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Correio Braziliense

Indústria ganha fôlego no início do último trimestre de 2018

Depois de três meses de queda, setor fecha outubro com alta de 1,1% na produção, ante o mesmo mês do ano passado. Dezessete dos 26 ramos pesquisados cresceram na comparação com setembro. Expectativa de aprovação de reformas melhora confiança


postado em 05/12/2018 06:00


O quarto trimestre começa com resultado positivo na indústria, deixando para trás três meses de queda. Encerrou outubro em alta de 0,2% em relação a setembro, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dezessete dos 26 ramos pesquisados cresceram. A melhora fica mais expressiva na comparação anual: alta de 1,1% em relação a outubro de 2017.  No acumulado dos 10 primeiros meses, houve expansão de 1,8% da produção.

Para Marcelo Azevedo, economista da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o avanço, apesar de ser positivo depois de três meses de queda — julho (-0,2%), agosto (-0,7%) e setembro (-1,8%) — deve ser observado com atenção. “O progresso tem que ser visto com cautela. É um avanço pequeno, depois de uma queda grande. Claro, não deixa de ser um alento, até por mostrar que o último trimestre do ano não começou com um resultado negativo”, explicou.

André Macedo, gerente do PIM, explica que fatores internos e externos, como a greve dos caminhoneiros, deflagrada em maio; a crise econômica vivenciada pela Argentina, terceiro maior parceiro comercial do Brasil; e a incerteza eleitoral, no segundo semestre, pautaram o comportamento de empresários e consumidores em relação a investimentos e compras. Com isso, o avanço industrial doméstico “ficou próximo da estabilidade”.

O consumo de bens duráveis, como carros, foi um dos destaques da última Pesquisa Industrial Mensal, do IBGE, em outubro(foto: Fiat/Divulgação)
O consumo de bens duráveis, como carros, foi um dos destaques da última Pesquisa Industrial Mensal, do IBGE, em outubro (foto: Fiat/Divulgação)

De acordo com a pesquisa do IBGE, duas das quatro grandes categorias econômicas apresentaram índices positivos. Bens de capital (+1,5%) e bens de consumo duráveis ( 4,4%) obtiveram ganhos, enquanto que bens intermediários (-3,3%) e bens de consumo semi e não duráveis (-0,2%) concentraram perdas no período analisado. Os dois últimos segmentos foram impactados pela redução da produção de alimentos, produtos metalúrgicos e derivados do petróleo.

Para Luana Miranda, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), a recuperação econômica do setor industrial poderia ter sido ainda melhor se os bens intermediários e de consumo semi e não duráveis tivessem apresentado um resultado mais expressivo. “São categorias que têm peso maior na composição do setor, somando 80%”, explicou.

Entre os setores que mais se destacaram estão: a indústria extrativa, com crescimento de 3,1%;  máquinas e equipamentos (8,8%), veículos automotores, reboques e carrocerias (3,0%) e o segmento de bebidas (8,6%). Em contrapartida, os ramos de produtos alimentícios (-2,0%), metalurgia (-3,7%) e produtos derivados de petróleo e biocombustíveis (-1,2%) recuaram de forma sensível.

Cenário é promissor


Segundo Luana, da FGV, alguns fatores, no ano que vem, se desenham para que haja uma melhora no setor. A expectativa de reorganização do comércio internacional é de que o novo presidente tome medidas para recuperação do emprego no Brasil. Já para a crise na Argentina, ela não tem perspectiva de solução.  “O que vimos, ao longo do ano, foi um cenário internacional bastante incerto, com crise na Argentina e eleições no Brasil. Depois do resultado, parece que a confiança (do mercado) deu uma melhorada, já que, hoje, existe uma expectativa de condução das reformas fiscais em 2019”, analisou.

Na visão de Azevedo, da CNI, a trégua comercial firmada entre Estados Unidos e China no último fim de semana, após o término da reunião do G20, apesar  de ser temporária, constitui um bom sinal para o setor industrial do Brasil. “A trégua é importante, por possibilitar um crescimento maior do mundo. Caso o conflito se estenda, a curto prazo é possível perceber brechas e avanços do Brasil, mas, a médio e a longo prazos, todos perdem, até pelo fato de que o mundo cresce menos. A solução, por ora, é ótima”, completou.

* Estagiários sob supervisão de Odail Figueiredo

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