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Correio Braziliense

Mercado teme recessão nos EUA após 114 meses de expansão contínua

Analistas veem sinais de que a economia norte-americana pode se enfraquecer em 2019, após 114 meses de expansão contínua. Tendência estaria sendo antecipada pelo comportamento das bolsas de valores, que vêm apresentando fortes quedas


postado em 06/12/2018 06:00

Indicadores de Wall Street caíram forte na terça-feira. Maior perda foi a da bolsa Nasdaq, que recuou 3,8% (foto: Bryan R. Smith/AFP - 2/1/18 )
Indicadores de Wall Street caíram forte na terça-feira. Maior perda foi a da bolsa Nasdaq, que recuou 3,8% (foto: Bryan R. Smith/AFP - 2/1/18 )


Investidores do mercado financeiro temem que a economia dos Estados Unidos possa entrar em um novo ciclo de recessão no próximo ano. O receio tem como base a redução da demanda global apontada por alguns indicadores e o comportamento das taxas de juros no país, que estão sendo gradativamente elevadas pelo Federal Reserve (Fed, o banco central).

Um indicador em particular chama a atenção do mercado, o que relaciona os juros de títulos de longo e de curto prazos nos EUA. Nesta semana, a diferença entre as taxas anuais dos papéis do Tesouro de dois (2,79%) e de 10 anos (2,91%) diminuiu, pela primeira vez em uma década, para 0,12 ponto percentual. É a menor distância desde a crise de 2008. Para analistas, isso indica que as condições econômicas, no futuro, não serão favoráveis. O temor é de que haja a “inversão” na curva de rendimento, quando as taxas de longo prazo são inferiores as de curto prazo, apontando para recessão.

Ontem, o mercado acionário nos EUA esteve fechado, em sinal de luto pela morte do ex-presidente George H. W. Bush, no último sábado. No entanto, a queda expressiva das cotações na terça-feira acendeu uma luz amarela. A Nasdaq, bolsa que engloba as empresas do segmento de tecnologia, foi a mais afetada, com baixa de 3,8%. O índice S&P 500 da Bolsa de Nova York, que inclui as 500 maiores empresas listadas, recuou 3,24%, e o Dow Jones, 3,1%. De acordo com especialistas, os traders costumam precificar, com antecedência, a imersão da economia em uma nova crise financeira.

Relatório do Fed publicado ontem afirma que os preços aumentaram diante da elevação de tarifas de importação impostas pelo presidente Donald Trump, e a inflação subiu de forma “modesta” — atualmente, ela é 2,5%. As empresas norte-americanas diminuíram as previsões de investimento, diante do impacto de tarifas, aumento gradual dos juros e restrições do mercado de trabalho. O relatório avalia ainda que o crescimento econômico norte-americano é “moderado”.

De acordo com dados oficiais, a economia dos EUA completou 114 meses de expansão, após superar a última recessão, em 2009. É o segundo maior período de crescimento da história, atrás apenas do intervalo entre 1991 e 2001. Outro fator de preocupação é o aumento de gastos públicos, em um momento no qual Trump reduz impostos e aumenta os benefícios tributários para empresas.

Segundo o economista César Bergo, a hipótese de uma recessão a curto prazo assusta investidores, diante de um cenário de pleno emprego (em novembro, o desemprego foi de 3,7%). “Trump costuma dizer que a economia dos EUA ‘nunca esteve tão bem’. Mas ele não vê as preocupações do Fed. A longo prazo, o alto nível de atividade vai elevar a inflação e, depois, desencadeará uma recessão, talvez para o próximo presidente, com a queda de negócios. A receita, já sabemos”, resumiu.

Pablo Spyer, diretor de operações da Mirae Asset, vê um cenário pior para a economia dos EUA em 2019, mas não acredita em recessão. “O FMI, em outubro, revisou de 2,7% para 2,5% a estimativa de crescimento do país. No geral, espera-se uma desaceleração global. Acredito em uma diminuição do ritmo do  PIB (Produto Interno Bruto) a partir de abril de 2019, mas não em um número negativo.”

* Estagiário sob supervisão de Odail Figueiredo

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