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Correio Braziliense

Apesar de crescimento lento, há luz no fim do túnel, diz acionista

O empresário Osório Adriano Neto, vice-presidente das Empresas Brasal, afirmou que, apesar da crise, a empresa cresceu nos últimos anos.


postado em 04/12/2018 06:00 / atualizado em 04/12/2018 14:29

Osório Adriano Neto, vice Presidente do Grupo Brasal (foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Osório Adriano Neto, vice Presidente do Grupo Brasal (foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)


Brasília —  O empresário Osório Adriano Neto, acionista e vice-presidente das Empresas Brasal, acredita que, apesar do crescimento lento, há luz no fim do túnel. O grupo empresarial da Região Centro-Oeste do país opera na produção e distribuição de bebidas, incorporação e construção imobiliária, concessionárias de veículos, comercialização de combustíveis e hotelaria. Apesar da crise, a empresa cresceu nos últimos anos. Os bons resultados, segundo Osório Neto, são atribuídos à cautela e ao equilíbrio em investimentos no mercado, além da política de “cultura de realização” praticada pela Brasal. Para 2019, o empresário, de 54 anos, se mostra entusiasmado, ressalta o perfil desenvolvimentista do presidente eleito, Jair Bolsonaro, e do time escalado para a economia.


Como você analisa a retomada da economia?

Caminhamos a passos lentos. É um momento de grande expectativa com a mudança de governo. Bolsonaro parece ter um viés mais desenvolvimentista, pró-negócio. Isso traz esperança. Os últimos anos foram difíceis para todo mundo. Esses dois últimos foram uma tentativa de retomada, mas com muitas dificuldades de fazer reformas políticas que acabam interferindo na economia, além da questão da Lava-Jato. Isso tudo gera dúvidas e acaba impactando nos negócios. Quando a economia não está em um momento próprio, as pessoas acabam ficando mais conservadoras no sentido de assumir compromisso de longo prazo.

Qual a expectativa para o ano que vem?

Acho que só a perspectiva de reformas já gera um ambiente mais propício para todo mundo, tanto para quem está vendendo quanto para quem está comprando. Este início de ano vai ser de muitas propostas de mudanças, de reforma. Espero que seja um momento positivo. Para a empresa, com certeza é um momento que estamos esperando há muito tempo. Atuamos em quatro segmentos de negócios e estamos muito animados, até porque fomos impactados. Os segmentos imobiliário e veicular sofreram impacto maior nesses anos de crise. Em termos de crescimento, esses dois últimos anos foram muito bons. Desde o ano passado, abrimos mais duas revendas. A expectativa para o próximo ano é muito boa. Estou muito animado para o ano que vem.

Recentemente, foi aprovada uma nova lei para o distrato imobiliário. Essa lei veio na hora certa para o setor de imóveis?

Claro. Estávamos precisando de uma legislação assim. Assume-se um compromisso muito grande com os clientes quando se desenvolve um empreendimento. Se o cliente desiste, isso impacta no negócio, no fluxo de caixa. Os índices de desistência das vendas eram altíssimos. Chegavam a 40% no mercado. Isso bagunça todo o planejamento dentro do negócio. Antes da crise, as pessoas compravam, esperavam valorizar para depois vender. Às vezes, dobravam o capital. Mas quem está no mercado imobiliário não compra só para morar, mas para ganhar dinheiro. Quando veio a crise e os imóveis se desestabilizaram até cair o preço, os que apostaram na valorização perdiam dinheiro e queriam fazer a devolução. Não é justo. Quando devolve muito pouco, ainda é vantajoso para quem especula. Agora, com a lei cobrando 50%, a pessoa já pensa duas vezes, porque ela vai ter uma penalidade maior. Isso ajusta um pouco a situação. Em Brasília, o mercado imobiliário diminuiu muito nos últimos anos. Agora, achamos que as coisas vão começar a se ajustar.

Como a crise afetou a Brasal?

Apesar da crise, fizemos um esforço muito importante para manter nossa estrutura, diminuímos o mínimo possível. Felizmente, passamos muito bem pela crise. De uma maneira geral, a Brasal sofreu impacto, mas menos do que a grande maioria das empresas do segmento em que atuamos. Nos últimos anos, conseguimos nos manter no mercado e chegamos a ter crescimento. Temos lançado muita coisa no Noroeste. Hoje temos uma posição de destaque na cidade. Estamos entre os maiores que têm feito lançamentos nos últimos anos. Mas, para compensar um pouco a questão da diminuição do mercado em Brasília, abrimos filiais em Goiânia e Uberlândia. Diversificamos tanto em termos geográficos quanto em termos de negócio. Esses dois últimos anos foram de grande crescimento pra gente, diferentemente até do setor de maneira geral. Isso nos fortalece, porque no final de uma crise dessa, a maioria das empresas está em dificuldade, se recuperando. Como conseguimos manter um bom nível de crescimento e estrutura, essa retomada do crescimento vai nos pegar numa situação positiva.


