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Correio Braziliense

Especialistas explicam nervosismo do mercado nos últimos dias

Tensões internacionais e incerteza eleitoral deve manter a volatilidade do mercado nos próximos dias. Moeda dos EUA atingiu R$ 3,950 na sexta-feira, mas fechou a R$ 3,916


postado em 18/08/2018 07:00 / atualizado em 18/08/2018 13:47

Mário Mesquita, do Itaú Unibanco, explica que desvalorização da lira turca afeta divisas de outros países(foto: José Varella/CB/D.A Press - 29/9/8)
Mário Mesquita, do Itaú Unibanco, explica que desvalorização da lira turca afeta divisas de outros países (foto: José Varella/CB/D.A Press - 29/9/8)
A crise na Turquia, a tensão entre os Estados Unidos e a China e as incertezas políticas no Brasil voltaram a afetar os mercados cambial e de ações ontem. Em alta pelo terceiro dia consecutivo, o dólar subiu 0,31%, vendido a R$ 3,916. Ao longo do dia, a divisa estrangeira chegou a ser cotada acima de R$ 3,950, mas cedeu com o aceno de que norte-americanos e chineses devem iniciar tratativas para reduzir os efeitos da guerra comercial. A moeda dos EUA acumula variação positiva de 4,43% no mês e de 18,09% no ano.

A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) teve mais um dia de queda. Terminou o pregão em baixa de 1,03%, aos 76.028. Com o resultado, a B3 apresenta perda de 0,49% no acumulado do ano. No mês, está negativa em 4,03%. Os mercados foram afetados negativamente após a decisão da Justiça da Turquia de negar mais um pedido para libertação do pastor americano Andrew Brunson, detido em prisão domiciliar no país por crimes de terrorismo e espionagem desde julho. O pregador passou um ano e meio em uma penitenciária.

Os Estados Unidos pedem a libertação imediata do pastor, e ameaçam impor mais sanções à Turquia se ele não for solto. Esse imbróglio levou à forte perda de valor da moeda turca e isso tem provocado elevação das incertezas nos mercados globais, explicou o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mário Mesquista. Ele ressalta que esse cenário produz reflexos nas moedas de países emergentes, especialmente aqueles com maior vulnerabilidade externa.

Mesquita explica que, na última semana, a lira turca chegou a valer 7,23 liras por dólar — voltando para o patamar de 6,04 ontem — e acumula queda de 37% neste ano. Ele destacou que o país, que apresentava uma das maiores taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do mundo, nos últimos anos, tem um forte desequilíbrio externo, com deficit em conta-corrente ao redor de 6,5% do PIB — muito maior do que a média dos seus pares. “Soma-se a isso o elevado nível de inflação — a variação em 12 meses está em 15,8% em julho — característico de uma economia sobreaquecida, e a dificuldade que enfrenta em endereçar esses desequilíbrios através dos instrumentos de política fiscal e monetária”, disse.

Volatilidade

O analista-chefe da Rico Investimentos, Roberto Indech, explicou que a agitação observada no mercado brasileiro será constante nos próximos meses. “Podemos esperar por um dólar com fortes oscilações nos próximos 50 dias. Existe uma série de fatores, como cenário eleitoral, embargos econômicos e crises internacionais. Assim, o Banco Central (BC) tem a possibilidade de voltar a intervir fortemente”, explica. 

Segundo Indech, a normalidade no mercado de renda variável só é esperada quando houver definição do cenário eleitoral, assim como uma visão mais clara do panorama internacional. “Havendo uma estabilização, é possível que haja uma normalidade, mas não há expectativa disso”, afirma.

* Estagiário sob supervisão de Rozane Oliveira

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