Jornal Correio Braziliense

Economia

BC atua e dólar fecha aos R$ 4,15, após atingir máxima de R$ 4,21

A quinta-feira foi marcada por forte pressão compradora sobre o dólar, que levou o Banco Central a intervir no mercado de câmbio, com o objetivo de prover liquidez aos negócios e conter distorções nas cotações. A moeda americana fechou cotada a R$ 4,1541 no mercado à vista, em alta de 0,84%, depois de ter atingido a máxima de R$ 4,2158 (+2,33%). Com o resultado de hoje, o dólar renova o pico do ano, ainda com o segundo maior valor nominal desde o Plano Real. Desde a abertura que a aversão ao risco no mercado internacional e a cautela com o cenário eleitoral doméstico vinham mantendo o dólar em alta significativa, próximo das máximas históricas intraday. A crise na Argentina foi um dos principais fatores de tensão nos mercados emergentes, onde as moedas tiveram desvalorização generalizada ante o dólar. Por volta das 13h, uma forte e rápida escalada das cotações acabou por levar o dólar às máximas do dia, inclusive com interrupção dos negócios com o contrato futuro de setembro na B3, que ultrapassou o limite diário de oscilação. Foi quando o Banco Central anunciou a oferta de 30 mil contratos de swap cambial extraordinários, correspondentes a US$ 1,5 bilhão em dinheiro novo no mercado. A oferta foi integralmente vendida, dividida em duas etapas. O dólar reagiu imediatamente ao anúncio do leilão e voltou ao patamar dos R$ 4,14. "O Banco Central fez o certo ao perceber que o dólar subia muito rápido. Faz sentido o BC corrigir a distorção deste dia, que foi muito difícil para as moedas emergentes em geral", disse José Faria Junior, diretor da Wagner Investimentos. O profissional ressalta que a atuação do BC hoje não deve ser entendida como um sinal de que R$ 4,20 ou R$ 4,21 são um teto informal indicado pela autoridade monetária. Também não indica que o BC deu início hoje a um programa de intervenções diárias, como foi feito em junho, diante da escalada do dólar em meio ao mal-estar da greve dos caminhoneiros. "Ele agiu porque o dólar estava disfuncional. Ele pode voltar a agir amanhã ou depois, mas não há por ora indicativo de programa", disse. Para Cleber Alessie Machado Neto, operador da Hcommcor Corretora, o BC sinalizou que começa a se incomodar com o dólar a R$ 4,20 ou mais, embora esse não seja um teto. "O BC não costuma intervir no mercado quando o fator de pressão vem do exterior. A exceção é quando a alta é exagerada, o que parece ter sido o caso hoje, uma vez que o dólar já estava indo muito rápido para os R$ 4,22", disse. Alessie Machado afirmou que o que diferencia o cenário de junho e o de hoje é que, naquela época, a pressão era essencialmente especulativa e estava relacionada ao cenário doméstico. Agora, uma parte da pressão vem do cenário internacional e outra, das incertezas do cenário eleitoral há poucas semanas do primeiro turno do pleito.