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Correio Braziliense

Amazon entra para o clube do US$ 1 trilhão na Bolsa de Nova York

Gigante do e-commerce americano alcança valor de mercado antes só atingido pela Apple. No Brasil, empresa ainda enfrenta desafios, como o da logística, para crescer


postado em 05/09/2018 06:00 / atualizado em 04/09/2018 23:48

Fundador da Amazon, Jeff Bezos é considerado o homem mais rico do mundo(foto: JASON REDMOND/AFP)
Fundador da Amazon, Jeff Bezos é considerado o homem mais rico do mundo (foto: JASON REDMOND/AFP)

São Paulo — A Amazon.com ultrapassou ontem o valor de mercado de US$ 1 trilhão na Bolsa de Nova York. Assim, passou a ser a segunda companhia americana a quebrar essa barreira, ultrapassada em 2 de agosto pela Apple. A marca foi atingida quando as ações chegaram ao valor de US$ 2.050,27, por volta das 11h30 (horário de Brasília).

Para se ter uma ideia do que representa essa soma, no ano passado, toda a riqueza gerada no Brasil somou um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 6,6 trilhões, ou US$ 1,441 trilhão, pela cotação do dólar dessa terça-feira. A Ambev, empresa com maior valor de mercado na bolsa brasileira, terminou a terça-feira valendo em torno de US$ 70,945 bilhões, segundo levantamento da Economática.

A primeira vez que a Amazon ultrapassou a faixa de US$ 2 mil por ação foi em 30 de agosto. A partir dali, já se esperava que seria questão de tempo até que chegasse à cifra de US$ 1 trilhão. A explicação é que sua evolução tem sido consistente. Em 27 de outubro de 2017, as ações chegaram a US$ 1 mil. Em 10 meses, o valor dobrou. De janeiro até agora, a alta já chega a cerca de 75%. Ao olhar mais para trás, a valorização dos papéis é ainda mais espantosa: por volta de 2.000% em nove anos.

"A Amazon tem uma agressividade e um foco muito grandes. Isso permite que a empresa tenha muita agilidade para colocar seus planos em prática", diz Alexandre van Beeck, sócio-diretor da GS&Consult, especializada em varejo.

Outro ponto favorável à expansão saudável da companhia, lembra Van Beeck, é a sua diversificação de áreas de atuação. Além de vender produtos de seu próprio estoque no e-commerce, a Amazon é um marketplace para outros parceiros, obtém receita do seu serviço de assinatura (Amazon Prime), por meio de anúncios on-line e no serviço de computação em nuvem (web services cloud).

"Todos esses negócios dão certo, porque trabalham de forma integrada. Por meio de business intelligence (ou BI, que converte dados brutos em ideias para o negócio), a companhia consegue ter um conhecimento imenso do consumidor e usa muito bem essas informações", detalha o diretor da GS&Consult.

Recentemente, o Banco Morgan Stanley foi categórico em um de seus relatórios ao afirmar que as vendas da gigante do e-commerce continuam apresentando crescimento vigoroso. A avaliação assanhou os investidores, pressionando a cotação dos seus papéis.

O recorde da Amazon ocorre pouco mais de um ano depois de a empresa adquirir a rede americana de varejo saudável Whole Foods por US$ 13,7 bilhões, em uma estratégia claramente associada à intenção da companhia de Jeff Bezos de manter o Walmart, principal rival, contra as cordas o quanto puder.

Atualmente, a Amazon gera por volta de US$ 200 bilhões em vendas anuais e conta com 575 mil postos de trabalho globalmente. Para analistas americanos que acompanham a líder do comércio eletrônico, o esforço em se manter sob disciplina financeira e os lucros recordes, estimulados pela divisão de computação em nuvem, ajudaram a colocar a companhia onde está hoje. O lucro do segundo trimestre de 2018 subiu 12 vezes em comparação ao resultado alcançado em igual período do ano passado, chegando a US$ 2,5 bilhões.


Cautela

 
No Brasil desde 2012, a Amazon ainda não conseguiu dar a mesma visibilidade no mercado local que seu negócio tem nos Estados Unidos. Os próprios concorrentes, como o Magazine Luiza, não poupam críticas ao dizer que a companhia ainda terá de enfrentar muita dificuldade por aqui, particularmente por conta dos desafios impostos pela logística.

Em relatório divulgado na semana passada, analistas do BTG Pactual lembraram que Magazine Luiza e B2W já conseguiram desenvolver suas soluções para minimizar os problemas de infraestrutura e melhorar o serviço de entrega. O mesmo não foi dito sobre a companhia americana. "Acreditamos que será difícil para a Amazon, assim como para muitas empresas estrangeiras, ser um ator relevante no Brasil", apontou a análise.

As vendas brutas totais mais do que dobraram de 2016 (R$ 200 milhões) para 2017 (R$ 410 milhões), e parte desse resultado vem do esforço em ampliar a oferta de lojas em seu site. No mês passado, a empresa passou a comercializar produtos esportivos e de moda. Especula-se ainda que a Amazon estaria negociando com grandes empresas do setor de beleza, como Natura e O Boticário, mas até agora não há nada de concreto. A companhia foi procurada, mas não respondeu ao contato.

 

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