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Correio Braziliense

Entenda como a prisão de uma chinesa mexeu com o dólar no Brasil

Moeda americana chega a alcançar R$ 3,94, mas cede no fim do dia e fecha a R$ 3,875. Ibovespa tem perda de 0,22%, após recuar até 2,26%


postado em 07/12/2018 06:00

Em Nova York, principais indicadores da bolsa terminaram a sessão de negócios no campo negativo(foto: Spencer Platt/Getty/AFP)
Em Nova York, principais indicadores da bolsa terminaram a sessão de negócios no campo negativo (foto: Spencer Platt/Getty/AFP)

O mercado financeiro global viveu um dia de forte nervosismo, ontem, por conta da prisão, no Canadá, a pedido do governo dos Estados Unidos, da empresária chinesa Wanzhou Meng, vice-presidente do conselho consultivo da Huawei, multinacional líder de equipamentos de telecomunicações. No Brasil, o dólar chegou a ser negociado por R$ 3,94 no início da tarde, e a Bolsa de Valores de São Paulo (B3), no pior momento da sessão, mergulhou numa queda de 2,26%. No fim do dia, porém, a moeda norte-americana cedeu e fechou a R$ 3,875, com alta de 0,21% em relação à véspera. O Ibovespa, principal índice do mercado acionário, recuperou parte das perdas e encerrou os negócios aos 88.846 pontos, baixa de 0,22%.

A prisão de Meng alimentou entre investidores o temor de que a trégua na guerra comercial entre EUA e China, anunciada no último sábado, possa ir por água abaixo, o que acirraria as tensões e poderia comprometer o crescimento da economia global. As principais bolsas de valores tiveram perdas, principalmente na Europa, com fortes quedas em Frankfurt (3,48%), Londres (3,15%) e Paris (3,31%). Em Nova York, os índices Dow Jones (-0,32%), S&P500 (-0,15%) também fecharam no negativo, mas em menor proporção. Contribuíram para reduzir a tensão declarações de um membro do Federal Reserve (Fed, o banco central do EUA), Raphael Bostic, indicando que a elevação das taxas de juros no país pode estar perto do fim.

Segundo Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura Investimentos, a prisão da chinesa não poderia ocorrer em momento pior. “O presidente Donald Trump garantiu que chegaria a um acordo com a China, e, logo em seguida, pede a prisão de uma das executivas mais importantes do país asiático. Isso abala a confiança do investidor e aumenta a percepção de risco dos agentes, que correm para os treasuries (títulos do tesouro norte-americano)”, disse.

Para Reginaldo Galhardo, gerente de Câmbio da Treviso Corretora, a alta do dólar refletiu também as incertezas na Europa. “Existe uma aversão ao risco mundial. A França enfrenta sérios problemas, assim como a Itália, que teve o orçamento rejeitado pela União Europeia. Diante desse cenário conturbado, em um período de baixa liquidez no mercado doméstico, é natural que a moeda suba”, disse.

Já na visão de Sidnei Nehme, economista da NGO Corretora, o comportamento do dólar refletiu a sazonalidade do ano. “Foi um fato local, devido, principalmente, a fatores internos. Fechamos novembro com o maior volume de saída de recursos do país (desde o início da série histórica, em 1994). Há muita incerteza também com a reforma da Previdência, que é fundamental para permitir o equilíbrio das contas públicas”, afirmou.

*Estagiário sob supervisão de Odail Figueiredo

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