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Correio Braziliense

Especialistas da UnB e do Ipea trabalham no programa econômico de Bolsonaro

Professores instalados em Brasília integram, ao lado de profissionais do Rio e de São Paulo, as equipes que detalham o programa econômico que deve ser adotado pelo candidato do PSL, Jair Bolsonaro, caso vença as eleições


postado em 11/10/2018 06:00 / atualizado em 11/10/2018 13:03

Roberto Ellery, professor de Macroeconomia da UnB:
Roberto Ellery, professor de Macroeconomia da UnB: "Pode ser que eu chegue lá e eles me mandem embora por detestar o que estou dizendo. Não tenho pretensão de cargo. Vou com o espírito de apresentar ideias. Se serão aceitas, não sei" (foto: Reprodução/Facebook )


O programa de governo do candidato Jair Bolsonaro (PSL) mobiliza um grande contingente de economistas, com equipes de cinco a seis pessoas para cada tema. Além de profissionais renomados do eixo Rio-São Paulo, professores da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com sede na capital, engrossam o time de especialistas responsáveis pelo desenho do projeto econômico de governo do candidato que lidera as pesquisas.

Próximo de integrantes das equipes — tanto do eixo Rio-SP quanto de Brasília —, o ex-diretor do Banco Central (BC) Carlos Eduardo de Freitas avaliou como “espetaculares” os nomes que compõem o time. “Todos têm como diretrizes a economia de mercado baseada no tripé macroeconômico, o ajuste fiscal, a abertura econômica, privatizações e medidas de estímulo à produtividade”, enumerou.

Freitas destacou nomes do Rio de Janeiro que colaboram com o projeto de Bolsonaro: Maria Sílvia Bastos Marques, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); e Roberto Castello Branco, doutor em Economia pela Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas, que também foi diretor do BC. Ele ressaltou a  participação de quadros de Brasília, como o do professor de macroeconomia da UnB Roberto Ellery.

Conhecido por fazer duras críticas ao PT, Ellery aceitou integrar uma das equipes formadas pela coordenação de Bolsonaro. O professor, no entanto, nega que vá participar do governo caso o candidato do PSL vença o segundo turno. Ellery já havia sido convidado a integrar o time de produtividade pelo diretor-adjunto de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais do Ipea, Adolfo Sachsida, responsável pelo recrutamento de economistas para Bolsonaro. Porém, recusou o primeiro convite.

“Na pré-campanha, conversei com várias coordenações e, pessoalmente, com os candidatos Ciro (Gomes, do PDT) e Alvaro Dias (Podemos). Mas, sobretudo, conversei muito com o Sachsida, que é meu amigo há 20 anos, desde que entrei no Ipea, em 1998”, contou. Segundo o professor, Sachsida ligou novamente na segunda-feira passada e fez um “ultimato de amigo”. “Ele me disse: agora precisamos de você para a parte de macroeconomia.”

O professor trabalha com crescimento econômico, com ênfase em produtividade, e defende a manutenção do tripé macroeconômico. “A disciplina fiscal é importante. O Banco Central tem que ter compromisso com a inflação e trabalhar para reduzi-la. E o câmbio tem que ser flutuante, definido pelo mercado”, disse. Ellery ainda não teve nenhuma reunião com a coordenação de campanha, nem com os colegas. “Pode ser que eu chegue lá e eles me mandem embora por detestar o que estou dizendo. Não tenho pretensão de cargo. Vou com o espírito de apresentar ideias. Se serão aceitas, não sei”, disse.

Desafios

Concursado do Ipea, Ellery trabalhou no instituto por quatro anos. Abdicou de um salário maior para lecionar na UnB, onde está desde 2002. Já foi chefe de departamento, coordenador de pós-graduação e diretor da Faculdade de Economia. Atualmente é professor de Macroeconomia. “Estou feliz na UnB. É minha casa”, completou.

Além de Sachsida, pelo menos mais três nomes do Ipea estão na equipe de Bolsonaro. O ex-presidente da entidade Sergei Soares e os técnicos José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho e Márcio Bruno Ribeiro. Neste ano, o órgão publicou um trabalho extenso chamado Desafios da Nação, que trata da agenda que o Brasil precisa adotar para recuperar a economia e outras áreas. A intenção é definir um modelo com resultado de longo prazo que “transcenda” os governos. O documento foi costurado junto com a equipe econômica do atual governo.

Guru econômico da candidatura bolsonarista, Paulo Guedes tem se reunido com representantes dos ministérios do Planejamento e da Fazenda para a transição. Eles têm se empenhado em demonstrar que será mais fácil a tarefa do futuro presidente se a reforma da Previdência for aprovada neste ano. Bolsonaro, porém, refutou a ideia.

Guedes e o candidato do PSL ainda terão muito a conversar sobre o que pretendem fazer na economia. Não há total consenso. O guru já foi desautorizado quando tratou de CPMF. Ontem, Bolsonaro disse que o setor de energia é estratégico e pode ficar de fora da “onda” de privatizações defendida pelo assessor. “Eu falei para o Paulo Guedes que, em energia, a gente não vai mexer”, comentou. Na bolsa, as ações ordinárias da Eletrobras caíram mais de 9%.

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