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Correio Braziliense

PIB cresce 0,8% no terceiro trimestre do ano, revela IBGE

Alta ficou em linha com mediana das estimativas do mercado e foi puxada, principalmente, pelos investimentos que tiveram alta de 6,6% na comparação com o segundo trimestre


postado em 30/11/2018 09:41 / atualizado em 30/11/2018 16:14

Os dados do IBGE mostram que a agropecuária foi o setor que mais impulsionaram o PIB pela ótica da oferta do terceiro trimestre(foto: Rafael Ohana/CB/D.A Press)
Os dados do IBGE mostram que a agropecuária foi o setor que mais impulsionaram o PIB pela ótica da oferta do terceiro trimestre (foto: Rafael Ohana/CB/D.A Press)

A economia brasileira cresceu 0,8% no terceiro trimestre, na comparação com os três meses anteriores, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do Produto Interno Bruto (PIB), divulgados nesta sexta-feira (30/11). O PIB — a soma de todas as riquezas produzidas pelo país — chegou a R$ 1,716 trilhão entre julho e setembro.

O investimento foi o principal motor do crescimento, com alta de 6,6% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) do trimestre em relação ao anterior, segundo o órgão. Contudo, analistas avisaram que o crescimento do investimento está inflado com a contabilização pelo IBGE de plataformas antigas de petróleo, que foram exportadas apenas contabilmente no passado, mas nunca saíram do país. Agora essas plataformas estão sendo registradas como importações e entrando na conta de investimento, devido às mudanças no Repetro.

O resultado do PIB veio em linha com a mediana das estimativas do mercado para o terceiro trimestre, com apostas variando entre 0,4% e 1,1%. No segundo trimestre, a economia cresceu apenas 0,2%, na margem, em meio à greve dos caminhoneiros que travou a economia após o PIB registrar leve alta de 0,2% nos primeiros três meses do ano, conforme os dados revisados do IBGE. Antes da revisão, a alta tinha sido de 0,1%. A expansão do PIB em 2017 também teve mudança, passando de 1% para 1,1%.

Os dados do IBGE mostram que a agropecuária foi o setor que mais impulsionou o PIB pela ótica da oferta do terceiro trimestre, com alta de 0,7% em relação ao trimestre anterior. Contudo, indústria e serviços também registraram crescimento, de 0,4% e 0,5%, respectivamente. Do lado da demanda, além dos investimentos, que foram o principal motor da demanda, o consumo das famílias mostrou sinais de retomada e cresceu 0,6% na mesma base de comparação. Os gastos do governo tiveram alta de 0,3%, ficando estável. As exportações cresceram 6,7% no mesmo período. Já as importações tiveram queda de 10,2%.

Em comparação com o terceiro trimestre de 2017, a alta do PIB entre julho e setembro foi de 1,3%. A agropecuária cresceu 2,5% em relação a igual período do ano anterior, segundo o IBGE, que atribuiu esse resultado, principalmente, pelo crescimento e ganho de produtividade do café (26,6%) e algodão herbáceo (28,4%).

A indústria registrou alta de 0,8% na comparação com o terceiro trimestre de 2017. A indústria  de transformação cresceram 1,6%, principalmente, devido ao aumento da fabricação de veículos, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis e de celulose e papel. A construção foi o único segmento da indústria que registrou queda, de 1,0%, sendo a 18ª redução consecutiva nessa comparação.

José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), lamentou mais um desemprenho negativo da construção civil. Segundo ele, essa trajetória de queda na comparação interanual impede um crescimento mais robusto da economia. "No terceiro trimestre, o setor demonstrou breve reação (em relação aos três meses anteriores), mas não suficiente para indicar recuperação. Sem a construção o Brasil não cresce”. Os dados divulgados hoje indicam que, se o ano terminasse em setembro, a construção teria queda de 2,5% no PIB, enquanto o Brasil cresceria 1,4%.

O setor de serviços teve expansão de 1,2% em relação ao mesmo período de 2017, com destaque para o crescimento de atividades imobiliárias (3,2%), transporte, armazenagem e correio (2,9%).

Pela ótica da despesa, o consumo das famílias registrou resultado positivo pelo sexto trimestre seguido, com alta de 1,4%. Este resultado, segundo o IBGE, foi influenciado pelas circunstâncias de alguns indicadores macroeconômicos ao longo do trimestre como a menor taxa de juros, acesso ao crédito e uma melhora no mercado de trabalho em comparação com o terceiro trimestre de 2017.

A FBCF registrou alta de 7,8% no terceiro trimestre de 2018 em relação ao mesmo período de 2017. Conforme os dados do instituto, esse desempenho foi impulsionado pela incorporação de bens destinados à indústria de óleo e gás decorrente de modificações no regime Repetro.

As exportações apresentaram crescimento de 2,6% na comparação anual, enquanto que as importações aumentaram em 13,5%.

De acordo com a gerente das contas nacionais do IBGE, Claudia Dionísio, a grosso modo, se forem descontadas as plataformas antigas, o crescimento dos investimentos passariam de 7,8% para 2,7% no trimestre, em comparação com o mesmo intervalo do ano passado. Enquanto isso, a alta das importações, passaria de 13,5% para 6,9%, na mesma base de comparação. “Mas, de qualquer forma, o investimento continuaria positivo e acima da alta de 1,3% do PIB na comparação interanual, o que é positivo”, destacou.

No acumulado em quatro trimestres, a economia registrou expansão de 1,4%. A alta acumulada do PIB no ano foi de 1,1%.

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