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Correio Braziliense

Stone sonha com bolsa de valores norte-americana

Companhia brasileira de meios de pagamento faz pedido de registro na Nasdaq e poderá ser avaliada em R$ 35 bilhões. Foco da empresa está na expansão de negócios de pequeno porte


postado em 10/10/2018 06:00 / atualizado em 09/10/2018 23:34

(foto: Divulgação/Stone)
(foto: Divulgação/Stone)

Rio de Janeiro 
– Depois do sucesso retumbante do IPO (oferta pública inicial de ações na sigla em inglês) da PagSeguro, o mercado deve medir a Stone, a próxima credenciadora de cartões a se listar na bolsa, com a mesma régua que usou para avaliar a dona da Moderninha. Uma espiada nos modelos de negócios sugere que a melhor comparação da Stone talvez seja com a Square, a empresa de meios de pagamento fundada por Jack Dorsey, que também criou o Twitter. Tanto a Stone quanto a Square servem ao mesmo tipo de cliente e funcionam como uma plataforma capaz de adicionar novos produtos ao longo do tempo.

Até pouco tempo atrás, não era bem assim. A Square começou com um modelo de negócios parecido com o da PagSeguro: focado em microcomerciantes que pediam on-line e recebiam pelo correio o leitor de cartões da empresa — um quadradinho, daí o nome ‘Square’. Em sua última rodada de capital antes do IPO, a Square era avaliada em US$ 3,5 bilhões.  Depois do IPO, no final de 2015, a companhia passou a adotar estratégia mais parecida com a da Stone, focada em comerciantes formais, com lojas físicas. Agora, vale US$ 35 bilhões na Bolsa de Nova York.

Dona de 5,4% do mercado brasileiro de transações com cartão, a Stone entrou com a documentação para fazer o IPO na Nasdaq, uma das bolsas de valores dos Estados Unidos que concentra empresas de tecnologia. Não está claro se a oferta será lançada antes do segundo turno das eleições, mas, a despeito do barulho político no Brasil, a operação deve atrair o mesmo perfil de investidor que garantiu o sucesso da PagSeguro: gestores globais de fundos de tecnologia e mercados emergentes.

Goldman Sachs, JP Morgan e Citigroup são os coordenadores globais, e o sindicato inclui ainda Itaú BBA, Credit Suisse, Morgan Stanley, BofA, Merrill Lynch e BTG Pactual. Segundo gestores debruçados sobre os documentos da oferta, a Stone pode lucrar R$ 300 milhões neste ano. Não é só. O lucro de R$ 300 milhões pode decolar para a casa de R$ 1 bilhão em 2019 — como ocorreu com a PagSeguro na virada de 2017 para 2018.

As comparações com a PagSeguro são inevitáveis.  A empresa da família Frias negocia a cerca de 25 vezes o lucro estimado para 2019. Aplicando o mesmo múltiplo, analistas estimam que a Stone pode ter um valor de mercado de R$ 25 bilhões a R$ 35 bilhões.

A Stone processa um pouco mais de transações que a PagSeguro. Usando como base os números do segundo trimestre de ambas as companhias, a Stone deve processar, este ano, cerca de R$ 74 bilhões, acima dos R$ 68 bilhões da concorrente.

Grande diferença entre as empresas é a estrutura de capital. Enquanto a PagSeguro se financia apenas com os recursos de seu IPO (equity), a Stone criou um fundo de investimento de R$ 1 bilhão no ano passado e outras estruturas de financiamento semelhantes. Essas fontes de recursos permitem à empresa financiar as operações de pré-pagamento de seus clientes a um custo mais baixo do que uma linha bancária comum. O dinheiro do IPO deve aumentar a capacidade de financiamento da empresa e, consequentemente, sua lucratividade.

Outra diferença é que enquanto a Stone cresceu concorrendo com o antigo duopólio no setor (Rede e Cielo), a PagSeguro criou um nicho de mercado, o de microempreendedores individuais (MEIs), que agora está sendo atacado agressivamente por outros players. Diferentemente da PagSeguro, a Stone tem força de distribuição própria que interage diretamente com os lojistas. A empresa nunca divulgou seu número de vendedores, mas seus times comerciais (equipes integradas de vendas, serviços e suporte) estão organizados em cerca de 180 grupos, os chamados Stone Hubs espalhados pelo país, e são a chave do relacionamento da companhia com o cliente.

No prospecto da oferta, a Stone diz ter mais de 200 mil clientes ativos no Brasil, e sugere que vai explorar esse canal de distribuição para oferecer outros produtos, como programas de fidelidade.  A Stone também afirma que está explorando “oportunidades de negócios complementares em setores adjacentes, como digital banking e soluções de software verticais específicos.” No Brasil, há 8,8 milhões de CNPJs de pequenas e médias empresas — é esse o foco da companhia.

A Stone é a quarta empresa fundada por André Street, um empreendedor serial que fez sua primeira empresa aos 15 anos e a vendeu aos 20. Antes da Stone, Street e seu sócio, Eduardo Pontes, fundaram ou investiram em outras companhias de meios de pagamento, como a Braspag, a Moip e o Sieve Group. O IPO vem num momento de concorrência sem precedentes numa indústria que está sendo redesenhada por tecnologias mais modernas, que permitem criar novas funcionalidades para o cliente, e por reguladores interessados em promover a concorrência, como o Banco Central e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

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