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Correio Braziliense

Maioria dos deputados que votaram pela reforma da Previdência não se reelegeu

Apenas cinco continuarão no Congresso pelos próximos quatro anos. Já dos 14 que votaram contra, 10 conseguiram se reeleger


postado em 09/10/2018 11:00 / atualizado em 09/10/2018 11:55

Protesto contra a reforma da Previdência, durante Reunião Ordinária(foto: Gilmar Felix/Camara dos Deputados)
Protesto contra a reforma da Previdência, durante Reunião Ordinária (foto: Gilmar Felix/Camara dos Deputados)

 

Mesmo tendo ficado à margem nas discussões eleitorais do primeiro turno, o fracasso da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados reverberou nas urnas. Dos 23 parlamentares que votaram a favor da Proposta de Emenda à Constituição, que modifica as regras para concessão de aposentadoria e pensão na Comissão Especial da reforma, apenas cinco continuarão no Congresso pelos próximos quatro anos. Já dos 14 que votaram contra, 10 conseguiram se reeleger.

Durante a tramitação da PEC, era recorrente o alerta dos opositores da reforma sobre o risco de derrota das urnas nas eleições deste ano. Muito parlamentares favoráveis à reforma disseram na época que votariam contra a proposta pela proximidade com as eleições.

A aprovação da reforma da Previdência na Comissão Especial ainda em 3 de maio de 2017 por uma ampla margem - 23 a 14 votos - sinalizava o caminho aberto para a votação da PEC no plenário. Mas o vazamento de áudios de conversas entre o presidente Michel Temer e do dono da JBS, Joesley Batista, 14 dias depois, acabou sepultando as tentativas de votação do texto.

Passados 17 meses daquela votação na comissão, a maioria dos deputados que garantiram a vitória do governo não conseguiu vencer nas urnas. O relator da reforma, Arthur Maia (DEM-BA), é um dos poucos que receberam mais um mandato dos eleitores. Os outros reeleitos foram Bilac Pinto (DEM-MG), Magda Mofatto (PR-GO), Junior Marreca (Patriotas-MA) e Vinicius Carvalho (PRB-SP).

Levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo e pelo Broadcast (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) mostrou que a lista dos derrotados nas urnas é extensa, formada por 14 deputados, incluindo um dos principais nomes da "tropa de choque" de Temer na Casa, Darcísio Perondi (MDB-RS).

Outros cinco integrantes nem chegaram a concorrer nas eleições deste ano. Alexandre Baldy (PP-GO) e Carlos Marun (MDB-MS), porque ocupam, respectivamente, os Ministérios das Cidades e da Secretaria de Governo. Já Reinhold Stephanes (PSD-PR), Evandro Gussi (PV-SP) e Thiago Peixoto (PSD-GO), optaram por não disputar um novo mandato.

'Injustiça'


Para o presidente da Comissão Especial na época, o atual ministro da Secretaria de Governo, Marun, foi uma "evidente injustiça" a derrota nas urnas dos apoiadores da reforma.

"Talvez não tenha havido entendimento sobre a necessidade de aprovação da reforma", avaliou. Segundo ele, se a reforma tivesse sido aprovada, as pessoas teriam vivido uma melhoria econômica.

O ministro disse que só vai ser possível colocar o texto em votação se o presidente eleito tiver disposição e também entender a reforma como necessária. "Existe a nossa disposição. O presidente Temer gostaria de aprovar a reforma. Não vamos, logo após uma eleição, avançar numa atitude, numa área tão nervosa como essa, sem que haja respaldo", afirmou. "Quem quiser governar com responsabilidade vai ter de fazer a reforma. Se conseguir fazer este ano vai ter ganho no ano que vem", completou.

Para a equipe de Temer, a incoerência entre os responsáveis pela economia no programa de Bolsonaro e os aliados políticos do capitão reformado é um impedimento à aprovação do texto que coloca, por exemplo, a exigência de idade mínima de 65 anos (homens) e 62 (mulheres) para se aposentar no País, com um regra de transição de 20 anos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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