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Correio Braziliense

Estudo da CNI revela que indústria nacional perdeu competividade

O aumento do custo com trabalho, medido em dólares, foi o motivo


postado em 06/09/2018 06:00



A competitividade da indústria brasileira caiu em relação aos principais parceiros comerciais do país no ano passado. O motivo foi o aumento do custo com trabalho, medido em dólares, para se produzir uma unidade de produto. No Brasil, esse indicador cresceu mais do que naqueles países, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com a entidade, o Custo Unitário do Trabalho Efetivo (CUT) aumentou 5,4% em 2017.

O gerente executivo de Pesquisas da CNI, Renato da Fonseca, explicou que o CUT é calculado com base nos salários pagos, na produtividade dos trabalhadores e na taxa de câmbio. O indicador cresceu pelo segundo ano consecutivo, acumulando alta de 11% de 2015 a 2017. Segundo a pesquisa, nesse período, a produtividade do trabalho avançou mais que o salário real (4,1% contra 2%).

Isso ocorreu devido à queda dos salários e ao maior esforço de trabalhadores e empresas para preservar o emprego durante a crise. No entanto, o ganho da produtividade não foi suficiente para compensar a valorização da moeda brasileira (em 13,2%) frente à média das moedas dos principais parceiros comerciais do Brasil, tais como Argentina e Coreia do Sul.

Para Fonseca, o cenário ainda é positivo. “A produtividade cresceu nos últimos anos. Isso é bom porque, no acumulado, ela (a produtividade) aumentou mais que o salário”, explicou. Fonseca explicou que, nessa situação, é possível aumentar o salário do trabalhador sem comprometer o custo, uma vez que a produtividade ainda é relativamente alta. “O Brasil só não ficou mais competitivo por causa do câmbio”, observou. Ele advertiu, no entanto, que, se depender dos atuais patamares do câmbio, que encarecem a compra de insumos no exterior, a produtividade pode voltar a cair.

Fonseca disse que a produtividade continua crescendo em 2018. “Mesmo com os problemas que vieram com a greve dos caminhoneiros, a produtividade ainda cresce. Próximo de zero, mas cresce, e deve ser positiva até o fim do ano”, explicou. Ele acrescentou que o salário também não está crescendo muito neste ano, mas que o câmbio, agora, deve ajudar.

Para o assessor da presidência da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o efeito do câmbio, a longo prazo, deve ser positivo para a indústria. “O custo sobe porque existem insumos utilizados pela indústria que são importados”, explicou. Porém, na hora de exportar, a situação é vantajosa. “Agora eu vou vender os produtos mais baratos e, assim, fico mais competitivo no mercado lá fora”, analisou.

Segundo Rafael Cagnin, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a desvalorização cambial ajuda a competitividade tanto dentro como fora do país. “Dentro, porque o produto importado fica mais caro e o importador precisa procurar preços melhores no próprio país. E fora, porque barateia o produto brasileiro no comércio internacional”, disse. Ele explica que esse impacto pode não acontecer imediatamente, já que o produto industrial não é uma commodity e, portanto, não está sujeito a essas variações imediatas.

*Estagiário sob supervisão de Odail Figueiredo

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