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Correio Braziliense

Sem conseguir conter a desvalorização do peso, Argentina volta ao FMI

Mesmo depois de anunciar pacote de medidas estruturais, governo Macri retoma conversas com o fundo para antecipar liberação da linha de crédito de US$ 35 bilhões


postado em 05/09/2018 06:00 / atualizado em 05/09/2018 00:10

Christine Lagarde, do FMI e o ministro da Fazenda argentino, Nicolas Dujovne: avanços no acordo(foto: Jose Luis Magana/AFP)
Christine Lagarde, do FMI e o ministro da Fazenda argentino, Nicolas Dujovne: avanços no acordo (foto: Jose Luis Magana/AFP)

Um dia após o presidente da Argentina, Maurício Macri, anunciar um pacote de medidas estruturais que visam estabilizar a economia do país, o ministro da Fazenda argentino, Nicolas Dujovne, retomou conversas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, Estados Unidos, para tentar antecipar o repasse da linha de crédito final de US$ 35 bilhões do FMI para os cofres argentinos, já que os outros US$ 15 bilhões foram desembolsados em junho.

A diretora-gerente do Fundo, Christine Lagarde, afirmou que houve avanços importantes durante as conversas com autoridades argentinas e garantiu que os dois lados trabalharão para fortalecer “ainda mais” o programa do governo argentino respaldado pela instituição. “Nosso diálogo continuará agora a nível técnico e nosso objetivo comum é chegar a uma conclusão rápida para apresentar uma proposta ao diretório executivo do FMI”, escreveu Lagarde em comunicado.

Ontem, em conversa por telefone com Macri, o presidente dos EUA, Donald Trump, defendeu o “firme apoio” do seu país em relação às medidas econômicas adotadas pelo governo argentino e parabenizou o dirigente do país pelo “excelente trabalho”.

O anúncio da segunda-feira, entretanto, não foi suficiente para segurar o peso, que se desvalorizou 1,22%, com cada dólar no país vizinho cotado a 39,5 pesos. Para conter a forte depreciação, o Banco Central Argentino vendeu, minutos antes do fechamento, US$ 358 milhões. A crise econômica argentina também afeta o Brasil, que vê investidores agirem com cautela em relação a mercados de países em desenvolvimento. “O mercado brasileiro sofre com a aversão ao risco. Estamos percebendo muito a fuga de investidores de mercados com alto risco, ainda mais com o nível de juros norte-americano”, afirmou Pablo Spyer, diretor da corretora Mirae Asset.

A influência da crise argentina no Brasil, entretanto, não se limita ao mercado de capitais. “A Argentina é o terceiro maior parceiro comercial brasileiro. Porém, com as dificuldades do país vizinho, as exportações devem ser afetadas. Quando isso ocorre, há, automaticamente, uma desaceleração econômica forçada e redução de exportações”, explicou Fernanda Consorte, estrategista de câmbio do Banco Ourinvest.


Austeridade


No pronunciamento de segunda-feira, Macri anunciou um plano de austeridade  — requisito para empréstimo do FMI — para recuperar a confiança de investidores em relação ao país. Entre as medidas do novo programa, constam: a criação de uma nova alíquota para exportação, que varia entre produtos primários e outro para serviços e bens industriais; redução, pela metade, do número de ministérios; corte de 4% nas despesas do governo; entre outras.

A apreensão do governo argentino não é à toa. O peso argentino, no ano, já desvalorizou 50% em relação à divisa norte-americana. Diante da forte queda, o Banco Central Argentino elevou, na semana passada, a taxa básica de juros da economia de 45% para 60%. De acordo com Macri, com o anúncio do novo pacote, o objetivo principal passa a ser de zerar o deficit público em 2019.  Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), a expectativa, segundo Dujovne, ministro da Economia, é de retração de 2,4% em 2018.

* Estagiário sob supervisão de Rozane Oliveira

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