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Correio Braziliense

Previdência complementar é alternativa para garantir renda na velhice

Por meio deles, as pessoas fazem contribuições mensais para formar uma poupança que vai permitir que, após um prazo determinado, recebam uma aposentadoria extra


postado em 16/09/2018 08:00

(foto: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
(foto: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
Diante do rombo das contas da Previdência, que alcançou o recorde de R$ 268,8 bilhões em 2017, e dos reiterados alertas do governo de que, no futuro, é possível que não haja dinheiro suficiente para pagar a todos os beneficiários, a recomendação dos especialistas em finanças é a de que as pessoas não têm outra saída senão poupar, ao longo do período de trabalho, para garantir uma velhice tranquila. Uma das opções  para fugir da armadilha da queda de renda nessa fase da vida são os planos de previdência complementar. Por meio deles, as pessoas fazem contribuições mensais para formar uma poupança que vai permitir que, após um prazo determinado, recebam uma aposentadoria extra.

Como em qualquer projeto de poupança, o tempo é um fator fundamental. “Quanto mais cedo se começar, melhor. As contribuições mensais para quem inicia o pagamento quando é mais jovem são bem menores do que àqueles que deixam para depois, considerando que ambos queiram alcançar a mesma meta”, explicou Ângela Beatriz de Assis, diretora Comercial e de Marketing da Brasilprev, empresa de previdência da BB Seguros.

A estratégia vale para brasileiros com qualquer nível de renda, alta ou baixa. Mas, normalmente, os trabalhadores de salários menos robustos, normalmente os mais penalizados pelo custo de vida, são também os que sofrem mais com a diminuição da renda na aposentadoria. “A título de exemplo, de 1995 a 2012, os aposentados tiveram um reajuste de 183,9%, enquanto o gás de cozinha aumentou  617,7%, tarifa telefônica, 1.058,7%, e medicamentos, 252,1%. Enfim, produtos de necessidade básica subiram mais do que a aposentadoria”, aponta a advogada Carla Batista Baralhas, especialista em direito civil.

As instituições financeiras têm desenvolvido soluções ajustadas para o público que ganha, por exemplo, entre R$ 2 mil e R$ 8 mil. A BB Seguros, por exemplo, criou o Brasilprev Fácil, para o público que ainda não tem o hábito de poupar, com contratação simplificada e valor de aporte acessível.

Nas simulações da BB Seguros, quem poupa R$ 100 por mês, acumula R$ 14,3 mil em 10 anos;  R$ 34,5 mil em 20 anos; e R$ 63,1 mil em 30 anos. Com R$ 200 mensais, o resultado será de R$ 28,6 mil em uma década; de R$ 69,1 mil em 20 anos; e de R$ 126,2 mil em 30 anos. Se a pessoa decidir poupar R$ 300 por mês, serão R$ 43 mil, R$ 103, 7 mil e R$ 189,2 mil, respectivamente.

O que o poupador tem que ter em mente, explicou o diretor da Bradesco Vida e Previdência, Cláudio Leão, é que o modelo de repartição pública, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no qual os trabalhadores ativos pagam os salários dos que estão aposentados, não é mais sustentável.

“É importante que as pessoas se convençam de que precisam ter cobertura de risco. Hoje em dia, todos vivemos mais, portanto precisaremos poupar para ter dignidade quando não tivermos mais o mesmo vigor laborativo”, afirma Leão. Com a previdência complementar, assinala, as diferenças entre o que o cidadão ganhava na ativa e o que ele consegue pelo INSS podem ser reduzidas. E quanto mais cedo a poupança começar, menos o esforço para alcançar um valor suficiente para viver tranquilo.

Pelas simulações da Bradesco Vida e Previdência, para garantir uma aposentadoria de R$ 2 mil mensais, a partir dos 65 anos, a pessoa precisa acumular um total de R$ 357,1 mil. Se ela contribuir por 35 anos, terá de desembolsar R$ 396 por mês para alcançar aquele valor. Se  dispuser de 30 anos, terá de guardar, mensalmente, R$ 520. Mas, se quiser contribuir por apenas 20 anos, o valor mensal necessário sobe para R$ 978. “Há várias simulações possíveis. Mas, é importante que as pessoas se conscientizem de que quem quer tranquilidade tem que adiar parte do consumo”, afirma Leão.

Por mais conservadora que seja, no entanto, a previdência complementar é um investimento de renda variável. Não há benefício definido, esclarecem os especialistas. O que vai ser ganho do futuro depende da boa aplicação dos recursos pelo banco e de situações conjunturais, como inflação, taxas de juros e desenvolvimento econômico. Diante disso, a orientação de Martin Iglesias, gerente de Produtos do Itaú Unibanco, é que se observe a regra chamada de “1369”. Isso significa que, quem tem 35 anos, tem que ter guardado o equivalente a um ano de salário. Aos 45 anos, devem ser três anos de salário. Aos 55 anos, serão seis. E, finalmente, aos 65 anos, nove anos do salário daquele momento da vida.

Dessa forma, a pessoa conseguirá parar de trabalhar e, com os rendimentos do montante acumulado, ter uma renda mensal correspondente a 70% do último salário — valor suficiente, segundo Iglesias, para os gastos na velhice. “Se o beneficiário tiver um terço da renda coberto pelo INSS, com a previdência complementar, ele vai viver até os 100 anos com tranquilidade”, garante.

Para o diretor de investimentos do Santander, Gilberto Abreu, o Brasil está empobrecendo porque uns ganham pouco e outros têm salários altos bancados por toda a população. “O problema é o setor público, em que as pessoas se aposentam com 48 ou 50 anos e com ganhos mensais de até R$ 30 mil ou R$ 50 mil. Dessa forma, é difícil dizer o que vai acontecer no futuro”, explica.

Poucos trabalhadores de baixa renda, no entanto, conhecem a realidade do Brasil. Sentem que precisam apertar o cinto, mas, se não estão empregadas com carteira assinada, nem sequer têm sobras no orçamento para pagar o INSS. Antônio Bernardo Souza dos Santos, 36 anos, trabalha como camelô há 15 anos, vendendo óculos de sol. Ganha cerca de R$ 2,5 mil por mês. “Eu pagava INSS quando era fichado. Mas, depois, parei”, disse. Com dois filhos e cinco netos, ele disse que não tem ideia do que acontecerá no futuro, quando não puder mais trabalhar. “Só Deus na causa, até porque não tenho conhecimento sobre previdência complementar”, diz.

Klayton de Souza França, 58, taxista, está nessa função há 18 anos, com renda em torno de R$ 2 mil. “É difícil calcular o futuro. Vou trabalhando até o dia em que puder. Não tenho outra opção e nunca ouvi falar dessa complementação”, afirma. Seu colega Alexandro Lourenço de Melo, 43, começou a trabalhar com táxi no início desse ano. “Como me aposentar? Não sei. Já tenho 16 anos de contribuição ao INSS de vários empregos anteriores. Vou ver como vai ficar.” Ele diz que pensou em pagar de uma vez algumas lacunas no recolhimento à Previdência. Mas, chegou à conclusão de que era muito caro. “Tenho que pensar muito bem o que vou fazer da minha vida. O problema é que algumas informações, como essa, por exemplo, de previdência complementar, não chegam facilmente até nós”, lamenta.

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