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Correio Braziliense

Sobe e desce do dólar prejudica vendas de empresas exportadoras

Vaivém das cotações prejudica empresas exportadoras, que normalmente se beneficiam da valorização da divisa. Diante da dificuldade de prever qual será o patamar da moeda nos próximos meses - e negociar preços - muitas acabam adiando as vendas


postado em 13/09/2018 06:00

(foto: Fernanda Caravalho/Fotos Públicas )
(foto: Fernanda Caravalho/Fotos Públicas )

 

As incertezas sobre qual será o patamar do dólar após o primeiro turno das eleições prejudicam toda a economia. O sobe e desce da moeda norte-americana não tem afetado apenas a inflação — com a elevação dos preços dos produtos — mas também atrapalha as exportações. As expectativas sobre a cotação da divisa são difusas, indo de R$ 3,80 a R$ 4,40, a depender do resultado do pleito. Essa disparidade está impedindo o acerto de negócios. Na falta de uma estabilidade, por mínima que seja, empresas exportadoras estão adiando vendas ao exterior.

Um dólar valorizado favorece as exportações, já que os produtos brasileiros se tornam mais competitivos no mercado internacional, ao mesmo tempo em que tende a reduzir as importações. Especialistas explicam, no entanto, que esse movimento depende de uma taxa de câmbio mais estável, sem a intensa volatilidade que tem dominado o mercado. Flávio Castelo Branco, gerente executivo de Políticas Econômicas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirma que o grande problema das exportadoras é conseguir fechar vendas que serão liquidadas dentro de três meses ou mais.

“Incertezas eleitorais e programas de ajustes que vem aí pela frente vão ditar o tom. Se esses programas forem mais amigáveis às reformas econômicas que o mercado defende, o dólar pode voltar para R$ 3,80 ou até R$ 3,60. Mas, num cenário contrário, a moeda pode ir a R$ 4,50, como alguns analistas preveem. É difícil para as empresas fazerem contas, definir preços e decidir se vão importar ou exportar. Tudo fica mais difícil”, explicou o economista.

Segundo Castelo Branco, não é possível quantificar objetivamente se a valorização recente do dólar teve impacto nas exportações. Ele destacou que, no cenário atual, há mais perdas do que ganhos. “Há um impacto na inflação e negócios deixam de ser fechados devido às incertezas do câmbio”, disse. As únicas companhias que se beneficiam são as que têm produto pronto para exportar “amanhã”, ou seja, a curtíssimo prazo. “As que precisam negociar o preço para daqui a seis meses podem ter prejuízo grande no futuro. Por isso, não fecham negócio”, afirmou.

Especulação

Empresas do setor agrícola são as que mais podem se beneficiar do dólar valorizado. Com grãos no estoque, a venda imediata para o exterior é uma alternativa financeiramente atrativa. O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, disse que, apesar disso, o impacto geral nas exportações tem sido pequeno. “Nos níveis atuais, a cotação do dólar é fruto de muita especulação, por conta do cenário eleitoral. A moeda está muito acima do nível em que deveria estar”, avaliou. “Haverá uma acomodação depois do resultado das eleições. Mas a instabilidade faz as empresas se preocuparem com a precificação dos produtos. Se oferecerem um preço muito competitivo, podem ter prejuízos amanhã”, alertou.

Lívio Ribeiro, pesquisador sênior da Fundação Getúlio Vargas, não desmerece o efeito do panorama eleitoral na instabilidade do dólar, mas ressaltou que a desvalorização do real, neste ano, foi determinada, sobretudo, por fatores externos. “O mundo é o fator preponderante que está depreciando a moeda, dado ao cenário de aversão ao risco”, sintetizou. “O real enfraquecido tende a ter impactos inflacionários. Embora esses efeitos tendam a ser menores nesse período de maior dificuldade financeira dos consumidores, eles existem, principalmente em produtos como a gasolina.”

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