E a Brasal bebidas, também sofreu impacto?

O negócio de Coca-Cola também sofreu, mas é de maior estabilidade, por ser de baixo valor de comercialização, diferentemente do carro e imóveis. Estamos sempre animados. Temos nos destacado, tido muitos reconhecimentos. Em novembro, a revista Você SA, referência em recursos humanos no país, reconheceu a Brasal Refrigerantes como a melhor empresa para se trabalhar no Brasil, não só entre as 150, mas no setor de alimentos e bebidas, ela foi a primeira. Já são três anos que a Brasal está em primeiro lugar no Brasil, concorrendo com as maiores empresas nacionais em alimentos e bebidas. Este ano, no ran -king geral, somos a quarta melhor empresa para se trabalhar no país. Para a gente é motivo de muito orgulho e satisfação ter um clima positivo e de felicidade para quem trabalha na empresa. No segmento de varejo, a Brasal combustíveis foi a primeira melhor para trabalhar. Temos duas empresas premiadas.


A que se deve esse reconhecimento?

A Brasal está há 50 anos no mercado. Mesmo com as dificuldades temos um trabalho grande em relação à marca, às pessoas. Trabalhamos esse lado humano não só pela satisfação de ter um ambiente bom para trabalhar, onde o empregado é reconhecido, mas porque isso também gera resultados e influencia nos negócios. Muito do nosso sucesso vem daí, do respeito com o público interno e externo.


O FMI revisou para baixo a previsão de crescimento da economia no país. O índice passou a ser de 1,4% para 2018 e 2,4% para 2019. O que acha desses números?

Muito mais do que os números, acompanhamos a tendência do mercado a longo prazo. A tendência é positiva, de consolidação, de reformas. O que vale é a direção, não um número específico. Dentro disso, estou otimista. Acho que tem muita coisa boa para acontecer.


O que o senhor acha do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes?

Ele é uma pessoa supercredenciada, tanto pela formação acadêmica como pelo histórico profissional. É uma escola de economia mais liberal, com menos interferência do Estado na economia. Tem que dar um crédito de confiança. O momento do país é este. Procurar acreditar e cada um fazer a sua parte para que as coisas deem certo. Não é de criticar. O que for ruim para um, interfere em todo mundo. Estou dando um crédito de confiança. Acho que as mudanças que estão sendo propostas são importantes e torço para que deem certo. Não devemos ter medo de novos desafios. É diferente do modelo que tínhamos, que se esgotou. Tanto que estamos vivendo uma crise grande. E se não der certo, sempre podemos mudar de novo.


Guedes já negou o aumento de impostos durante o governo de Jair Bolsonaro. A intenção dele é conseguir zerar o deficit fiscal do Brasil em um ano e diminuir para 25% a carga tributária em 10 anos…

Neste momento, não há condição de reduzir carga tributária, acho muito mais que é pela questão da eficiência, da produtividade, da economia. Acho que tem muito espaço para isso, de melhora da produtividade. Existe muito dinheiro desperdiçado e outras coisas estão sendo reveladas, de ineficiência de 16 anos do PT. Tiveram programas sociais importantes, mas muita coisa feita com intenção política de se manter no poder. Não existia uma grande preocupação com eficiência. Acho que eles vão tentar trabalhar nesse sentido, de serem mais eficientes na aplicação dos recursos, de controlar melhor, de fazer auditorias. Pelo menos assim espero. Isso vai gerar recursos a mais. Tem gente no Bolsa Família que merece o auxílio, mas se tiver gente que não e for identificada, vai sobrar dinheiro para mais ou aumentar os que já têm. É importante buscar a eficiência e a produtividade e não aumentar a carga tributária. Comparada a outros países, a nossa carga é muito elevada. Tem que ser daí para menos, mas com certeza de forma progressiva. Não dá para fazer mudanças a curto prazo, de uma hora para a outra.

A greve dos caminhoneiros e o período eleitoral impactaram na diminuição do consumo em 2018?

Trouxeram uma instabilidade. A situação de parar o país, como aconteceu, atingiu todos. No humor das pessoas, na geração de insegurança pela falta de alimentos e combustíveis. Gera instabilidade, pessimismo e atinge a vontade das pessoas de consumir as coisas, elas ficam mais conservadoras, mais preocupadas. Foi um momento difícil, que trouxe desgaste para todos. O ano de 2018 começou mais otimista, com perspectiva de eleição, mudança, depois veio a greve dos caminhoneiros e trouxe reflexos mesmo depois de junho, julho. Em seguida, tivemos uma eleição muito disputada e o clima era de acirramento, gerando retração pela preocupação com o futuro. Não só em não consumir, mas também com o desemprego.

