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Correio Braziliense

Bom resultado com o cartão consignado anima o BMG a tentar ir à Bolsa

Bons resultados do serviço encorajam o banco a levantar capital no mercado de ações. Instituição pretende conseguir R$ 1,8 bilhão no IPO, sigla para oferta inicial de papéis


postado em 03/12/2018 06:00

Os recursos a serem captados pelo BMG na bolsa permitirão ao banco crescer ainda mais rápido(foto: Luiz Prado/Divulgação)
Os recursos a serem captados pelo BMG na bolsa permitirão ao banco crescer ainda mais rápido (foto: Luiz Prado/Divulgação)
Rio de Janeiro — Tentando levantar capital, o Banco BMG está mostrando ao mercado que sua nova invenção, o cartão de crédito consignado, está começando a dar os primeiros frutos. O roadshow do banco começou na sexta-feira e, no fim do dia, a oferta já havia recebido ordens de R$ 400 milhões. O banco quer levantar cerca de R$ 1,8 bilhão no IPO (sigla para oferta inicial de ações). A faixa de preço pretendida daria ao BMG um valor de mercado entre R$ 7 bilhões e R$ 9 bilhões, incluindo os recursos que entrarão no caixa com a oferta. O banco deve fazer um lucro líquido de quase R$ 300 milhões neste ano – e quase R$ 800 milhões em 2019, ajudado pelo crescimento das carteiras de crédito, a melhora do custo de funding e o investimento dos recursos do IPO.

O BMG hoje opera três linhas de negócio. As mais rentáveis são o cartão de crédito consignado e o empréstimo pessoal. Há ainda uma carteira antiga de empréstimos consignados, abandonada para privilegiar os produtos mais rentáveis, e uma carteira de crédito corporativo que sofreu com a recessão, continua decaindo e representa 10% dos ativos. Mas a estrela é o cartão consignado, uma inovação que nasceu dentro de casa. Cerca de R$ 7 bilhões da carteira de crédito de R$ 9 bi do BMG provêm da carteira de cartões consignados, uma linha rotativa com um “duration” (prazo que o banco leva para reaver o capital emprestado) médio de 2,5 anos.

No cartão consignado, que a regulação atual permite comprometer no máximo 5% do salário do cliente, o pagamento mínimo mensal da fatura já vem descontado do salário ou da aposentadoria do cliente. O pagamento mínimo é calculado de forma a cobrir os juros e amortizar uma fatia do principal, para que toda a dívida seja amortizada em 72 meses.

Alguns investidores temem que uma mudança regulatória —– por exemplo, se o Banco Central aumentar o limite do consignado de 30% para 35% do salário — possa esvaziar o negócio. “Os grandes bancos não oferecem esse produto, e o BMG está protegido por travas que não existem, por exemplo, no empréstimo consignado,” diz um gestor. Outro gestor acha que o risco regulatório existe, mas é mitigável. “Ainda que o BC esteja de fato trabalhando para baratear o crédito, o custo do cartão consignado é substancialmente inferior ao rotativo dos cartões dos bancos, e acabar com essa alternativa deve ser a prioridade de número 5 mil do BC,” afirma.

Distribuição


Em vez de uma rede de agências, O BMG distribui seus produtos por meio de 400 lojas Help – a vasta maioria, franquias – e mais de 2 mil correspondentes bancários em todo o país. Atualmente, três quartos do funding do banco vêm de CBDs vendidos por mais de 50 bancos e corretoras, além da plataforma própria do banco. O outro quarto vem de dívida no mercado internacional e uma securitização de ativos. Para alguns investidores, o fato de o banco estar indicando a abertura de um grande número de lojas significa que o produto está só começando. Para outros, o BMG vai acabar usando os recursos da oferta para crescer em outros produtos, como empréstimo pessoal, o que aumentaria os retornos do banco.

O BMG tem hoje um patrimônio líquido de R$ 2,7 bilhões, mas, ao excluir da base os créditos tributários, o BC só permite ao banco se alavancar em cima de R$ 1,3 bilhão. Os recursos a serem captados no IPO permitirão ao BMG crescer mais rápido. Se o crescimento projetado se materializar, o crédito tributário também deve ser consumido em até três anos, segundo investidores que olharam os números.

Fundado por Antônio Mourão Guimarães em 1930 como um hedge aos investimentos da família na indústria têxtil, imóveis, agroindústria e serviços, o BMG mudou de foco diversas vezes ao longo de seus 88 anos. Em 2012, com a liquidez apertada, o BMG fez uma joint venture com o Itaú, que comprou toda a carteira de consignado. Agora, o BMG trabalha para ser um banco completo de varejo, usando mais tecnologia para captar clientes e reduzir ainda mais seu custo de aquisição. Recentemente, lançou o Meu BMG, um app por meio do qual o cliente pode comprar toda a linha de produtos.
 
 

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