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Correio Braziliense

Consumo reage e Mondelez quer expandir negócios no Brasil

Com receita de US$ 25,7 bilhões em 2017, fabricante gigantesca de alimentos investe na diversificação, em produtos mais saudáveis e nas vendas on-line


postado em 10/10/2018 06:00 / atualizado em 10/10/2018 10:45

Fábrica da Mondelez em Curitiba: país participa com 46% do bolo das vendas na América Latina(foto: Mondelez/Divulgação)
Fábrica da Mondelez em Curitiba: país participa com 46% do bolo das vendas na América Latina (foto: Mondelez/Divulgação)

São Paulo –
 Nas últimas duas décadas, os períodos de crescimento econômico foram puxados principalmente pelo aumento do consumo das famílias. Fabricantes de alimentos, como a americana Mondelez, líder no mercado brasileiro, surfaram nessa onda e fizeram do país um de seus principais mercados globais. Porém, a recente crise econômica colocou freio no ritmo de expansão, o que obrigou muitas empresas a rever seus planos. Entre vários exemplos, a Pfizer repassou sua divisão de nutrição à Nestlé e a Danone vendeu parte de sua fatia na Yakult.


A reviravolta do mercado, no entanto, não parece ter assustado a Mondelez. A empresa calcula que, puxada pelo desempenho Brasil, encerrará o ano com aumento de 17,9% nas vendas na América Latina, o que significará faturamento de US$ 53,20 bilhões. O Brasil responde por fatia de 46% do bolo da região. “O mercado brasileiro tem um imenso potencial de crescimento”, afirma Grazielle Parenti, diretora de assuntos corporativos e governamentais da Mondelez. “Superamos as dificuldades provocadas pela crise econômica e avançamos em todos os níveis.”

A estratégia da operação brasileira da Mondelez tem seguido à risca a cartilha global da companhia de fortalecer as operações regionais, consolidar os negócios com vendas pela internet e ampliar sua presença no segmento de alimentos mais saudáveis. “A alimentação saudável é uma tendência mundial e projetamos aumento gradual e consistente dos produtos feitos a partir de matérias-primas orgânicas”, afirma Grazielle.

O plano mais do que se justifica. Um relatório da agência de pesquisas Technavio estima crescimento anual de 6% do mercado global de alimentação saudável até 2020. Para o Brasil, a agência Euromonitor Internacional projetou expansão anual de 4% desse mercado até 2021.

“Todas as grandes empresas globais de alimentos vivem hoje um grande desafio pela frente, com a necessidade de rever as formulações de seus produtos e, assim, cultivar uma imagem positiva diante do consumidor”, diz Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, especializado em pesquisa e estratégia. “Cada vez mais, o consumidor vai buscar informação, e vai começar a exigir mais da indústria para que entregue qualidade e transparência na composição do produto.”

Dentro desse novo cenário, e para refletir suas prioridades de crescimento centradas no consumidor, a Mondelez criou uma espécie de movimento de conscientização, anunciando seu novo propósito: “Snacking Made Right”. A assinatura está baseada na premissa de entender os desejos e hábitos dos consumidores para oferecer o snack certo, para o momento certo, feito da maneira certa, conveniente para diversas ocasiões, e com ingredientes de fontes sustentáveis. Mas, inegavelmente, a missão é gigantesca, já que nem tudo que a empresa produz pode ser considerado amigo da boa forma.

A companhia é dona de marcas bem conhecidas do consumidor brasileiro, como chocolates Lacta e Bis, bombom Ouro Branco, biscoito salgado Club Social, chicletes Bubbaloo e Trident, bolacha recheada Trakinas, pastilhas Halls, requeijão Philadelphia, refresco em pó Tang, entre outros itens. Atualmente, a Mondelez opera por meio de 700 mil pontos de venda e três fábricas, em São Paulo, no Paraná e em Pernambuco.

Segundo a consultoria Euromonitor, a Mondelez é líder em três das cinco áreas em que atua no país. Detém 69% do mercado de gomas, 54% de balas e 52% de sucos em pó. A empresa também lidera em chocolates (30%) e ocupa o terceiro lugar no ranking de biscoitos (8%).

Digitalização

 


Um dos principais pilares – se não for o principal – do plano estratégico da Mondelez é a digitalização de sua estrutura de distribuição. A companhia espera dobrar o volume de vendas pelo e-commerce no ano que vem, depois de crescer estimados 15% em 2018.

Para isso, a empresa encomendou à Metrixlab uma inédita pesquisa para melhor compreender os hábitos dos brasileiros nos canais de compras on-line. O levantamento mostra que o estímulo nas compras digitais é mais racional. Predominam as escolhas nos critérios de preço e variedade, em ambiente dominado pelas mulheres. “O consumidor brasileiro amadurece em relação à compra on-line. Podemos contribuir para consolidar essa transformação”, afirma Maria Clara Batalha, head de e-commerce da Mondelez Brasil.

Segundo a executiva, a companhia vai priorizar os canais de venda que têm apresentado crescimento acelerado. Para o e-commerce, a meta é ampliar o faturamento mundial para US$ 1 bilhão até 2020. Hoje, 40% dos investimentos em marketing ocorrem no ambiente digital, dentro da estratégia adotada principalmente nos últimos três anos.

“No Brasil, temos duas grandes iniciativas digitais, a Loja Lacta e a Loja Mondelez, que impulsionam as vendas de pequenos varejistas, como bares, restaurantes e padarias, fortalecendo nossa cobertura nacional”, diz Maria Clara. “Para multiplicar nossas vendas, o objetivo é ter forte presença em todos os ambientes, seja no varejo tradicional, seja no ambiente on-line.”

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