Acha que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, tem um plano razoável para a economia e para o país?

Acho que ele está trazendo coisas novas. Principalmente na questão do resgate da cidadania, do patriotismo, do compromisso com o país. Acho que o país estava muito desunido. O PT de certa forma acaba dividindo para governar e isso acabou acirrando muito. Perdemos um pouco o senso crítico de unidade, de nação, de senso comum. Acho que o patriotismo é um pouco isso, a visão de todo mundo se unir e construir algo positivo. Acho que o Bolsonaro está tentando resgatar isso. O país mostrou claramente que estava a favor dessas mudanças.


O senhor votou no Bolsonaro?

Claro. Acho que os militares têm um papel importante, não só por serem militares. Eles têm valores importantes, de patriotismo. Principalmente, porque são pessoas preparadas. Passaram em todos os testes para chegar onde estão. Tiveram experiência de vida em vários lugares do Brasil, no exterior, têm uma formação muito rígida. Eles têm muito a contribuir para o país, não como militares, mas como homens, como pessoas.


Qual é a previsão para a retomada de consumo das classes para 2019?

A tendência é de que seja melhor do que neste ano. Estamos crescendo aos poucos. Tudo vai depender das reformas que vão vir. A primeira que se fala muito é a questão da Previdência.


Nesse sentido, a reforma da Previdência é positiva?

Sim. Existem distorções grandes na questão da Previdência. O número de aposentados do setor público é muito menor do que no setor privado. Em compensação, os valores gastos com um e com o outro são diferentes. Acho que tem de ter esse ajuste. À medida que as coisas forem acontecendo, vão destravando outras e criando uma perspectiva melhor. Haverá erros e acertos. As dificuldades são grandes porque vários não fizeram. Temos de ter esse espírito de observar e cobrar, mas também de ser tolerantes também com as mudanças. Ainda não sabemos como Bolsonaro vai tentar formar maioria na Câmara dos Deputados. Ele está tentando mudar essa forma de composição. Sabemos como é difícil, como eram feitos esses apoios e ele está tentando formar o governo dele. Indo mais para a questão das bancadas setoriais, ter o apoio deles, mas não sabemos se na votação isso vai prevalecer ou se tem a questão dos partidos. Isso tudo terá que ser ajustado. É difícil prever. É deixar acontecer e torcer para dar certo.

O próximo ano é propício para novos investimentos?

Sim. Tem muito espaço para investir. Apesar de ter sofrido com o impacto da crise, a gente conseguiu crescer e isso não é à toa. Temos que apostar no país, investir, acreditar, mas com o pé no chão. Tem muito espaço para investir e crescer, mas com segurança, como a gente tem feito ao longo desses anos. O país tem essa instabilidade natural dele: de crises políticas, econômicas. Cada um vai encontrar o seu ritmo de crescimento, mantendo certo nível de segurança. Não sou de esperar um grande boom para investir e na hora que estiver na crise, não investir. Acho que não tem nem de investir demais quando o negócio está bom nem deixar de investir quando está ruim. Tem de ter consistência, um equilíbrio. É isso o que a gente tem feito. A economia é uma referência, mas o empresário precisa saber qual é a capacidade dele de crescer e investir.

A Brasal tem planos de expansão para o ano de 2019?

Temos muitos lançamentos de empreendimentos imobiliários programados. Há a previsão de movimentar cerca de R$ 500 milhões em lançamentos nas filiais de Uberlândia e Goiânia. E há coisas novas surgindo que anunciaremos na hora certa.


Em comparação a 2017, o ano de 2018 está melhor?

Sim. Muito melhor. Estamos crescendo. Vamos ter um crescimento de venda de 50% neste ano no negócio de incorporações.


A empresa tem iniciativas de aproximação com o mundo digital?

Temos o programa Impulso, que nos permite a aproximação com algumas universidades que nos ajudam a buscar soluções para a melhoria de eficiência e do relacionamento. Fazemos isso há três anos. Somos uma empresa de Brasília que convoca nacionalmente esses empreendedores de startups para apresentar soluções digitais para a empresa.


A Brasal é uma empresa de família que segue por gerações. Qual o segredo desse sucesso?

Nossa força está na Cultura de Realização Brasal, no respeito. Somos voltados para a ação e valorização de todas as pessoas que trabalham conosco: acionistas, colaboradores, fornecedores, clientes, governo e sociedade. Agimos de forma correta e pé no chão, nos permitimos inovar. Começamos com veículos, depois bebidas, imobiliário. Ao longo dos anos nos renovamos e temos cuidado da nossa marca.

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