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Correio Braziliense

Especialistas alertam: PIB do 2º trimestre deve vir nulo ou com leve queda

Índice de Atividade Econômica do Banco Central registra queda de 0,99% de abril a junho, reforçando a expectativa de que o Produto Interno Bruto teve variação nula ou levemente negativa no período


postado em 16/08/2018 06:00 / atualizado em 15/08/2018 22:34

(foto: CB/D.A Press)
(foto: CB/D.A Press)

O forte crescimento da economia brasileira em junho, de 3,29%, não reverteu as perdas acumuladas em maio devido à greve dos caminhoneiros. Com isso, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado ontem, registrou queda de 0,99% no segundo trimestre. O resultado reforçou as apostas de analistas de que a variação do Produto Interno Bruto (PIB) entre abril e junho, a ser divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no fim do mês, será nula ou levemente negativa.

Apesar do resultado ruim do segundo trimestre, de janeiro a junho o IBC-Br teve alta de 0,89%. Nos últimos 12 meses, o desempenho é ainda melhor e aponta expansão de 1,3%. O resultado também reforça a percepção do mercado de que o nível de atividade econômica continua moderado e a recuperação será mais lenta do que se esperava no inicio do ano.

Em relação a junho do ano passado, o IBC-Br cresceu 1,82%. O Banco Central estima que o PIB terá expansão de 1,6% até o fim do ano, a mesma projeção do Ministério da Fazenda.

O economista-chefe do banco Goldman Sachs para a América Latina, Alberto Ramos, estimou que, se a economia permanecesse nos níveis de junho, o crescimento do IBC-Br no terceiro trimestre chegaria a 1,04%, alcançando 0,8% na variação do ano todo.

Apesar da recuperação do crescimento em junho, Ramos detalhou que os dados recentes sugerem que a economia se enfraqueceu em 2018. “A confiança do consumidor e dos empresários diminuiu, assim como a produção industrial e do setor de serviços”, disse. Para o economista, as condições financeiras internas mais apertadas e a incerteza política deixaram empresários e investidores cautelosos e mantiveram alta a ociosidade da economia.

Para Ramos, o avanço dos ajustes e reformas para reequilibrar as contas públicas é fundamental para ancorar as expectavas do mercado e melhorar a confiança. “Além da execução fiscal responsável, não esperamos ver muito progresso na consolidação fiscal estrutural no restante do atual governo. Portanto, essa consolidação precisa estar no topo da agenda de políticas da administração que será eleita em outubro e tomará posse em janeiro”, disse.

O resultado do IBC-Br de junho levou a economista-chefe da Rosenberg Associados, Thaís Marzola Zara, a estimar que o PIB do segundo trimestre terá alta de 1,4% em relação ao mesmo período do ano passado, e variação nula na comparação com o primeiro trimestre de 2018. “Apesar do bom início, o segundo trimestre acabou impactado pela greve dos caminhoneiros, frustrando as expectativas de uma recuperação mais célere da economia. Este movimento foi postergado para o segundo semestre”, comentou.

 

 

Confiança

Segundo Thaís, dois vetores devem contrabalançar o resultado mais fraco do que o esperado no primeiro semestre: a liberação dos recursos do PIS/Pasep e os efeitos da política monetária e da inflação voltando a níveis mais confortáveis, que favorecerão o crescimento no restante do ano. “Tudo considerado, ainda esperamos uma aceleração da economia no segundo semestre, de modo a alcançarmos 2% de crescimento no ano”, estimou.

O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, avaliou que a greve dos caminhoneiros foi um divisor de águas que afetou o nível de atividade e a confiança de empresários e consumidores. Os eventos de maio, disse, mostraram a fragilidade política do governo e enterraram qualquer expectativa de que o Executivo pudesse influenciar a corrida eleitoral e dar sustentação a um candidato comprometido com uma política econômica responsável.

Rosa ressaltou que a instabilidade doméstica e as pressões externas afetaram os prêmios de risco em relação ao Brasil, com encarecimento do dólar e alta dos juros futuros. Ele ressalta que esse cenário cria um ambiente de crescimento mais fraco. “Não dá para contar com o consumo, porque o nível de desemprego é alto. Além disso, os investimentos, que seriam outro fator de crescimento, continuarão paralisados diante da retração de empresários. Com isso, esperamos que o PIB tenha variação nula no segundo trimestre e, no ano, alcance alta de 1,5%”, disse.

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