficiários caiu em todos os meses do primeiro semestre de 2018. Em junho, último mês analisado, também houve queda em comparação ao mesmo período no ano passado.

Inicialmente, a Agência Nacional da Saúde Suplementar (ANS) previa uma ligeira alta, de 0,1%, no setor, na primeira metade do ano. No entanto, acabou por rever a estimativa para recuo de 0,1% no número de beneficiários dos convênios médicos.

Segundo Luiz Augusto Carneiro, superintendente executivo do IESS, a revisão dos dados pela ANS não configura incorreção. “Não se trata de qualquer tipo de erro ou desconfiança no que se refere à ANS. As variações próximas de zero devem ser vistas com cautela, pois, além da baixa oscilação, é comum que a agência reguladora revise os dados de beneficiários periodicamente devido a retificações feitas mensalmente pelas próprias operadoras de seguros e de planos de saúde”, explicou.

De acordo com Rodrigo Araújo, advogado especialista em Planos de Saúde, o encolhimento do mercado dos planos se explica pela crise econômica, que elevou o desemprego e atingiu fortemente a população brasileira. “O número de beneficiários tem caído já faz tempo, desde o início de 2015. Nos últimos três anos, os constantes reajustes das mensalidades foram as maiores queixas dos usuários, já que esses aumentos sempre foram superiores à inflação. Com o aperto no bolso, e novos reajustes anuais consumindo uma fatia maior da remuneração, o brasileiro precisa optar por priorizar gastos com educação, alimentação e moradia”,  disse.

É o caso de Paula Silvana, 50 anos, administradora. “Eu já deixei de ter plano de saúde devido à forte alta no preço cobrado. A minha antiga operadora também não era muito aceita na rede hospitalar, o que dificultava ainda mais. Era um gasto desnecessário. No entanto, ontem, tive que contratar novamente um plano por necessidade, e buscando sempre o melhor preço. Encontrei franquias de até R$ 1.300. Como é algo pontual, cancelarei o contrato logo que não precisar mais dele. Está um absurdo”, reclamou.

Quem tem cobertura hospitalar por meio de contratos do tipo coletivo empresarial também contesta o serviço. É o caso de Lúcio Souza, 76, aposentando. “É muito caro, pelo que é oferecido. Às vezes, você precisa esperar um mês para ser atendido”, queixou-se Souza. Ele afirma que, se não possuísse o benefício, continuaria a arcar, individualmente, com a cobertura. “Apesar do altíssimo valor, eu pagaria. Em uma certa idade, é preciso ter cuidado. Para se ter ideia, daria algo em torno de R$ 3 mil para mim e minha esposa. Meus dois irmãos cancelaram o plano de saúde por não terem condições de assumir os gastos”, explicou.

Aumento no DF


No Distrito Federal, em comparação a 2017, houve aumento de 3.720 beneficiários de planos de saúde médico-hospitalares. O tipo coletivo empresarial foi o principal responsável pela alta. Já Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo foram as três unidades da federação que registraram as maiores perdas: 60.272, 52.021 e 48.537, respectivamente.

Carneiro, do IESS, acredita ser possível uma retomada ainda no segundo semestre deste ano. “Claro que as projeções iniciais para 2018 eram mais otimistas, mas o setor ainda espera encerrar o ano com um crescimento em torno de 250 mil novos vínculos”, afirmou.
Para 2019, o IESS prevê um crescimento superior a 1%. No entanto, na visão do advogado Rodrigo Araújo, é necessário cautela na previsão. “Essa expectativa de crescimento de 1% é normal, já havia essa perspectiva. No entanto, o que vai ditar isso será a melhora da economia nacional e a retomada do consumo, que não será algo imediato”, disse.

* Estagiário sob supervisão de Odail Figueiredo

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