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Correio Braziliense

46% dos inadimplentes não acreditam que conseguirão pagar dívida em 3 meses

A pesquisa realizada pela CNDL e SPC Brasil mostrou que o número se manteve estável na comparação com 2017, quando o percentual foi de 48%


postado em 29/08/2018 19:51 / atualizado em 29/08/2018 22:42

(foto: Caio Gomez/CB/D.A Press)
(foto: Caio Gomez/CB/D.A Press)
Apesar de estar saindo da recessão, os efeitos da crise econômica no país ainda impactam o bolso do cidadão brasileiro. De acordo com a pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) com consumidores inadimplentes, 46% dos que estão com contas atrasadas não acreditam que terão condições financeiras de pagar o que devem pelos próximos três meses. 

O número se manteve estável na comparação com 2017, quando o percentual foi de 48%. Em contrapartida, 49% dos inadimplentes asseguraram que vão conseguir regularizar a situação, desses, 36% planejam quitar todo o valor e 13% apenas parte dele. 

O estudo mostra também que o valor médio da soma de todas as pendências do brasileiro é de R$ 2.615,98, sendo ainda maior quando considerada a parcela masculina de entrevistados (R$ 2.934,34) e as pessoas das classes A e B (R$ 3.718,48). Entre os brasileiros com renda familiar de até cinco salários mínimos, a dívida média é de R$ 2.530,96, aponta a pesquisa. Há ainda 14% de inadimplentes que nem sabem o quanto devem

De acordo com o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, o número reforça a dificuldade financeira dos brasileiros, mesmo com a melhora da economia. “O ritmo atual de retomada está longe de produzir efeitos benéficos diretamente na vida de muitas pessoas, que veem as dívidas se acumulando e enfrentam dificuldades para honrar compromissos assumidos”, explicou. Segundo ele, mesmo com a inflação controlada e a taxa básica de juros em seu menor nível histórico, o grande número de desempregados prova que os reflexos da crise ainda se fazem presentes do dia a dia de milhões de brasileiros.

Poupança

Além da dificuldade em quitar dívidas, o consumidor brasileiro continua sem o hábito de fazer reserva financeira. De acordo com os dados da Reserva Financeira da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em junho 73% dos brasileiros terminou o mês sem nenhuma reserva. A principal justificativa dos consumidores foi a renda baixa, que inviabilizou sobras para guardar dinheiro.

Apenas 18% da população conseguiu poupar dinheiro, e a média do valor guardado foi de R$ 520. Segundo o levantamento, o número de poupadores é maior nas classes A e B, chegando a 39%. Já nas classes C, D e E, esse percentual cai para 13%. A diferença retrata o cenário de que a renda impacta aqueles que disseram não ter condições de poupar.
 
* Estagiária sob supervisão de Vicente Nunes 

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