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Correio Braziliense

Plataforma solar flutuante em barragem de hidrelétrica é pioneira no país

Ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, visitou o projeto da Chesf, com investimento de R$ 56 milhões e geração de 5 megawatts, energia suficiente para abastecer 20 mil casas


postado em 28/11/2018 19:26

Placas solares da plataforma flutuante(foto: Saulo Cruz/MME)
Placas solares da plataforma flutuante (foto: Saulo Cruz/MME)

Sobradinho (BA) - Com investimento de R$ 56 milhões, a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) desenvolve um projeto pioneiro que promete ser referência em geração de energia solar com painéis fotovoltaicos flutuantes em reservatórios de hidrelétricas. Por enquanto, a iniciativa implementada no lago da barragem da usina de Sobradinho, no interior da Bahia, ainda está em testes e funciona com uma única plataforma, com 7,3 mil módulos de  placas solares, área total de 10 mil metros quadrados e capacidade de gerar 1 megawatt-pico (MWp). A Usina Flutuante Fotovoltaica deve entrar em operação em dezembro. No ano que vem, serão instaladas mais quatro plantas. Ao todo, as cinco unidades produzirão 5 MWp, energia suficiente para abastecer cerca de 20 mil casas populares.

Nesta quarta-feira (28/11), o Ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, visitou a usina fotovoltaica flutuante de Sobradinho e disse que o atual modelo centralizado do setor energético brasileiro não beneficia o consumidor. Segundo ele, é preciso diversificar as fontes de energia para buscar energia mais barata. “Temos que aumentar a produção de energia. Se não tivéssemos tido a maior crise econômica da história, teríamos apagão. Se o país crescer a uma taxa de 2,5% ao ano, vai faltar energia”, alertou. Por isso, ressaltou, é preciso avaliar novos modelos de geração. “O atual gera uma das energias mais caras do mundo. O consumidor brasileiro precisa pagar menos”, afirmou. 

O projeto da Chesf tem o objetivo de pesquisar a viabilidade técnica, econômica e ambiental de plantas flutuantes em reservatórios de hidrelétricas e avalia a eficiência da tecnologia fotovoltaica resfriada naturalmente pela água, uma vez que as placas perdem eficiência sob forte calor. Também serão avaliados os impactos da usina flutuante no meio ambiente e nas atividades de pesca e navegação no lago da represa.

Para modernizar o setor elétrico, é necessário que se faça muita pesquisa e desenvolvimento (P&D), disse o ministro. “Temos que diversificar nossas fontes, buscar energia solar, eólica e hídrica, testando todas. Usar termelétricas com gás, biocombustível. Temos que aproveitar que, no Nordeste, há muito sol e vento, que são fontes de energia mais baratas”, destacou.

O presidente da Chesf, Fabio Alves, explicou que a companhia vai investir R$ 420 milhões em P&D até 2023, com foco no avanço dos estudos de tecnologias em geração solar e projetos de inovação. “A Chesf é uma das maiores empresas de geração do país e tem 100% do seu parque de energia limpa e renovável. Além das hidrelétricas, há investimento em transmissão. A empresa está expandindo seu parque eólico e vem desenvolvendo projetos de pesquisa em energia solar, como a planta flutuante”, disse.

O projeto integra o Centro de Referência em Energia Solar de Petrolina (Cresp), que já implantou, em sua primeira etapa, uma planta em terra de 2,5 MWp. A carteira de projetos a serem implantados pelo Cresp soma R$ 200 milhões em investimentos, incluindo a usina flutuante.

De acordo com o gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Chesf, José Bione, o desafio da usina flutuante é que não está instalada em águas paradas, mas num rio e em uma barragem, na qual, por vezes, são abertos vertedouros. “O projeto piloto começou em 2016, agora, estamos desenvolvendo uma forma de ancoragem inovadora, porque é uma água corrente e a plataforma tem de acompanhar o movimento da água”, explicou.

As placas já têm capacidade de gerar energia, mas ainda falta a conexão da planta com a usina hidrelétrica da Chesf em Sobradinho, que tem capacidade instalada para produzir 1.050 MW, porém, atualmente, gera 180 MW, utilizando duas das seis turbinas por conta da falta de vazão da água. “Em dezembro, vamos instalar as conexões que levarão a energia em corrente contínua produzida pelas placas solares a um contêiner, no qual equipamentos a transformarão em eletricidade de corrente alternada, própria para injetar no sistema”, detalhou.

Potencial

Conforme o ministro Moreira Franco, a Usina Flutuante Fotovoltaica do lago de Sobradinho é uma experiência que, além de testar a capacidade da fonte, também pretende criar uma cultura de inovação. “Não só para quem produz energia, mas também para quem fabrica equipamentos para o desenvolvimento da fonte solar. Com isso, poderemos ampliar a infraestrutura e aumentar a nossa produção de energia”, disse.

Uma vez que os testes comprovem a eficácia do sistema, o governo vai levar autoridades ambientais para conhecerem o projeto e analisarem o impacto das placas nos lagos. “Temos que garantir as condições ambientais adequadas ao mesmo tempo em que queremos criar condições para que o potencial produtivo destas fontes possa ser desenvolvido”, disse Moreira Franco.

Para o Vale do Rio São Francisco, a experiência da Chesf pode criar uma base econômica que abra alternativas e oportunidades iguais às regiões mais ricas do país, apontou o ministro. “Para isso, nós precisamos usar todo o potencial que essa região tem, de sol e vento, para produzir energia, que é uma fonte, não só de emprego, mas de produção de renda e riqueza”, completou.

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