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Correio Braziliense

Se Bolsonaro for eleito, Previdência pode ser votada ainda neste ano

Líder nas pesquisas, Bolsonaro diz que, se eleito presidente, pretende defender a aprovação do texto no Congresso antes de tomar posse do cargo


postado em 21/10/2018 08:00

(foto: Mauro Pimentel/AFP)
(foto: Mauro Pimentel/AFP)
 
Se eleito presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL) chamará os parlamentares para tratar da reforma da Previdência ainda neste ano. Ele fala até mesmo em apelar para o %u201Cpatriotismo%u201D dos servidores públicos. Em entrevista à Rede Vida, transmitida ontem à noite, ele explicou as linhas gerais do que pretende fazer, sem entrar em muitos detalhes. %u201CDá para dar um pequeno passo agora. Melhor que não dar passo nenhum. Costumo chamar de remendo novo em calça velha, não dá jeito. Mas, se conseguirmos dar um passo agora, não nessa proposta do Temer, uma nossa, mais light. Deixar para o ano que vem uma proposta mais profunda%u201D diz ele. %u201CNão podemos prejudicar quem quer que seja, temos que respeitar as especificidades de cada trabalhador. Quem trabalha no ar-condicionado é diferente de quem trabalha virando massa por aí ou cortando cana%u201D, afirma Bolsonaro.

O candidato do PSL considera "injusto" a idade mínima valer para todo mundo. "Eu, como parlamentar, posso trabalhar até os 90 anos, mas, se fosse um pescador, não teria condição", afirma. Ele considera que, no caso da previdência pública (servidores) "dá para dar uma mexida, respeitando o servidor, sua estabilidade. Podemos dar um passo", afirma ele. Atento à realidade dos números, é direto: "A gente apela para o patriotismo deles, até porque o que está pintado aí é que a Previdência vai quebrar e nós não queremos falar, olha, quebrou, não tem o que fazer. Não quero ser uma Grécia. É melhor garantir 90% do que ter 100% e não receber nada", argumenta o presidenciável.

A intenção de Bolsonaro de mexer imediatamente na reforma previdenciária caso seja eleito tende a dividir os parlamentares. Hildo Rocha (MDB-MA) já afirmou, também em entrevista à mesma Rede Vida de Televisão, que o atual Congresso perdeu a legitimidade para fazer essas mudanças constitucionais depois de um número expressivo de deputados ter sido derrotado nas urnas. Outros deputados, em especial os que não se reelegeram, querem deixar alguma marca de contribuição para ajudar na melhoria da economia do país. Ainda não se sabe, porém, qual desses dois grupos é majoritário hoje.

Politicamente, há quem diga que o momento é de defesa da reforma, porque sairá "mais barato para o futuro governo", uma vez que esse Parlamento debateu o tema de forma exaustiva e teria mais condições de analisar rapidamente do que os novos parlamentares, que começariam a tramitação do zero, em fevereiro. Uma reforma agora terá que ser combinada também com o governo do presidente Michel Temer, que teria que suspender a intervenção no Rio de Janeiro para promover a votação de uma emenda constitucional que altere as regras da Previdência. Não é à toa que Bolsonaro comenta, conforme revela a coluna Brasília-DF que, mesmo eleito, não terá o que comemorar.

"Dá para dar uma mexida, respeitando o servidor, sua estabilidade. Podemos dar um passo. A gente apela para o patriotismo deles, até porque o que está pintado aí é que a Previdência vai quebrar"
Jair Bolsonaro, deputado federal (PSL-RJ), candidato à Presidência de República

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