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Correio Braziliense

Taxa cobrada por bancos que administram o Tesouro Direto pode ser armadilha

Taxas exigidas por bancos para gerir aplicações em títulos públicos podem comer boa parte dos ganhos do investimento. Analistas recomendam escolher instituições que não cobrem encargos


postado em 12/08/2018 07:00 / atualizado em 11/08/2018 23:30

Investir no Tesouro Direto é uma das opções recomendadas por especialistas a quem pretende formar um patrimônio, devido ao baixo risco da aplicação em títulos públicos federais. No entanto, as taxas de custódia podem ser um verdadeiro problema para o investidor. Enquanto muitos bancos cobram até 0,50% ao ano para cuidar da aplicação, outras instituições, como corretoras de valores, oferecem o serviço sem esses encargos. No site do Tesouro Nacional, é possível verificar a lista das instituições financeiras cadastradas e avaliar quais as melhores opções. Segundo especialistas, o ideal é buscar pelas corretoras que não tenham taxas, já que o perigo de perder dinheiro nesse tipo de investimento é muito baixo — o investimento é garantido pelo Tesouro.

Bancos e corretoras cobram taxas pelo serviço de intermediação da compra e venda de títulos da dívida pública por meio da plataforma digital disponibilizada, para registrar as operações e cuidar da custódia dos papéis. Por exemplo, na Caixa Econômica Federal, a taxa cobrada anualmente é de 0,40% sobre o valor investido. No BB Banco de Investimento (Banco do Brasil), o encargo chega a 0,50%. Outras instituições, principalmente corretoras, cobram menos, ou não exigem taxas pelo serviço.

Considerando os rendimentos oferecidos atualmente pelos papéis, pagar uma taxa de custódia elevada significa deixar uma parcela considerável dos ganhos nas mãos do banco. Na sexta-feira, por exemplo, o Tesouro oferecia juros de 5,62% ao ano, além da variação do IPCA, para quem comprasse títulos com vencimento em 2024. Com uma taxa de 0,50%, o rendimento de juros cai para 5,12%. A diferença pode parecer pequena, mas resulta em perdas consideráveis quando se considera a evolução do investimento ao longo de alguns anos.

Segundo o consultor financeiro e diretor executivo da Libratta, Rogério Olegário, não há grande necessidade de recorrer a bancos tradicionais em busca de reduzir riscos. “Achar que uma corretora é insegura por não cobrar taxas é um erro. O dinheiro não fica na corretora, mas no Tesouro”, explica. Ele fez uma analogia com as corretoras de imóveis. “Quando você compra um imóvel e a corretora que te vendeu entra em falência, o imóvel continua sendo seu. Com os títulos do Tesouro, é a mesma coisa”, compara.

O investidor deve verificar, contudo, se a aplicação foi registrada no sistema de custódia supervisionado pela Bolsa de Valores de São Paulo (B3), o que pode ser verificado mediante consulta ao site da instituição (www.b3.com.br). Dessa forma, pode-se saber se a instituição aplicou efetivamente o dinheiro nos papéis do governo.

Opções


O Tesouro tem vários tipos de títulos disponíveis para venda. O Tesouro Selic é a categoria que rende de acordo com a taxa base de juros (Selic) vigente no momento. Os títulos prefixados são remunerados de acordo com uma taxa fixa, definida no momento da aplicação. E há os que são corrigidos pela variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mais um percentual fixo de juros. À escolha do investidor, os papéis podem pagar todo o rendimento no vencimento dos títulos, ou em parcelas semestrais. A opção deve ser feita de acordo com o objetivo de quem aplica o dinheiro.

As aplicações no Tesouro Direto têm liquidez imediata, ou seja, podem ser resgatadas a qualquer momento. É importante saber, porém, que o valor dos títulos na carteira do investidor segue a chamada marcação a mercado. Isso significa que eles são contabilizados pelo valor que têm no dia, conforme os juros de mercado sobem ou descem. Isso proporciona perdas ou ganhos momentâneos, que podem ser aproveitados pelo investidor que resgatar antes do prazo. Para quem mantém os papéis até o vencimento, o rendimento será exatamente o contratado no momento da compra.

Segundo o estrategista de produtos da Ativa Investimentos, Phillipe Aguiar, existem títulos que podem apresentar um pouco mais de volatilidade e, possivelmente, mais rentabilidade. “O melhor título para quem investe vai depender do que o investidor quer”, informa. Ele indica que é necessário um planejamento básico antes de investir. Dessa forma, é possível analisar os tipos de títulos públicos disponíveis e a rentabilidade oferecida na hora da compra.

Aguiar considera o Tesouro Direto como um dos investimentos de menor risco. “O único risco é o país quebrar”, avalia. Segundo ele, em momentos de crise, o último a entrar em falência é o Estado. “Primeiro, quebram os bancos, depois, o país”, observa. Aguiar pondera, ainda, que o governo é capaz de fazer novas dívidas com a finalidade de pagar débitos antigos. Essas características tornam o investimento no Tesouro altamente seguro.

O empresário Marcos Fernandes Cappello, de 34 anos, resolveu investir no Tesouro Direto na época em que os juros estavam altos. A perspectiva era de que as taxas começassem a cair e, consequentemente, também a rentabilidade do título Tesouro Selic. Por isso, Marcos decidiu investir em papéis prefixados. “Eu investi uma grande quantia, e foi uma boa escolha”, conta. Ele já utiliza esse tipo de investimento há cinco anos e já aplicou cerca de R$ 350 mil. O seu retorno, até agora, foi de, aproximadamente, R$ 50 mil. “A segurança do Tesouro me faz investir mais dinheiro nele. Não tenho o mesmo apetite para outros tipos de investimentos”, conta.

Rogério Olegário, da Libratta, recomenda esse tipo de investimento mesmo para pessoas que têm uma quantia baixa para aplicar. “A vantagem é que você pode começar a investir a partir de R$ 30”, observa. Para quem tem montante maior disponível, Olegário indica diversificar as aplicações.

O empreendedor Rodrigo Santos, 40 anos, diz que investir no Tesouro Direto foi uma opção interessante. “Minha escolha se deu em razão do momento econômico. Foi uma opção melhor do que a poupança”, avalia. Ele informa que investe no Tesouro há pelo menos oito anos e já colocou cerca de R$ 400 mil em títulos prefixados. Ele acredita que é necessário que as pessoas tenham mais acesso à educação financeira para que se crie, no Brasil, o costume de poupar e investir.

*Estagiário sob supervisão de Odail Figueiredo

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