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Correio Braziliense

Comunicado final de encontro do G20 defende reforma da OMC

Comunicado final do encontro do grupo que reúne as maiores economias diz que desenvolvimento global tem aumentado a desigualdade entre países, afirma que Acordo de Paris é "irreversível" e propõe mudança nas regras comerciais


postado em 02/12/2018 07:00 / atualizado em 01/12/2018 22:43

A alemã Angela Merkel ouve Trump na reunião dos líderes: contra a maioria, EUA reiteram a decisão de deixar o tratado sobre o clima (foto: AFP )
A alemã Angela Merkel ouve Trump na reunião dos líderes: contra a maioria, EUA reiteram a decisão de deixar o tratado sobre o clima (foto: AFP )


Buenos Aires — O comunicado final da reunião de cúpula do G20, grupo que reúne as 19 maiores economias do mundo e a União Europeia, avalia que o crescimento mundial ainda segue forte, mas reconhece que ele tem se tornado “crescentemente” mais desigual entre os países. Além disso, riscos-chaves, incluindo a vulnerabilidade financeira, se materializaram parcialmente. 
O texto nota que há “questões comerciais” afetando a economia mundial, sem mencionar abertamente a escalada de medidas protecionistas adotadas por membros do grupo, nem a guerra comercial entre EUA e China. Os líderes reafirmam a contribuição do sistema multilateral de comércio, mas reconhecem que há espaço para melhora. “Nós apoiamos uma necessária reforma na OMC para melhorar seu funcionamento”, diz o texto, sem deixar claro que regras poderão ser modificadas.

Os líderes do grupo reafirmam a intenção de usar todos os instrumentos possíveis para se alcançar um crescimento forte, sustentável e equilibrado e trabalhar para conter riscos de piora da atividade. “A política monetária vai continuar a apoiar a atividade econômica e assegurar a estabilidade de preços”, ressalta o texto, que também fala da necessidade de se avançar com reformas estruturais, da construção de amortecedores fiscais, assegurando que a trajetória da dívida pública é sustentável. 

Sobre o Acordo de Paris, voltado a combater o aquecimento global, o comunicado explicita que os países signatários do tratado reafirmaram o compromisso com sua implementação completa, refletindo responsabilidades comuns e diferenciadas, conforme suas respectivas capacidades e circunstâncias próprias. O documento menciona que, para os membros do acordo, ele é “irreversível”. “Vamos continuar a lidar com a mudança climática enquanto promovemos o desenvolvimento sustentável e o crescimento econômico”, diz o texto.

No comunicado, os Estados Unidos, porém, reiteraram sua decisão de deixar o Acordo de Paris e afirmam o compromisso com o crescimento econômico, assegurando o uso de todos os tipos de fontes de energia e de tecnologias, além da proteção ao meio ambiente. 

Abertura

Após o encontro, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, disse que seu país e o Brasil querem se abrir ao comércio internacional e buscar mais acordos internacionais por meio do Mercosul. “Demos conta de que nos equivocamos e que os países que se abriram nos últimos 20 anos foram os que mais cresceram, muito mais que Argentina e Brasil”, afirmou. 
Macri diz esperar que avancem as negociações sobre possíveis acordos bilaterais com União Europeia, Canadá, Cingapura e Japão. “Há várias negociações abertas”, disse ele. Mais cedo, o primeiro-ministro de Cingapura, Lee Hsien Loong, teve reunião com Michel Temer e falou da intenção de seu país de um acordo bilateral com o Mercosul. O presidente eleito, Jair Bolsonaro, foi convidado, mas não participou do encontro.

Jantar para amenizar tensões
O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que tanto ele quanto o presidente norte-americano Donald Trump têm boas visões para um desenvolvimento saudável e estável das relações entre China e EUA. Durante um jantar de negócios entre os dois líderes, Xi também destacou o interesse comum na expansão da cooperação econômica e comercial e defendeu que eles deveriam envidar esforços para realizar seus desejos, informou a agência de notícias chinesa Xinhua. O jantar realizado na noite de ontem entre Trump e Xi foi o primeiro encontro dos dois líderes em 2018, ano que ficou marcado pelo aumento das tensões comerciais entre os dois países, após ambos terem aumentado as tarifas sobre bilhões de dólares em bens produzidos pelo rival.
 
 

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