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Correio Braziliense

Com greve dos caminhoneiros, PIB cresce 0,2% no segundo trimestre, diz IBGE

Esse foi o sexto resultado positivo após oito variações negativas consecutivas nessa comparação. No primeiro semestre, atividade econômica acumula alta de 1,1%


postado em 31/08/2018 08:55 / atualizado em 31/08/2018 11:45

A indústria teve desempenho positivo ante os outros setores: crescimento foi de 1,2%(foto: Fiat/Divulgação)
A indústria teve desempenho positivo ante os outros setores: crescimento foi de 1,2% (foto: Fiat/Divulgação)

 

Rio de Janeiro - A greve dos caminhoneiros provocou uma estagnação na economia do país no segundo trimestre de 2018. O Produto Interno Bruto (PIB) variou 0,2% frente aos primeiros três meses do ano passado, na série com ajuste sazonal, uma leve alta frente às projeções de queda de até 0,5% do mercado. Apesar de quase estável, o índice é o sexto resultado positivo seguido após oito variações negativas consecutivas nessa comparação. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (31/08) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

Serviços tiveram desempenho positivo de 0,3% enquanto houve estabilidade da agropecuária e queda de 0,6% na indústria. Conforme Claudia Dionísio, gerente de Contas Nacionais Trimestrais, o movimento na agropecuária é explicado por perda de produtividade em culturas com safras no período.

 

“No caso do milho, que tem um peso de 11% no setor, houve queda de 16,7%, com atraso no plantio por conta da estiagem. Isso foi compensado pelo café, com expectativa de safra recorde este ano, com alta de 23,6%. Mas o peso do café é de apenas 5%”, disse.

 

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que representa os investimentos, teve uma queda de 1,8% no segundo trimestre de 2018, enquanto o consumo das famílias cresceu apenas 0,1% e do governo variou 0,5%.

 

A taxa de investimentos chegou a 16% do PIB, acima do observado no mesmo período de 2017, quando foi de 15,3%. A taxa de poupança foi de 16,4% no segundo trimestre de 2018, ante 15,7%. Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 1,693 trilhão.

 

Em relação ao segundo trimestre de 2017, o crescimento do PIB foi de 1%, o quinto resultado positivo consecutivo nessa comparação. A indústria e serviços cresceram 1,2%, enquanto a agropecuária teve queda de 0,4%. O consumo das famílias cresceu 1,7%, o quinto trimestre seguido de avanço na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.

 

De acordo com Claudia, no setor industrial, o crescimento de 1,2% mostra uma desaceleração em relação ao início do ano, por conta da indústria da transformação, cujo peso é de 55%. “O setor sofreu de forma generalizada, sobretudo bens de capital e bens de consumo duráveis, impactada pela greve de caminhoneiros, por causa dos insumos e acumulação de estoques”, explicou. Nos serviços, o transporte de cargas também foi afetada.  

 

A FBCF teve alta de 3,7%, o terceiro resultado positivo após 14 trimestres de recuo. Esse aumento se deve à alta na importação e na produção de bens de capital, já que a construção manteve desempenho negativo. O consumo do governo ficou praticamente estável (0,1%). No setor externo, as exportações e bens de serviços caíram 2,9%, enquanto as importações expandiram 6,8% no segundo trimestre de 2018.

Semestre

No primeiro semestre de 2018, o PIB acumula alta de 1,1% em relação a igual período de 2017. Nessa comparação, os serviços e a indústria tiveram alta de 1,4%, mas houve queda de 1,6% na agropecuária. No acumulado dos quatro últimos trimestres, a alta é de 1,4%.

 

A indústria da transformação cresceu 2,8%, enquanto a construção civil caiu 1,7% e a indústria extrativa recuou 0,6%. Nos serviços, apenas o grupo de informação e comunicação teve queda, de 1,4%. Os demais segmentos tiveram resultados positivos, com destaque para o avanço do comércio de 3,2% e para as atividades imobiliárias, com alta 2,9%.

Revisão

O IBGE também revisou os números de trimestres anteriores. A alta do PIB no primeiro trimestre de 2018 em relação aos três últimos meses de 2017 passou de 0,4% para apenas 0,1%. No último trimestre de 2017, na comparação com o período imediatamente anterior, o número foi revisado de uma alta de 0,2% para estabilidade, sem crescimento. A taxa do terceiro trimestre de 2017 ante o segundo trimestre de 2017 passou de 0,3% para 0,6%, enquanto o resultado do segundo trimestre de 2017 ante o primeiro trimestre de 2017 passou de 0,6% para 0,4%.

 

A coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, explicou que houve uma revisão maior da variação do PIB do primeiro trimestre do ano em relação ao quarto trimestre de 2017 porque a série com ajuste sazonal é construída com base em modelo matemático. “Quando há um evento atípico, que inverte a tendência, como foi o caso da greve dos caminhoneiros, pode levar a uma revisão maior porque o modelo matemático não tem como prever”, justificou.

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