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Correio Braziliense

TAM não renova contrato e tira Multiplus da bolsa de valores

Este é o primeiro passo para unir as operações da companhia e o programa de fidelidade, que vinha perdendo participação de mercado. Contrato entre as duas empresas expira em 2025


postado em 06/09/2018 06:00 / atualizado em 06/09/2018 00:01

TAM chegou a reduzir tarifas internacionais e domésticas, mas, mesmo assim, Multiplus continuou a perder mercado (foto: Daniel SLIM/AFP )
TAM chegou a reduzir tarifas internacionais e domésticas, mas, mesmo assim, Multiplus continuou a perder mercado (foto: Daniel SLIM/AFP )

 
Rio de Janeiro — Confirmando o temor de alguns investidores, a TAM Linhas Aéreas decidiu não renovar seu contrato com a Multiplus e vai retirar o programa de fidelidade da bolsa de valores como um primeiro passo para fundir as duas companhias. A TAM disse que fará uma oferta pública para comprar as ações detidas pelos minoritários da Multiplus a R$ 27,22 por ação. A companhia aérea é dona de 72,7% da empresa, e o saldo pertence a fundos de investimento.

O preço da oferta corresponde à média dos últimos 90 pregões e a um prêmio de 11,6% sobre o fechamento da segunda-feira (R$ 24,40). A TAM contratou o Credit Suisse para elaborar o laudo de avaliação independente exigido por lei.

A possibilidade da não renovação do contrato entrou no radar dos investidores em maio do ano passado, quando a Air Canada disse que não renovaria o contrato com seu programa de fidelidade, o Aeroplan. A decisão implodiu a ação da Aimia, a controladora da Aeroplan, que caiu quase 63% em um dia. A partir dali, analistas começaram a produzir relatórios questionando se o exemplo da Air Canada seria seguido pela Latam, que controla a TAM, e investidores começaram a vender a ação da Multiplus a descoberto, apostando numa queda.

Segundo informações publicadas recentemente pela Bloomberg, a Air Canada e os acionistas da Aimia estavam até recentemente discutindo o valor justo do programa de fidelidade. A Air Canada queria pagar US$ 190 milhões, mas o maior acionista da Aimia dizia que ele vale quatro vezes mais. No acordo final, fechado há duas semanas, o consórcio pagou US$ 450 milhões em dinheiro e assumiu um passivo de milhas ainda não resgatadas avaliado em US$ 1,9 bilhão.

A TAM disse que sua oferta pela Multiplus só será realizada se o piso da faixa de preço a ser estimada pelo Credit Suisse for inferior ou igual ao valor proposto por ela. A TAM também se reserva o direito de desistir de fazer a oferta, “a qualquer momento e independentemente do determinado pelo laudo,” abrindo caminho para cancelar a proposta se, por exemplo, as condições de mercado se deteriorarem.

A decisão da TAM vem pouco mais de dois anos depois que a Livelo – a coalizão entre Banco do Brasil e Bradesco – começou a operar, aumentando a pressão competitiva num negócio em que, para alguns investidores, os programas de fidelidade têm pouco poder de barganha.

Desde que Multiplus e Smiles foram listadas, alguns investidores se disseram céticos com relação ao modelo de negócios e à capacidade das empresas de fidelidade existirem separadamente de suas controladoras, as companhias aéreas.

Para esses investidores, os verdadeiros “donos” do negócio de fidelidade são os bancos (porque são donos dos cartõesem que os usuários acumulam os pontos antes de transferi-los) e as próprias companhias aéreas (que podem ditar o preço das passagens e transferir valor de um lado para o outro).

Na justificativa da oferta, a TAM disse que “nos últimos tempos o mercado de programas de fidelidade em que a companhia desempenha suas atividades vem enfrentando desafios constantes que, por sua vez, demandam esforços crescentes para manter a competitividade da companhia perante seus concorrentes.”

A TAM diz ainda que “limitações oriundas não só do relacionamento contratual entre as duas companhias, mas também de suas estruturas operacionais e societárias segregadas, se mostraram como um obstáculo para a capacidade da companhia de reagir rápida e eficientemente às mudanças do mercado, bem como contribuíram para sua perda de market share.”

A companhia aérea também afirmou que, nos aditamentos mais recentes do contrato com a Multiplus, a TAM concordou em reduzir as tarifas internacionais em 2% e as domésticas em 5%, mas que, mesmo assim, a Multiplus continuou a perder participação de mercado. O contrato entre as duas empresas, que existe desde 1º de janeiro de 2010, expira em 1º de janeiro de 2025.

Números da Multiplus

R$ 73,8 milhões
Foi o lucro no segundo trimestre

41,4%
Queda do lucro em relação ao mesmo período de 2017

R$ 123,3 milhões
Foi a receita líquida no segundo trimestre

37,2%
Queda da receita líquida no período

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