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Correio Braziliense

Juros fecham em forte alta com pressão em moedas emergentes

As taxas com vencimento até 2020 fecharam nas máximas do dia. A do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 encerrou na máxima de 8,80%, de 8,45% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2021 subiu de 9,59% para 9,95%


postado em 30/08/2018 17:59 / atualizado em 30/08/2018 18:03

(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press.)
(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press.)

Os juros futuros subiram ainda mais na última hora de negociações desta quinta-feira (30/8), renovando máximas em vários pontos da curva, em linha com uma nova rodada de piora no desempenho das moedas de economias emergentes, após relatos de que o presidente dos EUA, Donald Trump, estaria disposto a colocar em vigor tarifas sobre US$ 200 bilhões em importações chinesas já na próxima semana.

O dólar voltou a acelerar os ganhos ante o real, mas sem retomar os R$ 4,20 vistos antes das intervenções do Banco Central nesta quinta-feira. Nas ações, o Ibovespa ampliava as perdas para perto dos 2,50%, renovando mínimas junto com as bolsas norte-americanas.

As taxas com vencimento até 2020 fecharam nas máximas do dia. A do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 encerrou na máxima de 8,80%, de 8,45% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2021 subiu de 9,59% para 9,95%. A taxa do DI para janeiro de 2023 encerrou a 11,57%, de 11,26%, e a do DI para janeiro de 2025 terminou em 12,30%, de 12,01%.


As taxas começaram o dia já em alta, que foi se acentuando durante a sessão, com picos ao longo da tarde, a partir da crise cambial na Argentina, cujo banco central do país teve de elevar a taxa de juros de 45% para 60% para segurar as perdas do peso.

Os juros longos chegaram a subir 40 pontos-base na medida em que o dólar à vista atingia os R$ 4,21 nas máximas. O movimento arrefeceu com as intervenções do BC, nas quais vendeu US$ 1,5 bilhão, mas os relatos sobre a possibilidade de taxação das importações da China voltaram a pesar na reta final da sessão.

"Os DIs - tanto os mais longos como os curtos - avançam, aumentando a inclinação da curva, em linha a cautela dos investidores no exterior e front político local. O CDS de 5 anos, que mede a percepção de risco país, também tem alta", destaca a Guide Investimentos, em relatório. O CDS estava ao redor de 300 pontos base, por volta das 15h.

O cenário interno, na reta final, contribuiu para a pressão nas taxas em função da ansiedade do mercado pela sessão extraordinária do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na sexta-feira. O que se sabe até o momento é que serão julgados os pedidos de registro dos candidatos à Presidência da República Geraldo Alckmin (PSDB) e José Maria Eymael (Democracia Cristã).

A pauta ainda está sujeita a alterações e pode incluir o julgamento dos pedidos formulados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pelo Partido Novo para barrar a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso e condenado no âmbito da Operação Lava Jato, no horário eleitoral no rádio e na televisão.

Às 16h42, o dólar à vista subia 1,07%, para R$ 4,1636, e o Ibovespa cedia 2,22%, aos 76.666,95 pontos. Em Nova York, o Dow Jones caía 0,54% e o S&P 500, -0,46%.

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